George Clooney alerta que IA pode fazer público duvidar até de informações verdadeiras
No Festival de Veneza, George Clooney, de 65 anos, critica a IA e o controle da mídia por bilionários, alertando sobre a ameaça aos fatos e à verdade.
MUNDO - O avanço da inteligência artificial pode fazer com que as pessoas passem a desconfiar até de informações verdadeiras. O alerta foi feito pelo ator e cineasta norte-americano George Clooney, de 65 anos, nesta quarta-feira (2), durante o Festival de Cinema de Veneza, na Itália.
Segundo o artista, a popularização dos deepfakes e de conteúdos produzidos por inteligência artificial está tornando cada vez mais difícil separar o que é real do que foi fabricado digitalmente. Para Clooney, o problema vai além da circulação de informações falsas: a própria percepção do público sobre a realidade pode ser afetada.
“Está ficando cada vez mais difícil para nós discernir a verdade”, afirmou o ator a jornalistas.
Clooney explicou que, diante da possibilidade de qualquer imagem, vídeo ou áudio ser manipulado, evidências verdadeiras também podem passar a ser questionadas.
“Quando você vê coisas reais que são realmente verdadeiras, as pessoas são capazes de dizer: ‘Bem, isso é falso’”, declarou.
George Clooney questiona proteção contra deepfakes
O ator contou que esteve recentemente com desenvolvedores de inteligência artificial para conversar sobre os avanços da tecnologia. Apesar do esforço da indústria para criar mecanismos de proteção, ele disse não estar convencido de que as salvaguardas atuais acompanhem a velocidade das mudanças.
“Todo mundo está trabalhando freneticamente nisso, e ainda não vi nenhum grande avanço em termos de sucesso”, afirmou.
Clooney também brincou com a possibilidade de sua própria imagem ser utilizada por sistemas de inteligência artificial depois de sua morte.
“Gostaria de evitar aparecer em um comercial de absorventes 20 anos depois de minha morte”, disse.
A preocupação envolve uma tecnologia que permite reproduzir características de uma pessoa, como rosto, voz e maneira de falar, criando conteúdos que podem parecer autênticos mesmo sem a participação ou autorização do indivíduo.
Ator relaciona IA aos desafios do jornalismo
A discussão sobre inteligência artificial também levou Clooney a falar sobre a concentração da propriedade dos meios de comunicação. Para ele, o cenário representa outro desafio para o jornalismo e para a maneira como o público acessa informações.
“As pessoas mais ricas do mundo atualmente são donas do Washington Post e do Twitter, além da maioria dos veículos por onde obtemos nossas informações, e isso é preocupante”, afirmou, em referência a Jeff Bezos e Elon Musk.
Segundo o ator, o jornalismo passa por transformações constantes e precisa lidar simultaneamente com mudanças tecnológicas e econômicas.
“A situação do jornalismo está sempre em constante mudança, sempre sob desafio”, declarou. “Mas acredito que a informação encontrará seu caminho.”
George Clooney será homenageado em Veneza
Clooney está em Veneza para receber o Leão de Ouro pelo conjunto de sua carreira. A homenagem reconhece sua trajetória como ator, diretor e produtor, marcada por quase três décadas de participações no festival. A relação do artista com o Lido começou em 1998, quando participou da estreia de “Irresistível Paixão”.
Aos 65 anos, Clooney também aproveitou a passagem pelo festival para falar, com bom humor, sobre o envelhecimento.
“Tudo é melancólico”, brincou. “Você escova os dentes e pensa: ‘Meus dentes costumavam ser muito mais bonitos’.”
Saiba Mais
Receba também as principais notícias do Maranhão, do Brasil e do mundo diretamente no seu e-mail. Cadastre-se gratuitamente no Imirante.com e ative a opção "Receber conteúdos por e-mail" para acompanhar a Newsletter do Imirante.
Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.