CINEBIOGRAFIA

“Viva Marília” leva a história de Marília Pêra aos cinemas contada pela própria atriz

O documentário Viva Marília revisita os 50 anos de carreira de Marília Pêra com vídeos e entrevistas inéditos da própria atriz nos cinemas.

Na Mira

- Atualizada em 10/09/2026 às 14h29
“Viva Marília” leva a história de Marília Pêra aos cinemas contada pela própria atriz.
“Viva Marília” leva a história de Marília Pêra aos cinemas contada pela própria atriz. (Divulgação)

BRASIL - Quem melhor para contar a história de Marília Pêra do que a própria Marília Pêra? É a partir dessa ideia que “Viva Marília” chega aos cinemas brasileiros nesta quinta-feira (10), cinco anos depois da morte da atriz, que construiu uma das trajetórias mais marcantes da dramaturgia nacional.

Dirigido por Zelito Viana, o documentário revisita mais de 50 anos de carreira por meio de um vasto acervo de entrevistas, fotografias e vídeos pessoais, além de registros de algumas das mais de 100 obras em que Marília atuou. Em vez de reconstruir sua trajetória apenas a partir de depoimentos de outras pessoas, o filme deixa que a própria atriz conduza a narrativa.

O resultado é um retrato íntimo de uma artista que transitou pelo teatro, cinema e televisão e construiu uma carreira marcada pela versatilidade. Também é uma oportunidade de reencontrar Marília em registros que mostram não apenas a profissional consagrada, mas a mulher por trás dos personagens.

Marília Pêra nasceu no teatro

A relação de Marília com os palcos começou praticamente junto com sua vida. Filha de um ator português e neta de uma atriz italiana, ela nasceu em uma família de imigrantes europeus ligados ao teatro.

Marília subiu ao palco pela primeira vez quando tinha apenas 19 dias de vida. Aos quatro anos, já estreava profissionalmente como atriz na companhia da francesa Henriette Morineau.

A convivência com o teatro desde a infância fez com que a atriz desenvolvesse uma relação de profundo compromisso com a profissão. No documentário, ela resume essa formação em uma frase que ajuda a explicar a importância dos palcos em sua trajetória.

“Com quatro anos, eu aprendi que profissionalismo é dar a vida ao teatro”, afirma Marília em um dos trechos resgatados pelo filme.

De Elis Regina a Carmem Miranda

Ao longo da carreira, Marília Pêra passou por diferentes fases e personagens. Em “Viva Marília”, ela relembra episódios que ajudam a dimensionar a amplitude de sua trajetória.

Um deles aconteceu ainda no início da carreira, quando disputou com Elis Regina uma audiência para a montagem do musical “Como Vencer na Vida sem Fazer Força”. Na época, as duas ainda eram desconhecidas do grande público.

Marília também fala sobre as diversas vezes em que interpretou Carmem Miranda nos palcos, personagem que se tornou um dos grandes marcos de sua carreira.

No cinema, a relação foi mais breve, segundo a própria atriz, mas deixou trabalhos importantes. Entre eles está “Pixote, a Lei do Mais Fraco”, de 1980, filme de Hector Babenco que teve reconhecimento internacional e no qual Marília ganhou destaque pela atuação.

Mais do que reunir uma sequência de trabalhos e prêmios, o documentário mostra uma artista consciente das diferentes faces de sua profissão. Marília fala sobre fama, beleza, desejo de reconhecimento e também sobre as contradições que acompanham a vida artística.

“Eu gosto de ser atriz porque me dá a possibilidade de ser contraditória, louca e rica”, diz.

A atriz por trás dos personagens

A vida pessoal também encontra espaço no documentário, mas sem transformar a narrativa em um relato melodramático. A maternidade, por exemplo, aparece de maneira breve e afetuosa.

Mãe de três filhos, Marília resume a relação entre as diferentes partes de sua vida em outra declaração presente no filme.

“Tudo é uma coisa só: eu atriz, eu pessoa, eu mãe.”

Dois de seus filhos, Ricardo Graça Mello e Esperança Motta, são os únicos a participar do documentário com depoimentos além da própria Marília. Esperança, filha mais velha do casal formado por Marília e o jornalista Nelson Motta, também é creditada como codiretora.

Nelson Motta, que foi o quarto marido da atriz, assina o roteiro da produção.

Assim, “Viva Marília” não tenta apenas recuperar a trajetória de uma das grandes atrizes brasileiras. Ao colocar a própria Marília como principal voz da narrativa, o documentário preserva algo especialmente valioso para quem acompanha sua obra: a possibilidade de ouvir a artista falar sobre si, sobre o ofício e sobre a vida que construiu dentro e fora dos palcos.

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