ESTREIA

'Quinze Dias' leva romance LGBTQIA+ e discussão sobre gordofobia aos cinemas

Adaptação do livro de Vitor Martins estreia nesta quinta-feira (18) e aposta em uma história de amor sem abrir mão de temas como preconceito, autoestima e aceitação.

Na Mira

'Quinze Dias' leva romance LGBTQIA+ e discussão sobre gordofobia aos cinemas.
'Quinze Dias' leva romance LGBTQIA+ e discussão sobre gordofobia aos cinemas. (Reprodução)

BRASIL - O romance adolescente Quinze Dias, baseado no livro homônimo de Vitor Martins, chega aos cinemas nesta quinta-feira (18) trazendo para as telas uma história sobre amor, amizade e autodescoberta. Dirigido por Daniel Lieff, o longa adapta a obra lançada em 2017, que já vendeu cerca de 100 mil exemplares e conquistou uma legião de leitores.

A trama acompanha Felipe, um adolescente que sonha em passar as férias longe da escola e dos comentários preconceituosos que enfrenta diariamente por causa de sua orientação sexual e de seu corpo. Os planos, porém, mudam quando sua mãe decide hospedar Caio, filho dos vizinhos, durante alguns dias.

O que começa com resistência logo se transforma em uma aproximação inesperada, dando início a uma história de amor marcada pela leveza, mas também por reflexões importantes sobre preconceito e pertencimento.

Adaptação buscou preservar a essência do livro

Segundo Daniel Lieff, um dos principais desafios foi adaptar uma obra que ocupa um lugar especial na memória afetiva de muitos leitores.

"O livro se passa muito dentro da cabeça do Felipe e em primeira pessoa. Mas não queria um filme com narrações intermináveis", explicou o diretor.

Entre as mudanças realizadas para o cinema está uma cena inédita, ausente na obra original, em que os protagonistas enfrentam agressores homofóbicos antes de fugir em um veículo da famosa Carreta Furacão. A sequência mistura humor e fantasia, reforçando o tom leve da produção.

Gordofobia também faz parte da narrativa

Interpretado por Miguel Lallo, Felipe também enfrenta a gordofobia, tema que atravessa toda a história.

O ator revelou que utilizou experiências pessoais para construir o personagem e contou que também foi alvo de ataques nas redes sociais após a divulgação do trailer.

"Eu me surpreendi. A gente sabe que gordofobia e preconceitos existem, mas não imaginava que era um ódio tão grande", afirmou.

No filme, a terapia aparece como um importante espaço de acolhimento para o protagonista, que utiliza as sessões para lidar com inseguranças, traumas e os desafios da adolescência.

Romance sem abrir mão da realidade

Vivido por Diego Lira, Caio surge inicialmente como alguém distante, mas aos poucos revela uma personalidade sensível e afetuosa.

Para o ator, a produção evita romantizar excessivamente a realidade enfrentada por jovens LGBTQIA+, sem deixar de lado a esperança.

"A gente coloca as cartas na mesa e mostra o que realmente acontece. Não vai ser um mar de rosas, porque não é assim que acontece", afirmou.

A mesma visão é compartilhada por Débora Falabella, que interpreta a mãe de Felipe.

"Não é porque o filme é leve que ele não seja profundo", destacou.

Histórias LGBTQIA+ com finais felizes

Nos últimos anos, produções como Carol, Love, Simon e Heartstopper ajudaram a transformar a forma como romances LGBTQIA+ são retratados no audiovisual, deixando de lado a ideia de que essas histórias precisam necessariamente terminar em tragédia.

Para Vitor Martins, essa também foi uma das motivações ao escrever Quinze Dias.

"Quero dar aos meus gayzinhos os finais felizes que eles merecem", afirmou o autor.

Com humor, romance e discussões atuais, o longa chega aos cinemas reforçando uma tendência cada vez mais presente no entretenimento: contar histórias LGBTQIA+ que reconhecem os desafios do preconceito, mas sem abrir mão da possibilidade de felicidade.

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