POLÍTICA

Bolsonaro acompanha eleição argentina, mas sem envolvimento

Chapa composta por Alberto Fernández e Cristina Kirchner, candidatos de esquerda e de opiniões contrárias às de Bolsonaro, deve ser eleita, em primeiro turno no dia 27 de outubro.
IMIRANTE.COM, COM INFORMAÇÕES DA AGÊNCIA BRASIL12/08/2019 às 20h43
Bolsonaro acompanha eleição argentina, mas sem envolvimentoBolsonaro está preocupado com um possível retorno de Cristina Kirchner ao poder do país vizinho (Foto: Reprodução)

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro está preocupado com o resultado das eleições primárias na Argentina, mas não pretende se envolver diretamente no pleito. Em entrevista a jornalistas, o porta-voz da presidência, Otávio do Rêgo Barros, afirmou que Bolsonaro não faz campanha em outro país. “O presidente não faz campanha em outro país. Ele faz campanha no nosso país. Não obstante, ele pode expor sua opinião em relação a fatos que venham a impactar o Brasil”.

Ontem (11) os argentinos foram às urnas para as eleições primárias, que servem para definir os partidos e candidatos habilitados a participar das eleições gerais. A chapa de oposição à Presidência da Argentina, composta por Alberto Fernández e Cristina Kirchner como vice, venceu obteve 47% dos votos, enquanto o atual presidente, Mauricio Macri, candidato à reeleição, obteve 32%. A vantagem é suficiente para que Alberto Fernández e Cristina Kirchner sejam eleitos, em primeiro turno, no dia 27 de outubro

Hoje (12), em evento no Rio Grande do Sul, o presidente disse que uma eventual vitória de Fernández pode fazer o estado se tornar “uma nova Roraima”, em alusão ao estado do Norte do país que tem recebido milhares de venezuelanos todo mês, fugindo da crise econômica no país vizinho. “Dentro desse contexto, ele está expressando sua opinião pessoal e, por óbvio, a opinião, institucional como presidente, sobre o que ele pensa do que melhor seria para o nosso país”, disse o porta-voz da Presidência.

Segundo Rêgo Barros, Bolsonaro está preocupado com um possível retorno do chamado “Kirchnerismo” ao país vizinho. Para ele, a volta de um presidente de esquerda pode reduzir a integração entre os dois países e ir contra a liberdade comercial pregada tanto por Macri quanto por Bolsonaro. Além disso, o presidente vê a possibilidade de retrocessos no acordo firmado entre Mercosul e União Europeia.

O presidente, no entanto, não deixará de dialogar com uma eventual Argentina de Fernández e Kirchner. “É parte da nossa diplomacia o estabelecimento de diálogo com todos os nossos países-irmãos e, naturalmente, será com a Argentina em uma eventual vitória do adversário do presidente Macri”, finalizou o porta-voz.

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