Buchecha revela lado “tranquilo” longe dos palcos e fala sobre Claudinho, funk e família
Buchecha detalha aos 52 anos sua vida em família, a paixão por animes, o novo álbum e como mantém vivo o legado musical de Claudinho até hoje.
BRASIL - Quem vê Buchecha no palco, cercado de música, dança e energia, talvez imagine que aquela seja a personalidade dele o tempo todo. Mas, quando as luzes se apagam, o cantor de 52 anos prefere uma rotina bem mais tranquila: família, pipoca e anime.
Em entrevista à revista Quem, Buchecha falou sobre o novo álbum, as três décadas de carreira, as transformações do funk e a relação com os filhos. Pai de Cee Jay, de 27 anos, e Giulie, de 21, ele contou que o filho mais velho, inclusive, participa do novo trabalho. Casado com Rosana Souza desde a adolescência, o artista também revelou um lado que pode surpreender quem está acostumado com sua presença nos palcos.
“Fora do palco sou um cara tranquilo, fico em casa com a família, comendo uma pipoca, assistindo a uma série”, contou à Quem.
E se tem uma coisa que aproxima o Buchecha de seu filho Cee Jay é o gosto por anime. O cantor contou que começou a acompanhar as produções por influência do filho e acabou virando fã de “Naruto” e “Dragon Ball Z”.
“Me sinto mais um adolescente, assistindo séries e comendo pipoca dentro de casa”, brincou.
Um novo álbum depois de mais de uma década
Buchecha passou mais de dez anos sem lançar um álbum completo. Nesse intervalo, preferiu lançar singles de forma pontual, mas decidiu voltar ao formato justamente em um momento que considera especial para o funk.
Segundo o cantor, o movimento de valorização do funk retrô pesou na decisão. A proposta do novo trabalho é revisitar a sonoridade do funk melody, mas também trazer artistas de diferentes gerações para renovar essas referências.
“Fico muito reticente sobre o que vou lançar, qual vai ser o próximo trabalho”, explicou. Para ele, as colaborações ajudam a dar “frescor” ao álbum e justificam a reunião das músicas em um novo projeto.
A intenção, segundo Buchecha, é defender novamente o funk melody com uma pegada que remeta à fase de “Claudinho & Buchecha do Velho Testamento”, mas sem transformar o disco em uma simples viagem ao passado.
Buchecha ainda vê espaço para o funk crescer
Com mais de 30 anos de carreira, o cantor acompanhou diferentes fases do gênero e acredita que o funk ainda tem espaço para conquistar novos públicos e territórios.
“O funk ainda não alcançou o lugar que pode alcançar, ainda tem um caminho”, afirmou à Quem. Para ele, projetos novos e conexões entre artistas são importantes para manter esse movimento em expansão.
Buchecha também percebe mudanças nas letras ao longo das décadas. Ele lembra que o funk dos anos 1990 tinha forte presença do melody, enquanto atualmente as músicas de teor mais picante ganharam maior espaço.
Mesmo assim, o cantor não pretende abandonar sua identidade para acompanhar tendências. Em vez disso, prefere convidar artistas que dominam outras vertentes do gênero.
“Mesmo que eu quisesse fazer um funk muito moderno, talvez ficasse caricato e eu não conseguiria transmitir minha mensagem da maneira como gostaria”, explicou.
Claudinho continua presente
Falar da trajetória de Buchecha também significa falar de Claudinho. Os dois começaram juntos ainda adolescentes e transformaram “Claudinho & Buchecha” em um dos nomes mais marcantes do funk brasileiro.
Na entrevista à Quem, Buchecha relembrou como a dupla conseguiu ultrapassar a barreira que ainda separava o funk de outros gêneros e públicos. Entre as inovações, ele destaca o fato de terem sido pioneiros ao levar uma banda para os palcos, além do DJ.
O sucesso fez com que músicas da dupla fossem regravadas por nomes como Paralamas do Sucesso, Adriana Calcanhotto e Kid Abelha.
Mas a lembrança de Claudinho não está apenas na história profissional. Ela aparece sempre que Buchecha canta as músicas que os dois construíram juntos.
“Não perdi apenas um colega de profissão - isso é muito mais fácil de substituir -, perdi um irmão de alma e esse lugar é insubstituível”, afirmou.
Ele contou que “Fico Assim Sem Você”, uma das canções mais conhecidas da dupla, inevitavelmente o leva de volta aos primeiros anos da parceria e ao último evento que fizeram juntos.
“Ele está presente no álbum porque está presente no meu coração o tempo todo”, declarou.
“Nosso Sonho” apresentou a dupla a uma nova geração
A história de Claudinho & Buchecha ganhou ainda outro capítulo com “Nosso Sonho”, filme lançado em 2023 que retrata a trajetória dos dois.
Para Buchecha, o longa ajudou a aproximar uma nova geração da história da dupla e também deu novo fôlego à sua própria carreira. Ele conta que ficou especialmente feliz ao perceber que jovens que não conheciam Claudinho passaram a descobrir o repertório dos dois.
Segundo o cantor, apesar das licenças poéticas utilizadas pelo filme, a produção tratou a história da dupla com respeito.
Para Buchecha, riqueza é outra coisa
Aos 52 anos e com três décadas de carreira, Buchecha também falou sobre dinheiro e deixou claro que não se identifica com a cultura da ostentação.
O cantor contou que nunca teve como objetivo possuir carros de luxo ou exibir bens. Para ele, prosperidade está muito mais relacionada à possibilidade de cuidar da família e proporcionar boas condições de vida aos filhos.
“Se eu puder abençoá-los, ajudar de alguma forma... Acho que prosperidade para mim é isso”, afirmou.
Ter uma casa confortável, comer bem, viajar nas férias e poder oferecer aos filhos a possibilidade de cursar a faculdade que quiserem são, para Buchecha, sinais muito mais concretos de uma vida bem-sucedida.
“Considero isso riqueza, prosperidade”, resumiu.
Sobre a ostentação presente em parte do funk atual, o cantor não vê necessariamente um problema. Para ele, cada artista e cada público pode se identificar com diferentes formas de viver e se expressar.
E qual é o maior funk de todos os tempos?
Quando questionado pela Quem sobre qual seria o maior funk de todos os tempos, Buchecha preferiu não escolher uma música própria. A resposta veio com um clássico que, segundo ele, consegue falar com públicos diferentes: “Rap da Felicidade”.
A escolha tem a ver justamente com a mensagem que atravessou gerações. Para o cantor, o desejo expresso na música de ser feliz e viver tranquilamente pode alcançar pessoas independentemente da classe social.
“Esse é o objetivo de por que cada um de nós estamos aqui, vivos, respirando: achar um norte para ser feliz”, afirmou.
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