BRASIL - A frase parece saída de um romance do século XIX: “Perpassa em altivez, pela procela, a grandiloquência condoreira, em cuja máxima aforismática revela a tétrica languidez do sofrer recôndito.” Mas, na prática, foi o início de uma redação que terminou com nota zero e, logo depois, viralizou nas redes sociais.
O autor do texto é o estudante Luis Henrique Etechebere Bessa, de 18 anos, que prestava vestibular para Direito pela Universidade de São Paulo. Após ser desclassificado, ele decidiu acionar a Justiça para entender os critérios que levaram à anulação da redação.
Do vestibular ao tribunal (e aos memes)
Nas redes sociais, o próprio estudante afirmou que recebeu apenas um retorno genérico sobre a correção. Inconformado, entrou com um pedido judicial para obter uma justificativa mais detalhada.
“Não tive acesso a orientações concretas sobre os aspectos que devem ser aprimorados”, escreveu.
O caso rapidamente ultrapassou o campo educacional e ganhou proporções virais, principalmente no X, onde usuários passaram a comentar, criticar e, claro, transformar a situação em meme.
Apelidado de “o candidato de Machado de Assis”, o estudante virou símbolo de um debate que mistura humor e crítica: afinal, escrever difícil é o mesmo que escrever bem?
Entre críticas e ironias
Se por um lado alguns internautas defenderam o uso de um vocabulário mais sofisticado, a maioria das reações seguiu um tom irônico.
Entre os comentários, usuários apontaram que o texto, apesar das palavras complexas, não apresentava clareza nem desenvolvimento consistente de ideias, um dos critérios centrais em vestibulares como a Fuvest e o Enem.
Outros foram mais diretos: criticaram a estrutura, a argumentação e até a caligrafia do candidato. Em meio às análises, e aos exageros típicos da internet, surgiram também montagens, paródias e versões “traduzidas” da frase inicial, ampliando o alcance do caso. Veja alguns exemplos:
Justiça ainda não decidiu
Até o momento, não há decisão liminar sobre o pedido de reavaliação da redação. Enquanto isso, o caso segue repercutindo, tanto nos debates sobre critérios de correção quanto na criatividade dos memes que continuam circulando.
Entre críticas, ironias e discussões mais sérias, uma coisa é certa: a redação que valia uma vaga na universidade acabou garantindo outro tipo de destaque: o de fenômeno nas redes sociais.
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