história inusitada

De Andradina à China: brasileira vira astronauta em blockbuster de ficção científica

Daniela Tassy, brasileira de Andradina, brilha como astronauta em Terra à Deriva 2, blockbuster chinês que já faturou R$ 2,5 bilhões nas bilheterias.

Na Mira, com informações do g1 pop

- Atualizada em 31/08/2026 às 14h11
De Andradina à China: brasileira vira astronauta em blockbuster de ficção científica.
De Andradina à China: brasileira vira astronauta em blockbuster de ficção científica. (Daniela Tassy/Arquivo pessoal)

MUNDO - A brasileira Daniela Tassy trocou Andradina pela China e surpreendeu ao conquistar o papel de uma astronauta em Terra à Deriva 2, superprodução que já arrecadou R$ 2,5 bilhões. A brasileira, que já carregava uma relação antiga com o teatro e a dança, encontrou no outro lado do mundo uma oportunidade para experimentar a atuação e, pouco a pouco, passou de figurante a integrante do elenco de uma das grandes produções de ficção científica do cinema chinês.

Daniela está em “Terra à Deriva 2”, longa lançado originalmente em 2023 e que chegou aos cinemas brasileiros em 20 de agosto. Na produção, ela interpreta Emília Soares, uma astronauta brasileira envolvida em uma missão internacional na Lua. O filme já ultrapassou US$ 500 milhões em arrecadação na China, o equivalente a cerca de R$ 2,5 bilhões na cotação atual, e agora ganha uma nova janela para o público brasileiro conhecer a história que levou a atriz de sua cidade natal para uma superprodução do outro lado do planeta.

A trama se passa em um futuro no qual a humanidade precisa encontrar uma maneira de escapar de uma ameaça provocada pelo próprio Sol. Para tentar preservar a Terra, cientistas desenvolvem motores gigantescos capazes de alterar a órbita do planeta e afastá-lo da estrela. A operação reúne representantes de diferentes países e coloca os personagens diante de decisões que podem determinar o futuro da espécie humana.

É nesse cenário internacional que surge Emília. A personagem representa o Brasil em uma das missões da história e aparece em um momento importante do filme. Daniela, porém, prefere guardar os detalhes para quem ainda não assistiu à produção. Para ela, o simples fato de ver uma brasileira e a bandeira do país inseridas naquele universo já produziu uma reação especial entre os espectadores brasileiros que tiveram contato com o longa.

“Os brasileiros que assistiram ficaram muito emocionados. Ver uma personagem com a bandeira do Brasil, representando toda uma nação em uma missão para salvar a humanidade, trouxe uma emoção muito grande. Acho que isso tocou muito o público brasileiro. Espero que cative também o público aí no Brasil”, afirma.

O começo da carreira foi bem longe dos grandes sets

Antes de vestir o figurino de astronauta, Daniela precisou construir uma trajetória que não tinha, inicialmente, o cinema como destino. O interesse pela atuação apareceu ainda em Andradina, quando ela participava de apresentações de teatro e dança na escola de idiomas onde estudava. A timidez, entretanto, fazia parte da equação, e a atriz conta que, apesar dela, sempre sentiu vontade de permanecer próxima da arte.

“Meus primeiros passos como atriz foram em Andradina, na escola de idiomas onde eu estudava. Eu tinha apresentações de teatro e dança. Apesar de ser tímida, eu sempre tive vontade de estar em volta e estar respirando arte”, conta Daniela.

A formação profissional, porém, seguiu inicialmente outro caminho. Daniela estudou tradução, viveu também nos Estados Unidos e trabalhou em São Paulo antes de se estabelecer na China. Foi justamente durante a vida no país asiático que a atuação, que até então ocupava um espaço mais próximo do desejo pessoal, começou a se transformar em profissão.

Os primeiros trabalhos foram como figurante em séries e filmes. A experiência serviu para aproximá-la dos bastidores das produções e despertou a vontade de estudar atuação. Depois de se mudar para Pequim, Daniela passou a buscar oportunidades nos chamados doramas, nome popular dado a produções televisivas e de streaming asiáticas, enquanto construía experiência diante das câmeras.

A sequência de trabalhos acabou levando a brasileira para produções maiores. Em Terra à Deriva 2, ela chegou a fazer um teste para outro personagem, o de uma repórter. O resultado, entretanto, chamou a atenção da equipe de produção por outro motivo: Daniela acabou sendo escolhida para interpretar justamente uma astronauta brasileira.

O papel também criou uma espécie de encontro entre os dois países que atravessam sua própria história. De um lado, está o Brasil onde nasceu e onde teve os primeiros contatos com a arte. Do outro, a China, país para o qual se mudou inicialmente por causa da tradução e onde acabou encontrando uma segunda carreira.

Brasileira vê semelhanças entre os dois países

A experiência de Daniela também fez com que ela passasse a observar de perto as diferenças e aproximações entre as culturas brasileira e chinesa. Para a atriz, a distância de milhares de quilômetros entre os países pode alimentar uma percepção de que os dois povos são muito diferentes, mas a convivência cotidiana revela mais pontos em comum do que se imagina.

“A distância geográfica automaticamente traz esse preconceito. O povo chinês e o povo brasileiro têm muitas similaridades. Eu acho que podemos aprender muito uns com os outros. Eu tenho aprendido muito estando na frente das câmeras, nos doramas chineses e nos filmes”, detalha Daniela.

O cinema é uma das áreas em que essa aproximação acontece. A indústria chinesa tem ganhado cada vez mais espaço internacional e já produziu filmes reconhecidos fora da Ásia. Um dos exemplos é O Tigre e o Dragão, dirigido por Ang Lee, que recebeu dez indicações ao Oscar em 2001 e venceu quatro categorias.

Para Daniela, porém, conhecer a China também passa por olhar para além das grandes produções. A atriz mantém atualmente uma segunda atividade profissional ligada ao país: trabalha com uma agência de turismo que recebe principalmente brasileiros e usa as redes sociais para mostrar aspectos da história, dos costumes e do cotidiano chinês.

A proposta é apresentar aos brasileiros uma experiência menos presa às imagens estereotipadas do país. Assim, enquanto a personagem Emília Soares leva um pedaço do Brasil para uma missão cinematográfica na Lua, Daniela faz o caminho contrário na vida real, apresentando a China para quem sai do Brasil em busca de conhecê-la.

“Nesse momento, eu estou contando histórias para os brasileiros que vêm para a China de um outro modo. Em vez de estar na frente das telas, estou mostrando a cultura e a história da China. Eu trago e levo as pessoas para viver um pouco de uma China que poucas pessoas conhecem”, reforça Daniela.

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