SÃO LUÍS - A alegria tomou conta do Anel Viário na noite de sábado (21), no encerramento dos desfiles dos blocos tradicionais do Grupo B e das escolas de samba em São Luís. Comunidades de diversos bairros da capital maranhense se reuniram para celebrar a festa da cultura popular desde o cair da tarde até a madrugada.
Neste domingo (22), a partir das 17h, a programação do Carnaval 2026 será encerrada oficialmente com os desfiles dos blocos tradicionais do Grupo A.
O público lotou arquibancadas, frisas e camarotes para torcer por suas agremiações favoritas. Durante toda a programação, a Corte Momesca, formada pelo Rei Momo Waisllan Mendes, pela Rainha Priscylla Muniz, pela primeira princesa Bruna Artioli, e pela segunda princesa, Paloma Arouche, desfilou pela passarela, puxando todas as agremiações.
A programação começou com o som vibrante do tambor de crioula, nas apresentações dos grupos Mauro Fecury I, Turma dos Crioulos e Mestre Basílio, que aqueceram o público nas imediações da Passarela do Samba Chico Coimbra. Em seguida, os dez blocos tradicionais do Grupo B encantaram com suas coreografias, indumentárias e batidas marcantes. Balizas e instrumentistas passaram com empolgação, coroando o trabalho que realizam ao longo do ano em suas comunidades.
Escolas de samba
As mais aguardadas da noite, no entanto, foram as escolas de samba, que deram um show à parte. A primeira a cruzar a passarela foi a escola Túnel do Sacavém, fundada em 1997, e que levou para o Anel Viário uma homenagem a “Xangô”. Na sequência, a escola de samba Unidos de Fátima, do Bairro de Fátima, emocionou com um samba-enredo em homenagem aos Lençóis Maranhenses, um dos parques ecológicos mais famosos do mundo.
Em seguida, entrou a Marambaia, agremiação do Bairro de Fátima, que este ano apostou no samba-enredo alinhado ao tema “A Arte da Comunicação: dos tempos dos primórdios à interatividade virtual”. Os integrantes e carro alegóricos abordaram a evolução da comunicação humana ao longo da história.
O desfile passou pelos gestos, símbolos, oralidade, escrita, meios de comunicação e chegou à era digital. Na avenida, o percurso se transformou em narrativa visual e musical, dialogando com o público e com a dinâmica do Carnaval de passarela. O samba é assinado por Dennys Melodia e Benedito Ribeiro (Urubuzinho).
A Turma do Quinto, por sua vez, colocou todo mundo para cantar com o tema “Na Turma do Quinto o Reggae é a Lei”, reverenciando o ritmo que é a cara do Maranhão. O samba é de autoria de Josiel Costa, Jaílson Pereira, Carlos Boniek, Vicente Melo e Arthur Santos. O enredo foi desenvolvido após uma série de rodas de conversa com pesquisadores e um extenso trabalho de campo, que resultou na sinopse utilizada pelos compositores na disputa.
"É a escola do meu coração e acho que fez um bom desfile. Com certeza, estará entre as favoritas. Afinal, ninguém resiste ao reggae e esse tema foi pertinente, pois é preciso valorizar a nossa cultura e fazer jus ao fato de que São Luís é a Jamaica Brasileira", disse a professora Ana Maria Ribeiro, moradora da Madre Deus.
Com dois mil componentes, alas e carros alegóricos levaram as cores da Jamaica Brasileira e desfilaram diversas personalidades ligadas ao movimento reggae na capital, de diferentes vertentes. “Um trabalho árduo, que pressupõe estudos e ensaios, e temos a certeza de que fizemos uma grande apresentação. Nós casamos as duas paixões, que são o samba e o reggae. Foi um trabalho cansativo, mas proveitoso e valeu a pena”, disse o diretor de bateria Carlos Jhonatan.
Flor do Samba
Encerrando os desfiles, a atual campeã, Flor do Samba, do bairro Desterro, brilhou com o enredo “Entre o Ventre e a Flor: Mulheres, Mitos e Deusas”, arrancando aplausos do público. O enredo atravessou mitologias e realidades: de Ísis a Iemanjá, de Durga à Rainha de Sabá, de Dandara dos Palmares a Joana d’Arc, de Nefertiti às anônimas que sustentaram o mundo com braços, rezas e coragem. No desfile, cada uma delas ressurgiu não como uma presença viva, coroada em plena avenida e encerrando as apresentações com chave de ouro.
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