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Do luxo ao descarte: o destino das fantasias de Carnaval em São Paulo e no Rio após a folia

Depois do espetáculo na avenida, peças são desmontadas, recicladas, vendidas ou doadas; reaproveitamento virou estratégia ambiental e financeira.

Na Mira

Do luxo ao descarte: o destino das fantasias de Carnaval em São Paulo e no Rio após a folia.
Do luxo ao descarte: o destino das fantasias de Carnaval em São Paulo e no Rio após a folia. (Foto: Divulgação)

BRASIL - Depois de meses de trabalho intenso nos barracões, plumas, pedrarias, esculturas gigantes e estruturas cenográficas que encantaram o público durante o Carnaval ganham um novo destino assim que os desfiles terminam. Nas escolas de samba do eixo Rio–São Paulo, o brilho que atravessa a Sambódromo da Marquês de Sapucaí e o Sambódromo do Anhembi rapidamente dá lugar a uma operação silenciosa de desmontagem e reaproveitamento.

Do barracão para a triagem

Assim que o Carnaval acaba, costureiras, aderecistas, ferreiros e diretores de harmonia retornam aos barracões para um trabalho menos glamouroso: desmontar fantasias e carros alegóricos peça por peça.

Plumas naturais, tecidos, estruturas metálicas, rodas, ferragens, madeira, fibra de vidro e LEDs são separados. O objetivo é salvar o máximo possível para os próximos desfiles.

Boa parte das fantasias não resiste inteira. Muitas são pensadas para durar apenas uma noite: coladas, grampeadas ou feitas com materiais leves para facilitar a evolução dos componentes. Depois do suor, da chuva e do empurra-empurra da avenida, o desgaste é inevitável.

O resultado é uma espécie de “cirurgia reversa”: o que pode ser reaproveitado volta para o estoque; o restante segue para reciclagem ou descarte.

Reuso virou regra, não exceção

Se antes muito material ia direto para o lixo, hoje a lógica mudou. O custo crescente para colocar uma escola na avenida fez do reaproveitamento uma estratégia financeira essencial.

Estruturas de ferro dos carros alegóricos, por exemplo, costumam ser reutilizadas ano após ano, com novas cenografias. Esculturas são reformadas, repintadas ou adaptadas para outros enredos. Tecidos viram forros, protótipos ou fantasias de alas menores.

Adereços também ganham nova vida em eventos fora do Carnaval, como apresentações culturais, projetos sociais, exposições e festas temáticas.

Venda e doação

Outra parte do acervo encontra destino fora das quadras. Fantasias inteiras ou peças específicas são vendidas para colecionadores, produtores de eventos, companhias de teatro, escolas e até turistas que buscam uma lembrança do Carnaval.

Há ainda doações para projetos comunitários e grupos culturais de bairros periféricos, que utilizam os materiais em festas populares, quadrilhas juninas e atividades educativas.

Essa circulação ajuda a manter viva a cadeia criativa do samba muito além dos desfiles oficiais.

O que não se salva

Mesmo com esforços de reaproveitamento, uma parcela inevitável acaba descartada. Espumas, plásticos frágeis, colas e materiais muito danificados não têm como voltar ao uso.

Nesses casos, cooperativas de reciclagem são acionadas para reduzir o impacto ambiental. Algumas escolas já adotam práticas mais sustentáveis, como substituir itens descartáveis por alternativas recicláveis ou reaproveitáveis desde a concepção do projeto.

Enquanto o público ainda comenta os campeões, nos barracões o próximo Carnaval já começou. O fim de um desfile marca, ao mesmo tempo, o início de outro.

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