Hipertensão mata mais mulheres do que câncer de mama

G1

Atualizada em 27/03/2022 às 13h57

SÃO PAULO - Cerca de 300 mil brasileiros morrem todos os anos por problemas decorrentes da pressão alta. As mulheres já são as principais vítimas da hipertensão, que provoca seis vezes mais mortes do que o câncer de mama. A jornada dupla - no trabalho e em casa -, a pressão por resultados, o fumo e a falta de exercícios são fatores que aumentam o risco. 

Há quatro anos a rotina da relações-públicas Eliana Miguel é a mesma. Ela espera horas no Instituto do Coração para pegar oito caixas de remédios que duram apenas um mês. Quando chega em casa, separa as doses para não se confundir. "Tomo todos os dias as doses da manhã e da noite. Isso é terrível para mim, que nem tomava remédio para dor de cabeça", diz.

A hipertensão pode levar a pessoa a ter problemas cardiovasculares que são a principal causa de morte em mulheres com mais de 35 anos. É uma doença silenciosa, que na maioria das vezes não apresenta sintomas.

"Você só fica sabendo [que tem hipertensão] se for medida a pressão. Quando a pessoa tem sintoma de dor no peito ou de cabeça, é sinal que ela já sofre de hipertensão há um bom tempo. A doença pode ter levado a uma lesão da artéria que pode ser reversível ou não", explica o cardiologista Dante Giorgi.
 
Fatores de risco

Entre as principais dúvidas dos pacientes está a alimentação. "Posso ficar hipertensa por comer carne com gordura?", pergunta uma mulher. "Pode, desde que você ganhe peso. A carne com gordura aumenta o colesterol e o colesterol aumenta a pressão dos vasos e a pressão arterial. Sal e ganho de peso são duas coisas ligadas ao aumento da pressão", responde o cardiologista.

O fator genético também conta, mas a agitação da vida urbana cria novos riscos. "Existe uma mudança de hábito das mulheres mais jovens. Elas entram no mercado de trabalho mais competitivo, a alimentação é diferente, o tabagismo vem aumentando e a atividade física vem diminuindo. Tudo isso contribui para que a hipertensão venha mais cedo", aponta Dante Giorgi.

O melhor mesmo é prevenir, porque depois que a doença aparece não tem jeito - é necessário tomar a medicação a vida toda. 
 
Sintomas 'incomuns'

Nas mulheres, os sintomas de um infarto são diferentes dos apresentados por um homem. Dores no peito e no braço não são comuns em mulheres. Elas costumam apresentar falta de ar, náuseas e dor no estômago. Acham que é apenas uma indisposição e não procuram um médico.

Segundo a Organização Mundial da Saúde, quase 12 milhões de mulheres morrem todos os anos por causa de derrames e enfartes. É mais do que a soma de mortes provocadas por câncer, tuberculose, aids e malária.

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