Julia Lemmertz fala sobre arte e política ao ser homenageada no Festival de Brasília
Julia Lemmertz é homenageada no 59º Festival de Brasília e reflete sobre como a arte e a política se conectam em sua nova peça, Alta Sociedade.
BRASIL - A atriz Julia Lemmertz foi homenageada nessa sexta-feira (11) com o Troféu Candango de Conjunto da Obra, durante a abertura do 59º Festival de Brasília do Cinema Brasileiro. Com uma carreira que atravessa televisão, cinema e teatro, a atriz aproveitou a ocasião para refletir sobre a relação entre arte e política e o papel da produção cultural diante dos acontecimentos do país.
Em entrevista ao Metrópoles, Julia falou sobre “Alta Sociedade”, espetáculo que combina comédia e política ao abordar temas como corrupção, privilégios e desigualdade. Para a atriz, transformar questões difíceis em humor pode abrir espaço para uma reflexão menos carregada.
“Se a gente consegue rir disso, de alguma forma a gente relaxa e consegue refletir com mais amorosidade sobre o nosso momento político”, afirmou.
Para Julia, política também está nas relações do cotidiano
A atriz também questionou a ideia de que política deve ser associada somente a escândalos, corrupção ou aos problemas institucionais do país. Para ela, o conceito está presente nas relações entre as pessoas e na maneira como diferentes interesses são colocados em convivência.
“A vida, a arte, o relacionamento entre as pessoas, tudo é política”, declarou ao Metrópoles.
Julia defendeu ainda que a política envolve tanto a expressão das próprias questões quanto a disposição para ouvir o outro e considerar as necessidades coletivas. Nesse sentido, a participação social não estaria restrita ao momento das eleições, mas também à forma como as pessoas acompanham e compreendem as decisões que interferem na vida em sociedade.
Para a atriz, o interesse pelo assunto é importante justamente para que o eleitor faça escolhas mais conscientes.
“Eu acho importante que as pessoas se interessem por política pra gente não chegar no momento que a gente chegou, que a gente vota em qualquer pessoa e depois não tem como reclamar porque votou nas pessoas erradas”, afirmou.
Peça revisita crítica à alta sociedade
Em “Alta Sociedade”, Julia divide o palco com outro ator em uma história escrita por Mauro Rasi no início dos anos 2000. A peça acompanha integrantes da elite que se preparam para deixar o país depois de um golpe e diante da possibilidade de serem procurados pela Polícia Federal.
A montagem original teve Fernanda Montenegro e Ítalo Rossi no elenco. Na nova versão, o texto mantém o humor como ferramenta para tratar de poder, privilégios e comportamento das classes mais abastadas.
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