GOIÂNIA - No início deste mês, a Justiça de Goiânia determinou a apreensão de edições do livro “Na Toca dos Leões”, do escritor Fernando Morais (o mesmo de 'Olga), por ofensa ao deputado Ronaldo Caiado.
O escritor, a editora do livro e o publicitário Gabriel Zellmeister foram ainda proibidos de fazer qualquer tipo de pronunciamento, sejam entrevistas ou declarações, sobre o texto referente ao deputado da bancada ruralista e fundador da União Democrática Rural, a UDR. Se desobedecerem a ordem, ambos terão de pagar R$ 5 mil de multa cada vez que falar do assunto.
No livro, Fernando Morais reproduz uma conversa que teria acontecido entre o então candidato Caiado e o publicitário Gabriel Zellmeister, durante a campanha eleitoral presidencial de 1989. No encontro, Caiado teria se referido aos nordestinos como extratos sociais inferiores e teria, também, sugerido um remédio que fosse adicionado à água para esterilizar as nordestinas.
Em Goiânia, o deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO), que fez questão de dar a entrevista ao lado da família, negou que a conversa tenha acontecido. Ele se pronunciou ao Jornal Nacional dizendo que nunca fora procurado pelo escritor Fernando Morais e quando leu o trecho do livro que fazia referência a sua pessoa, ficou indignado.
Ainda no Jornal Nacional, a Academia Brasileira de Letras criticou a atitude do deputado. O presidente da Academia, Ivan Junqueira, afirmou que o deputado deveria processar o autor, mas não entrar na Justiça com a intenção já determinada de confisco de uma obra, porque isso traz de volta a censura prévia da ditadura. O deputado rebateu dizendo que 'a Constituiçao garante a liberdade de Expressão, mas também garante com que o cidadão tenha direito de ser preservado na sua honra'.
A editora vai tentar cassar a liminar que provocou muitas reações de repúdio. Para entidades ligadas à imprensa, aos escritores e também para a Ordem dos Advogados do Brasil, a decisão foi arbitrária e fere a liberdade de expressão.
O juiz Geová Sardinha, responsável pelo caso de Caiado, comentou as razões que o levaram a determinar o recolhimento dos livros. Ele explica que o texto do livro, sem dúvida nenhuma, o convenceu de que foi uma agressão à pessoa do deputado Ronaldo Caiado e que caso contrário não teria determinado uma medida tão drástica.
Fernando Morais, que está na França, foi informado pela reportagem do Jornal Nacional de que está proibido de falar sobre o trecho do livro. Surpreso, disse que nem nos piores momentos da ditadura isso aconteceu.
O livro de Morais ainda está à venda em muitas lojas em todo o Brasil. Mas por decisão da Justiça, a editora tem 20 dias para tirar de circulação os exemplares de todas as livrarias do país, o que vai aumentar ainda mais as vendas do livro neste curto período.
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