literatura

Alcione assina prefácio de livro que reúne histórias de mulheres da Mangueira

Lançamento em 7 de agosto, na quadra da Mangueira, traz 30 contos de 13 mulheres da comunidade, com prefácio da cantora Alcione e debate cultural.

Na Mira

- Atualizada em 05/10/2026 às 14h22
Alcione assina prefácio de livro que reúne histórias de mulheres da Mangueira.
Alcione assina prefácio de livro que reúne histórias de mulheres da Mangueira. (Reprodução)

As histórias de 13 mulheres do Morro da Mangueira ganharam espaço na literatura com “As Mangueirenses”, livro que reúne 30 contos baseados nas vivências das moradoras da comunidade. A obra tem entre seus prefácios um texto assinado pela cantora Alcione, uma das figuras ligadas à história da Estação Primeira de Mangueira.

Escrito por Yke Leon, o livro nasceu depois de dois meses de convivência do autor com as mulheres da comunidade. A partir dos encontros, ele recolheu relatos que deram origem a histórias marcadas por diferentes tons, passando pelo humor, pelas relações familiares e também por experiências dolorosas.

O lançamento será realizado nesta quarta-feira (7), às 19h, na quadra da Estação Primeira de Mangueira, no Rio de Janeiro. O evento terá sessão de autógrafos com as participantes e o autor, além da exibição do documentário “As Mangueirenses - O Documentário”, dirigido por Guilherme Quadrado.

Alcione destaca força das mangueirenses

No prefácio, Alcione descreve as mulheres da Mangueira como figuras que enfrentam dificuldades sem deixar de ocupar um papel central na vida da comunidade e das famílias.

“Falar das mulheres da Mangueira é falar de mulheres guerreiras e batalhadoras”, afirma a cantora. Para ela, essas mulheres formam um grupo especial por sua capacidade de enfrentar as dificuldades e seguir em frente.

Além de Alcione, o livro também conta com prefácio de Guanayra Firmino, presidenta da Estação Primeira de Mangueira.

Histórias que vão do humor à tragédia

Entre os 30 contos reunidos na obra estão histórias curiosas e outras marcadas por situações trágicas. Um dos relatos conta a experiência de uma mulher que saiu de casa com um nome e retornou registrada com outro na certidão de nascimento.

Outro conto acompanha a história de uma mãe mangueirense que perdeu a filha durante um desfile da escola de samba na Sapucaí.

Para Yke Leon, o processo de convivência com as mulheres revelou uma quantidade de histórias muito maior do que ele esperava encontrar.

“Comecei este projeto acreditando que meu grande desafio era extrair dessas mulheres as histórias que elas não contavam para ninguém. Ledo engano. Bastou uma tarde para perceber que cada encontro seria uma fonte inesgotável de narrativas”, conta o escritor e coordenador editorial.

Segundo ele, o material reunido poderia render ainda outros volumes. “Poderíamos escrever uns três volumes de ‘As Mangueirenses’. Mérito delas. Este livro é só o nosso primeiro passo”, afirma.

Da página policial para a página de cultura

Para Kely Louzada, fundadora e coordenadora geral da Associação Meninas e Mulheres do Morro (AMMM), responsável pelo projeto, a publicação também representa uma mudança na forma como a comunidade é retratada.

“Estamos cansados de só aparecer nas páginas policiais! Nós queremos mostrar que também podemos estar nas páginas de cultura”, afirma.

Fundada em 1995, a AMMM atua no Morro da Mangueira, na área do Parque Candelária, com projetos voltados para educação, cultura, cidadania e empoderamento feminino. O livro foi desenvolvido em parceria com a Editora Albatroz e recebeu apoio do edital de Produção Literária da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa do Rio de Janeiro (SECEC-RJ).

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