No próximo dia 17 de janeiro, a diretora, musicista e pesquisadora Renata Amaral dará o pontapé inicial ao projeto ‘Acervo Maracá – 10 Pedras’, contemplado pelo Rumos Itaú Cultural 2019-2020, com a disponibilização do primeiro de dez vídeos da série virtual ‘10 Pedras’, sobre cultura popular.
Trata-se do curta-metragem ‘Tenda São José’, dirigido por Luiza Fernandes, que se desenrola a partir do olhar de Mãe Gildete, Mestra Luizinha e Manoel Batazeiro, guardiões dos ritos do terecô, religião afro-brasileira centenária com origem no interior do Maranhão.
Registros feitos desde 1999, e agora compactados neste episódio inicial, mostram a dança circular, os costumes e cantigas do terecô (também conhecido como Umbanda e Tambor da Mata) nas vozes dos mestres artistas Mãe Gildete, Luizinha e Manoel Batazeiro.
Religião típica da bacia do Rio Itapecuru, seguindo até Codó, ambos no Maranhão, dialoga com elementos do Tambor de Mina, mas se distingue em um universo próprio de coreografias, figurinos, instrumentos, toques e liturgias.
Mãe Gildete, chefe do terreiro Tenda de São José, falecida em 2016, é definida por Renata como sendo toda amor, espalhando-o sem alarde. “Com uma história comum na região, enlouqueceu e quase morre até descobrir sua vocação espiritual, que exerce com dedicação e suavidade chefiando as médiuns de um dos terreiros mais conhecidos, entre muitos, da pequena Pirapemas”, conta Renata.
Já Seu Manoel, de acordo com ela, é dono de um vozeirão treme-terra, é batazeiro (nomenclatura para quem toca o tambor Batá) dos mais solicitados da região, capaz de tocar dois tambores ao mesmo tempo.
Sobre Mestra Luizinha, afirma ser uma impressionante combinação de força e delicadeza. “A voz rasga o batuque e tem um agudinho de brisa e passarinho. Usa sempre os vestidos, chamados de fardamento, mais bonitos do salão. Luizinha tem uma expressão única de sua espiritualidade através da música”.
Renata conta que conheceu a Tenda São José em 1999, durante o projeto Universidade Solidária, com o grupo A Barca, do qual faz parte. “Mãe Gildete se mostrou uma fonte inesgotável de belezas”, lembra.
“São centenas de doutrinas gravadas lá e dezenas delas já formaram o repertório de diálogos musicais com meus grupos A Barca e Ponto br, além de serem material constante para aulas e práticas em grupo”, conta.
Episódios
Toda terça-feira, o público tem acesso a um episódio inédito dirigido por diferentes profissionais em https://www.youtube.com/@AcervoMaraca, e a publicações associadas à temática, como álbuns e filmes pertencentes ao Acervo.
O próximo audiovisual da série, disponível no dia 24, é dirigido pelo artista e pensador guarani Carlos Papá, sobre Avá Djejokó, uma das principais lideranças Guarani de sua geração, morto em 2011.
Em seguida, encerrando o mês de janeiro, no dia 31, o vídeo intitulado ‘Legba – senhor dos caminhos’, relacionado ao orixá Exu – mostra uma cerimônia Vodun, da Coletividade Kpengla, em Abomey, região do antigo reino do Dahomé, no Benin, África Ocidental. A direção é do músico Kiko Dinucci, fundador das bandas Metá Metá e Passo Torto, e da produtora Beatriz Dantas.
“As entrevistas e depoimentos apresentados nos vídeos mostram a força criativa e o fazer artístico presente nas comunidades. São melodias, movimentos e ritmos matrizes da nossa cultura urbana, muitas vezes criados em meio a um contexto de conflito e exclusão social”, explica Renata, idealizadora do projeto.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.