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Belo Horizonte recebe exposição “Tecitura do feminino” da maranhense Marlene Barros

Exposição gratuita reúne 13 obras em crochê, bordado e escultura e propõe debate sobre corpo feminino, memória e resistência no Mês da Mulher.

Na Mira, com informações de assessoria

Atualizada em 03/03/2026 às 13h32
Marlene Barros expõe arte me tecitura no CCBB de Belo Horizonte. (Foto: Larissa Micenas)
Marlene Barros expõe arte me tecitura no CCBB de Belo Horizonte. (Foto: Larissa Micenas)

BELO HORIZONTE - O gesto de costurar, tradicionalmente associado ao espaço doméstico, vira denúncia e poesia na exposição “Tecitura do feminino”, da artista maranhense Marlene Barros, em cartaz no CCBB Belo Horizonte. A mostra abre ao público nesta quarta-feira (4), no Mês da Mulher, e ocupa as galerias do térreo com 13 trabalhos que usam linha, agulha e tecido para discutir o corpo feminino, a invisibilização histórica das mulheres e o lugar do fazer manual dentro da arte contemporânea.

Com entrada gratuita, a exposição segue até 1º de junho, de quarta a segunda, das 10h às 22h, e ainda conta com oficinas, visitas mediadas e atividades formativas que convidam o público a também bordar, costurar e criar dentro do espaço expositivo. Para acessar os ingressos, clique aqui.

Arte têxtil de Marlene como denúncia

Obra 'Caixa Preta'. (Foto: Larissa Micenas)
Obra 'Caixa Preta'. (Foto: Larissa Micenas)

Com curadoria de Betânia Pinheiro, a mostra transforma técnicas têxteis em linguagem crítica. Em vez de apresentar apenas obras, o percurso propõe uma experiência sensorial e política, resgatando saberes historicamente tratados como “artesanato” e reposicionando-os como forma de arte.

“Durante séculos, mãos femininas bordaram silêncios”, afirma Marlene. Para ela, cada ponto carrega histórias, afetos e feridas sociais. A artista nasceu em Bacurituba (MA) e atua há mais de quatro décadas na cena cultural do estado, articulando produção e formação por meio do Ateliê Marlene Barros e do Ponto de Cultura Coletivo ZBM.

Parte das obras nasceu de uma pesquisa iniciada durante seu mestrado na Universidade de Aveiro, em Portugal. A ideia de “costurar ruínas” de uma casa abandonada virou metáfora para o corpo feminino, um território marcado por memórias, violências e reconstruções.

Corpo, identidade e padrões impostos

Os trabalhos questionam a histórica ‘coisificação’ da mulher e os padrões estéticos que determinam valor e pertencimento. Entre os destaques estão:

Eu tenho a tua cara: 49 rostos femininos com olhos e bocas trocados, debatendo identidade e alteridade;

Caixa Preta: caixas com fotos, colagens e intervenções têxteis que funcionam como autorretrato expandido;

Coso porque está roto: casaco bordado com órgãos internos, transformando a costura em gesto de reparo simbólico;

Entre nós: instalação em crochê que revisita tarefas domésticas naturalizadas;

Quem pariu, que embale: crítica à sobrecarga feminina no cuidado com os filhos.

A montagem, coordenada por Fábio Nunes, não segue ordem cronológica, permitindo que cada visitante construa seu próprio caminho entre matéria, memória e afeto.

Participação do público

Além das obras, a programação inclui visita mediada com a artista e a curadora, palestra no Dia Internacional da Mulher e a oficina “Arpilleras de si”, conduzida por Maria Vasconcelos, que utiliza bordado e costura como ferramentas de elaboração de memórias e traumas. As atividades oferecem certificado e são abertas a pessoas de todos os gêneros.

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