Hoje em dia, falar em exames pré-nupciais, pode até parecer fora de contexto, mas o check-up nupcial deve ser item obrigatório na lista de providências pré-matrimoniais. Esses exames podem ajudar a diagnosticar possíveis doenças.
Durante muito tempo os exames pré-nupciais caíram no esquecimento, pois eram sinônimos de caretice. “Hoje os exames pré-nupciais fazem parte de um conceito mais amplo, o da medicina preventiva, ou medicina da promoção da saúde, onde nós médicos trabalhamos para preservar a saúde e não simplesmente curar doenças.”, explica o ginecologista e obstetra do UDI Mulher, Eduardo Figueiredo.
Ainda segundo ele, a procura por exames preventivos de todos os tipos aumentou muito nos últimos anos, “as pessoas esclarecidas já percebem que é mais fácil prevenir doenças do que curá-las, é melhor e mais saudável evitar uma gravidez indesejada do que recorrer a um aborto, e assim por diante.”, conclui.
Hoje, com o desenvolvimento tecnológico, os exames se sofisticaram, possibilitando a detecção e o tratamento precoce de doenças. O mais recomendável é marcar uma consulta num período de seis a três meses antes do casamento, com um ginecologista e um urologista de inteira confiança dos noivos.
A finalidade básica dos exames pré-nupciais é avaliar o histórico do casal quanto a doenças anteriores e suas possíveis seqüelas que não somente dificultem a gravidez, como também possam indicar a possibilidade de fetos mal-formados.
Ainda durante a consulta são avaliados os medicamentos e as vacinas que o casal já tomou, bem como o mapeamento de vícios que sejam prejudiciais à saúde. Além disso, é preciso verificar anomalias genéticas nas famílias, episódios de aborto ou gravidez anterior. Outro fator importante a ser considerado é a faixa etária do casal, pois quanto mais avançada for a idade dos pais, maiores são as chances do bebê vir a apresentar alguma anomalia.
Relação de exames pré-nupciais:
1) Há exames que ajudam a determinar o grau de fertilidade do casal e possíveis alterações cromossômicas relevantes:
Espermograma: determina as condições de fertilidade do homem e permite o tratamento de infecções assintomáticas que diminuem o número de espermatozóides. Com orientação e tratamento, muitos desses problemas são reversíveis;
Cariótipo: exame que avalia a existência ou não de alterações cromossômicas, podendo causar problemas reprodutivos como infertilidade, abortamentos de repetição e prole malformada. Caso se diagnostique alterações cromossômicas são possíveis determinar riscos específicos.
2) Outros exames preventivos visam garantir a saúde do bebê da mulher que deseja engravidar:
Sorologia para rubéola: determina a imunidade para a rubéola e a necessidade da vacinação, que protegerá o feto. Em caso de vacinação deve-se evitar a gravidez por pelo menos três meses;
Toxoplasmose: identifica infecções provocadas pelo protozoário toxoplasma gondii, permitindo o tratamento para evitar a transmissão vertical, isto é, da gestante para o feto. A transmissão para o feto no primeiro trimestre da gravidez pode provocar óbito fetal, abortamento ou deixar seqüelas, como a cegueira.
3) E por fim, realizam-se os exames que garantem a saúde do casal, detectando infecções, doenças e anemias, tanto no homem quanto na mulher:
VDRL: detecta a sífilis, possibilitando o tratamento;
Hemograma completo: avalia anemias e alterações de glóbulos brancos e plaquetas;
Clamídia - (chlamydia trachomatis): identifica a doença sexualmente transmissível e de grande prevalência que pode provocar infecções oculares, urogenitais e infertilidade;
Glicemia em jejum - diabetes
Sorologia para a hepatite: detecta a infecção pelos vírus B e C, permitindo encaminhamento ao especialista no caso de infecção e indicando vacina do tipo B nos casos de sorologia negativa;
Lipidograma Alterações no colesterol e triglicerídeos.
HIV: exame que detecta a infecção pelo vírus HIV, de importância fundamental para o início de um tratamento adequado e aconselhamento para casos de gestação;
Urina: detecta eventuais infecções assintomáticas e doenças renais;
Exame parasitológico de fezes: permite diagnóstico e tratamento de parasitoses assintomáticas que podem trazer conseqüências indesejáveis no futuro.
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