MUNDO - Lavar o frango antes de levar à panela é um gesto automático em muitas cozinhas. Para algumas famílias, representa capricho e higiene; para outras, é tradição aprendida com mães e avós. Mas o que parece cuidado pode, na prática, aumentar o risco de doenças.
Especialistas em segurança alimentar alertam que enxaguar o frango cru na pia facilita a disseminação de bactérias invisíveis pela cozinha, contaminando superfícies, utensílios e até alimentos que serão consumidos crus.
Em reportagem recente, a BBC ouviu pesquisadores e acompanhou testes em laboratório que mostram por que a prática é considerada arriscada por autoridades sanitárias em diversos países.
Contaminação cruzada na cozinha
O frango cru pode abrigar microrganismos como Salmonella e Campylobacter, responsáveis por intoxicações alimentares. Ao entrar em contato com a água corrente, a carne libera pequenas gotículas que respingam ao redor da pia e é aí que mora o problema.
Esses respingos, quase imperceptíveis a olho nu, podem alcançar bancadas, tábuas, roupas, esponjas e outros alimentos.
Para demonstrar o efeito, o microbiologista de alimentos Kimon-Andreas Karatzas, da Universidade de Reading, no Reino Unido, realizou um experimento acompanhado pela BBC. Ele aplicou um produto químico que permitia visualizar as bactérias sob luz ultravioleta. Após poucos segundos lavando o frango, a contaminação já havia se espalhado por toda a área de preparo, inclusive sobre vegetais que seriam servidos crus.
Segundo o pesquisador, esse tipo de contaminação cruzada é uma das formas mais comuns de transmissão de doenças gastrointestinais dentro de casa.
Mesmo que o frango seja bem cozido depois, os microrganismos podem permanecer em outros alimentos que não passam pelo calor do fogão.
Bactérias perigosas e sintomas
Entre os agentes mais preocupantes está a Campylobacter, apontada pela Organização Mundial da Saúde como uma das principais causas de doenças diarreicas no mundo. A infecção pode provocar dor abdominal, febre, náusea, vômitos e diarreia, às vezes com sangue.
Crianças pequenas, idosos e pessoas com imunidade baixa são mais vulneráveis a complicações, e, em casos raros, o quadro pode evoluir para problemas mais sérios.
O risco é potencializado porque a quantidade necessária para causar infecção é mínima: uma única gota contaminada já pode ser suficiente.
Tradição cultural ainda sustenta o hábito
Apesar dos alertas, lavar o frango segue sendo comum em várias regiões da Ásia, Caribe, América Latina, África e até em comunidades mediterrâneas. Em muitos lares, o costume está associado à ideia de limpeza e cuidado com a comida.
Chefs ouvidos pela BBC relatam que cresceram vendo o frango ser lavado com limão, vinagre ou sal, métodos que passam a sensação de higienização. A ciência, porém, indica que essas técnicas não eliminam as bactérias de forma confiável.
Nos países ocidentais, o frango vendido em supermercados já passa por processos de inspeção e limpeza industrial, o que torna a lavagem doméstica desnecessária.
Como reduzir os riscos no preparo
A recomendação dos especialistas é simples: evitar lavar o frango cru e apostar no cozimento completo como principal forma de eliminar microrganismos. Manter mãos, tábuas e superfícies bem higienizadas após o manuseio da carne também ajuda a prevenir contaminações.
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