Festival de Cinema da Baixada leva produções do interior maranhense para a telona em Pinheiro
Buscando revelar novos talentos, o Festival de Cinema da Baixada amplia acesso ao cinema e destaca histórias do interior do Maranhão.
PINHEIRO – O cinema também quer ocupar o interior do Maranhão. De 7 a 10 de dezembro, Pinheiro recebe a terceira edição do Festival de Cinema da Baixada, evento que nasceu com a proposta de fortalecer o audiovisual produzido na Baixada Maranhense e criar um espaço para que realizadores da região possam mostrar seus trabalhos.
Além das produções locais, o festival também recebe filmes de outras partes do Brasil e do mundo. A programação tem mostras competitivas de curta-metragem e videoclipes e busca colocar o cinema feito no Maranhão em contato com outras produções e públicos.
Em 2026, o festival chega à terceira edição depois de movimentar centenas de realizadores. Foram 395 inscrições na primeira edição, em 2024, e outras 275 inscrições no ano seguinte.
Festival de Cinema da Baixada nasceu de um desejo antigo
A ideia de criar o evento surgiu de uma vontade pessoal do organizador Leandro Guterres, que queria ampliar o acesso ao cinema e estimular a produção audiovisual na Baixada Maranhense. Ele conversou com o Imirante e contou alguns detalhes dessa história.
“Era um desejo que eu já tinha de fomentar mais o audiovisual aqui na Baixada Maranhense”, confessou. Leandro se especializou em cinema, morou em Portugal durante quatro anos e fez mestrado em desenvolvimento de projeto cinematográfico.
Quando retornou a Pinheiro, decidiu transformar a experiência acumulada em uma iniciativa voltada para os realizadores da região.
Interior ainda enfrenta desafios para formar público
Realizar um festival de cinema fora dos grandes centros também traz seus desafios. Segundo Leandro, uma das principais dificuldades está justamente em aproximar a população desse tipo de atividade cultural.
“Os desafios são muitos, a começar pela falta de cultura, falta de prática de ir ao cinema, da cultura do cinema, da cultura de valorizar os filmes regionais”, afirmou.
A partir da primeira edição, a organização passou a investir também na formação de público. A estratégia inclui levar as exibições para espaços diferentes, como escolas, auditórios e áreas públicas. “Hoje a gente faz isso aqui no interior, levando o cinema para exibições alternativas. Nossas mostras vão para sala de aula, vão para auditórios, vão para espaços públicos externos.”
Segundo Leandro, o festival também já realizou exibições na Beira do Rio, mostrando que o cinema pode ocupar lugares além das salas tradicionais.
Festival de Cinema da Baixada quer criar polo cinematográfico
Mais do que realizar um evento anual, a organização tem um projeto maior para a cidade. A ideia é transformar Pinheiro em um ponto de produção audiovisual capaz de receber filmes de diferentes formatos e temáticas.
Para Leandro, a riqueza cultural da região pode ser uma das principais matérias-primas desse futuro.
“Eu tenho um desejo, um sonho grande dessa área aqui, que é tão bonita, tem um potencial tão grande turisticamente, da gente criar um mini polo, um polo da indústria cinematográfica para registros regionais, tanto na ficção, documentário, videoclipes.”
Parcerias ajudam o Festival de Cinema da Baixada a continuar
A realização do Baixada Film Festival também depende do apoio de parceiros e de investimentos, principalmente para ampliar a estrutura das edições. O diretor conta que o suporte de empresas privadas tem sido importante para que o projeto continue crescendo e consiga alcançar outras cidades da Baixada.
“A gente está conseguindo, aos poucos, abranger toda a região e tornar o cinema uma realidade no interior do Maranhão”, comemorou.
O trabalho também conta com a participação de profissionais e professores que colaboram na seleção e avaliação dos filmes. Entre eles estão nomes ligados à UFMA, ao CineSesc e à produção audiovisual regional.
Cinema local quer contar a Baixada
Para Leandro, uma das grandes forças do audiovisual produzido no interior está justamente na possibilidade de contar histórias que muitas vezes ficam fora dos grandes centros.
Ele conta que as produções locais “se tornam também uma grande vitrine do nosso espaço, do nosso território lá fora, na indústria dos festivais de curtas-metragens, de média-metragens, documentários, videoclipes”, e que elas servem como vitrine da realidade vivida pelo interiorano, muitas vezes excluído.
Além de revelar paisagens e histórias locais, o festival também aposta no cinema como ferramenta de preservação cultural. A diversidade presente na Baixada Maranhense ganha destaque quando as manifestações tradicionais - como a cultura afro-indígena, os terreiros e o Tambor de Mina - que fazem parte da identidade da região são registradas.
Jovens podem encontrar novos caminhos no cinema
Outro objetivo do festival é aproximar os jovens do audiovisual e mostrar que o cinema pode ser não apenas uma forma de expressão, mas também uma possibilidade profissional. Para o organizador, a ideia é incentivar uma nova geração a olhar para a própria realidade e transformá-la em narrativa.
A missão é “ensinar os jovens a mostrar a sua realidade, seu ponto de vista diante de alguma situação social, econômica ou cultural”. Nesse processo, o festival funciona como um espaço de troca para quem já produz.
Festival de Cinema da Baixada acontece em dezembro
Depois de duas edições, o Festival de Cinema da Baixada chega à terceira que deve acontecer entre os dias 7 e 10 de dezembro, em Pinheiro. A programação mantém o foco no audiovisual maranhense, mas continua aberta a produções nacionais e internacionais. Para Leandro, a ideia é fazer do festival uma ponte entre quem produz cinema na região e o restante do mundo.
Mais do que colocar filmes na tela, o projeto busca criar uma cultura de cinema no interior e mostrar que a produção audiovisual também pode nascer, crescer e encontrar público longe da capital.
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