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Bad Bunny no Super Bowl: confira tudo que rolou no show do intervalo

Cantor Bad Bunny levou Porto Rico ao centro do espetáculo, defendeu imigrantes e respondeu a críticas de Donald Trump.

Na Mira

Atualizada em 09/02/2026 às 14h16
Bad Bunny no Super Bowl: confira tudo que rolou no show do intervalo. (Carlos Barria/g1)
Bad Bunny no Super Bowl: confira tudo que rolou no show do intervalo. (Carlos Barria/g1)

MUNDO - O que era para ser apenas mais um show do intervalo virou um verdadeiro manifesto cultural. Durante a apresentação no Super Bowl LX, nesse domingo (8), Bad Bunny fez do palco do evento esportivo mais assistido do planeta um espaço de celebração latina, misturando música, símbolos políticos, memória afetiva e recados diretos sobre imigração, colonização e pertencimento.

Logo na abertura, ao som de “Tití Me Preguntó”, o artista porto-riquenho deixou clara a proposta da noite. “Qué rico es ser latino”, declarou, antes de transportar o público para o universo de Porto Rico.

O estádio ganhou palmeiras, folhagens tropicais e uma cenografia que remetia às ruas e quintais da ilha. Vestido todo de branco e segurando uma bola de futebol americano, Bad Bunny cantou com seu tradicional microfone de fone de ouvido, acessório visto pelos fãs como uma homenagem ao astro latino Chayanne.

“La Casita”: sucesso sem apagar as origens

Um dos momentos mais simbólicos do show foi a estreia de “La Casita” no Super Bowl. A estrutura, réplica de uma casa popular porto-riquenha, surgiu no meio da grandiosidade do estádio como um espaço íntimo e comunitário.

Mais do que cenário, a casa carrega um significado profundo: representa as comunidades da classe trabalhadora onde o reggaeton nasceu. A mensagem era clara, mesmo no maior palco do entretenimento mundial, Bad Bunny não abre mão de suas raízes.

Celebridades como Cardi B, Jessica Alba, Karol G, Young Miko e Pedro Pascal circularam pelo espaço, que também funcionou como palco secundário durante a apresentação.

Setlist de Bad Bunny

O repertório alternou hits com mensagens sociais.

Em Yo Perreo Sola”, o cantor reforçou o discurso contra o assédio e a favor da autonomia feminina nas pistas de dança, tema que já havia marcado o clipe original, no qual ele rompeu padrões de gênero.

Já em “NUEVAYoL”, fez um aceno direto à diáspora latina e aos imigrantes em Nova York, retomando críticas às políticas migratórias dos Estados Unidos. O palco exibiu referências ao lema “ICE out”, usado anteriormente pelo artista em protestos contra o serviço de imigração americano.

A participação especial de Ricky Martin emocionou o público em “Lo Que Le Pasó a Hawaii”, música que usa o Havaí como metáfora para discutir colonização, turismo predatório e o risco de perda da identidade cultural de Porto Rico.

A apresentação também apostou em imagens fortes. A bandeira de Porto Rico com triângulo azul-claro, associada ao movimento independentista, apareceu em destaque.

Em outro momento, Bad Bunny ampliou o tradicional “Deus abençoe a América”, citando países de todo o continente, do Chile ao Canadá, enquanto surgia a mensagem: “Juntos somos a América”.

Até o sapo concho, espécie nativa ameaçada de extinção, apareceu como símbolo de resistência, representando o que a ilha corre o risco de perder: território, cultura, natureza e memória.

Críticas de Trump

A apresentação, no entanto, também gerou reação política. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, classificou o show como “uma afronta” e criticou o fato de o cantor se apresentar em espanhol.

“Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo”, afirmou, chamando o espetáculo de “terrível”.

As críticas não surpreenderam. Bad Bunny já havia se posicionado publicamente contra políticas migratórias defendidas por Trump e contra ações do serviço de imigração americano.

Cultura latina no centro do palco

Polêmicas à parte, o show reforçou o momento de protagonismo latino na cultura pop global. Em vez de adaptar seu discurso ao mainstream, Bad Bunny fez o caminho inverso: levou Porto Rico, o espanhol e as pautas sociais para o maior evento televisivo do mundo.

Mais do que entretenimento, o intervalo do Super Bowl virou palco de identidade e deixou claro que a música latina quer ser ouvida exatamente do jeito que é.

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