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COLUNA
Gabriela Lages Veloso
Escritora, poeta, crítica literária e mestra em Letras pela Universidade Federal do Maranhão (UFMA).
Gabriela Lages Veloso

Ponto de Vista

Ponto de Vista (2024), de Ana Maria Machado, retrata o Rio de Janeiro como uma cidade partida, habitada por dois meninos que vivem em realidades totalmente distintas.

Gabriela Lages Veloso

Atualizada em 25/02/2026 às 19h06
Ilustração: Bruna Lages Veloso.
Ilustração: Bruna Lages Veloso.

De acordo com Ventura (1994), vivemos em uma cidade partida, há muitas cidades em uma única cidade, e todas elas são divididas por “muros visíveis e invisíveis”, que demarcam fronteiras bem delineadas entre o mundo dos ricos e o mundo dos pobres.

É como se a cidade fosse um imenso quebra-cabeças, feito de peças diferenciadas, onde cada qual conhece seu lugar e se sente estrangeiro nos demais. É a este movimento de separação das classes sociais e funções no espaço urbano que os estudiosos da cidade chamam de segregação espacial” (ROLNIK, 2015, p. 40-41).

Enquanto o mundo dos ricos é um espaço munido com os melhores e mais modernos serviços públicos, o mundo dos pobres é um lugar negligenciado pelo Estado, rico apenas em mazelas, escassez e violência.

Esse é o cenário retratado no livro Ponto de Vista (2024), de Ana Maria Machado. Nessa obra poética, a cidade do Rio de Janeiro é retratada como uma cidade partida, habitada por dois meninos que vivem em realidades totalmente distintas.

Um dos garotos mora em uma favela, no alto de um morro. Já o outro, vive em um apartamento em um bairro de luxo. Lado a lado, eles se veem, sem se enxergar. São totalmente alheios a existência um do outro.

Ana Maria Machado utiliza uma interessante analogia ao retratar as figuras do golfinho e da gaivota como representações dos meninos. Um via o mundo de baixo, já o outro tinha o privilégio de voar e enxergar o mundo de cima.

Um dia os garotos se encontram em uma praia da Cidade Maravilhosa e criam uma grande amizade, que irá perdurar até a idade adulta.

O vínculo de afeto se estendeu até às famílias dos meninos, que apesar de muito diferentes, também criaram laços de amizade.

Apesar da história ter um tom meio utópico, ela é essencial para que as leitoras e os leitores (crianças, jovens e adultos) possam aprender sobre as disparidades existentes entre as classes sociais, mas também compreender que somos todos iguais.

Cada pessoa tem o seu ponto de vista, mas o respeito às diferenças e a luta pela igualdade de direitos e oportunidades deve ser um compromisso de todas/os nós.

Referências

MACHADO, Ana Maria Machado. Ponto de Vista. 3. Ed. São Paulo: Global Editora, 2024.

ROLNIK, Raquel. O que é cidade. 4. ed. São Paulo: Brasiliense, 1995.

VENTURA, Zuenir. Cidade Partida. São Paulo: Companhia das Letras. 1994. 

Ponto de Vista está disponível para venda no site da Global Editora: https://grupoeditorialglobal.com.br/catalogos/livro/?id=4661 


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