Sequestro

Sequestro em hotel: ex-secretário municipal se entrega à polícia

O homem amarrou um colete,com explosivos, e ameaçava detoná-los.
Agência Brasil29/09/2014 às 15h56

BRASÍLIA - Após quase sete horas, refém é liberado em hotel de Brasília. Polícia já ocupa apartamento em que funcionário de um hotel, no centro de Brasília, era feito refém. A ação aconteceu no décimo terceiro andar do prédio desde o início da manhã desta segunda-feira (29). O homem amarrou um colete, supostamente com explosivos, no refém e ameaçava detoná-los. Agentes do esquadrão antibomba da Polícia Civil do Distrito Federal foram ao local tentar negociar com o homem e informaram que já tem a identificação dele.

O sequestrador

Antes de deixar Combinado, no Tocantins, no último fim de semana, o homem que desde o começo da manhã desta segunda-feira (29) mantinha refém um funcionário de um hotel no centro de Brasília, teria dito a uma pessoa próxima que viajaria para a capital federal, onde ficaria famoso.

Ex-secretário municipal de Agricultura e candidato a vereador derrotado em 2008, o agricultor Jac Souza dos Santos, de 30 anos, também deixou três cartas, uma delas endereçada à própria mãe. Para se afastar das responsabilidades no comitê municipal de um candidato ao governo do estado, Santos alegou ao coordenador municipal da campanha, Maurílio Martins de Araújo, que viria a Brasília resolver um problema familiar e que estaria de volta ainda hoje.

Ainda não se sabe exatamente quando Santos chegou a Brasília. O que se sabe é que, por volta das 8h30 de hoje (29), ele se hospedou no Hotel Saint Peter e começou a executar o que, ao que tudo indica, já tinha em mente quando deixou Combinado. O agricultor subiu ao 13º andar do hotel, bateu na porta dos apartamentos mandando que as pessoas deixassem o prédio, alegando que se tratava de uma ação terrorista. A essa altura, Santos tinha feito um funcionário refém.

Além de manter o trabalhador parte do tempo sob a mira de um revólver, Santos algemou e amarrou no refém um colete que a Polícia Civil confirma conter material explosivo. De tempos em tempos, os dois surgiam na sacada do quarto e Santos gesticulava muito, com a arma na mão.

“Nem imagino o que pode ter acontecido. Esse menino é nascido e criado aqui na cidade e é muito gente boa”, contou Araújo à Agência Brasil. Ex-vereador de Combinado, ex-presidente da Câmara Municipal entre 2004 e 2008, Araújo conhece Souza desde antes de este assumir a Secretaria Municipal de Agricultura na gestão anterior (2009-2012). Embora o agricultor continue envolvido com a política local, Araújo afirma que ele nunca disse nada que levasse alguém a desconfiar do que ele tramava.

“Esse menino trabalha comigo e com outras 20 pessoas aqui no comitê. É nascido e criado aqui em Combinado e é muito gente boa. Sábado [27] à noite, ele esteve em minha casa e disse que tinha que ir a Brasília para resolver uma questão com a ex-mulher, com quem tem uma filha, mas disse que voltaria na segunda. Hoje, depois de ligar para ele duas ou três vezes, liguei a TV e vi essa desgraça”, acrescentou Araújo.

“Só agora eu soube que, antes de passar pela minha casa, ele já tinha dito a minha irmã que ia para Brasília, que ia ficar famoso e que iríamos ouvir falar muito dele. E que ele deixou as cartas. Uma para a mãe, outra para mim, detalhando as contas do comitê que têm que ser pagas”, detalhou Araújo.

O delegado da Polícia Civil Paulo Henrique Almeida confirmou a existência das cartas. A julgar pelo conteúdo da mensagem que o agricultor enviou à própria mãe, Almeida teme a possibilidade de Santos tentar o suicídio. “É uma carta de despedida, meio desesperada, e na qual ele pede desculpas para todos os familiares por algum ato que venha a cometer”. Ainda de acordo com o delegado, Santos prometia explodir a bomba presa ao funcionário do hotel, caso suas exigências não fossem atendidas até as 18h. Entre elas, a extradição do ativista italiano Cesare Battisti e a efetiva aplicação da Lei da Ficha Limpa.

Por causa das ameaças de Santos, o hotel foi evacuado e a área ao redor, isolada. Atiradores de elite foram posicionados nos prédios vizinhos. Policiais federais e agentes da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) acompanharam a situação. Eles afirmaram durante a ação de Jac Souza que: "Pretendemos é que ele se entregue, mas ele não demonstra nenhum sinal de que vá fazer isso. Se a autoridade policial entender que há risco iminente para o refém, há, sim, a possibilidade de uma intervenção", disse o delegado, explicando que nenhum dos parentes de Santos está no local.

No entanto, não foi necessária a intevenção policial, pois o sequestrador liberou o refém, por volta das 16h e se entregou à polícia.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante no Twitter, Instagram, curta nossa página no Facebook e se inscreva no nosso canal no Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do WhatsApp pelo telefone (98) 99209-2383.

© 2019 - Todos os direitos reservados.