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Barracas do comércio informal são retiradas da Rua da Alfândega

Elas foram levadas para a praça em frente à Casa do Maranhão, e com a mudança, muitos vendedores estão se sentindo prejudicados
Kethlen Mata/ O Estado07/09/2021
Barracas do comércio informal são retiradas da Rua da AlfândegaBarracas ficaram danificadas com o traslado da Rua da Alfândega para a Praia Grande; espaço onde estão ainda não seria o definitivo (Paulo Soares / O Estado)

São Luís – Vinte e oito barracas que antes ficavam localizadas na Rua da Alfândega, foram realocadas para a praça em frente ao Museu Casa do Maranhão. De acordo com a Secretaria Municipal de Urbanismo e Habitação (Semurh), os donos das barracas serão remanejados para um espaço definitivo, também localizado no Centro Histórico, planejado e padronizado para a atuação do segmento. A ação faz parte das intervenções do programa “Centro Acessível”, desenvolvido pela Prefeitura de São Luís por meio da Secretaria Municipal de Inovação, Sustentabilidade e Projetos Especiais (Semispe).

“A Blitz Urbana ressalta que tem mapeado e buscado organizar o espaço público em toda a cidade, em parceria com as demais secretarias municipais e órgãos atuantes na temática”, frisou trecho da nota enviada pela Prefeitura de São Luís.

Antes da retirada das barracas de venda de artesanato, comida e bebida, houve uma reunião com a associação de vendedores – que já existe há mais de 30 anos – e foi acordado que as bancas seriam colocadas em um local adequado para que as atividades tenham continuidade, além da instalação de energia elétrica. No entanto, algumas pessoas têm se sentido prejudicadas pela ação.

Insegurança e abandono
Se antes eram 28, agora são 27 barracas, pois uma delas quebrou no caminho para a praça. Logo após a mudança das barracas para a praça do Museu Casa do Maranhão, as atividades no local ficaram paralisadas por vários motivos relatados pelos vendedores. Segundo Cleonice da Silva, que há 30 anos trabalha com artesanato – cinco deles, na sua barraca, na Rua da Alfândega – de início a ideia não agradou muito.

“Mas disseram que vão ocupar aquela calçada [da Rua da Alfândega], vão colocar uns bancos, tudo bem… Mas o que aconteceu? Eles tiraram essas bancas e jogaram a gente aqui, disseram que nos colocariam num lugar onde teríamos um depósito e banheiro, serraram as barracas, que estavam todas juntas”, contou a artesã.

Ela sai todos os dias de sua casa e vai até o espaço para verificar o estado do seu ponto, e seu marido, Alan Wagner, que é serralheiro, cuida dos reparos em sua barraca, e na de algumas amigas que não conseguem pagar pelo conserto.

“O pessoal que precisava com mais urgência ganhar um dinheirinho, ainda mais agora com o feriado, foi para onde as bancas estavam, e colocaram mesas. Saíram arrastando as bancas e depois cortaram, e, como eu havia dito, porque eu sou serralheiro e eu sei, se cortassem essas bancas elas não funcionam mais, e quando chegou à noite os vagabundos vieram e tiraram os ferros”, disparou Alan Wagner, que realizava reparos na barraca da sua esposa.

Prejuízo
Antes da ida de outras pessoas para a praça do Museu Casa do Maranhão, apenas uma barraca ficava neste ponto, a da Jô. E para ela, a situação também não é das melhores. “A luz dos postes não ilumina a banca, então estou indo embora cedo, não fiquei na sexta-feira, não fiquei ontem, estou com medo… Então quando dá 18h ficava parecendo uma favela de barracas”, disse.

Nesta segunda-feira, 6, O Estado esteve no local e percebeu o caos. Muitas delas estão sem a cobertura de lona, outras parecem destruídas ou com a fiação danificada, pedaços de ferro pelo chão, além da presença de pessoas em situação de rua, que agora se abrigam nas bancas.


SAIBA MAIS


Programa Centro Acessível
Na sua primeira fase, que se iniciou em abril deste ano, o “Programa Centro Acessível”, os operários trabalharam no limite do estacionamento da Praia Grande e, também, na Travessa Boa Ventura, de onde foi retirada a camada de asfalto existente, que será substituída por paralelepípedo. Além disso, no local também será realizado o alargamento das calçadas e o consequente estreitamento da rua, sem comprometer o tráfego de veículos na região.

O trabalho também já está acontecendo nas ruas da Estrela e Portugal e Ladeira do Comércio, localizada atrás do Centro de Criatividade Odylo Costa Filho, onde está sendo feita a troca do piso da calçada e a implantação do piso tátil, importante para a mobilidade das pessoas com deficiência visual ou baixa visão. Para a segurança completa do pedestre, todo esse serviço já em execução vai se somar às passagens elevadas que estão sendo construídas em todos os pontos, dentro do trecho viário.

O que é acessibilidade?
Acessibilidade é a possibilidade de acessar um lugar, serviço, produto ou informação de maneira segura e autônoma, sem nenhum tipo de barreira, beneficiando a todas as pessoas, com ou sem deficiência, em todas as fases da vida. A acessibilidade permite oferecer a todos os diferentes oportunidades iguais, independentemente de sua capacidade ou circunstâncias.

Tão desagradável como não poder receber um cadeirante em um prédio por falta de instalações acessíveis, é não ter acesso a um site da web para pessoas com deficiência visual.

NÚMEROS

  • 28 barracas funcionavam na Rua da Alfândega
  • 27 barracas permanecem na praça em frente ao Museu Casa do Maranhão, porque uma foi destruída no remanejamento

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