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Nível de estresse de Millennials e Geração Z no Brasil cai na pandemia, aponta estudo

Jovens brasileiros relatam preocupações com emprego, finanças, segurança pessoal e meio ambiente;
22/11/2020 às 00h00
Nível de estresse de Millennials e Geração Z no Brasil cai na pandemia, aponta estudoMenos de 30% dos millennials agora esperam mudar de emprego nos próximos dois anos (Divulgação)

São Paulo - A pandemia de Covid-19 tem causado diversos impactos e mudanças severas em todo o mundo, afetando pessoas de todas as gerações. Na 9ª edição de seu estudo anual Millennial Survey, a Deloitte, maior organização de serviços profissionais do mundo, buscou entender o comportamento da geração do milênio - os chamados Millennials - e da Geração Z antes e durante a pandemia. O levantamento contou com a participação de 18,4 mil entrevistados de 43 países, sendo 1.013 do Brasil. Houve uma pesquisa primária em dezembro de 2019 e uma pesquisa de pulso, em maio de 2020, para complementar as conclusões originais da pesquisa após o início da pandemia. O relatório considera as pessoas nascidas entre 1983 e 1994 como Millennials e aqueles que nasceram entre 1995 e 2003 como Geração Z.

O estudo revela como as pessoas brasileiras de ambas as gerações lidaram com a ansiedade e com o estresse em um ano tão incomum como 2020. De acordo com o levantamento, no final de 2019, 57% dos Millennials brasileiros e 63% da Geração Z estavam estressados a maior parte do tempo; esses níveis caíram para 52% e 57%, respectivamente, após o início da pandemia. Isso se deu devido ao trabalho remoto e às interações familiares, que aumentaram. A principal causa de estresse tanto para os Millennials quanto para a Geração Z, no último ano, era o bem-estar da família (67% e 64%). Na pesquisa de pulso, o fator que contribui muito para aumentar o estresse continua sendo o bem-estar da família para 61% dos Millennials, mas, para a Geração Z, são as perspectivas de trabalho (62%). 67% dos Millennials brasileiros e 56% dos participantes da Geração Z concordam que o estresse é uma razão legítima para se tirar uma folga do trabalho. Antes da pandemia, 25% dos Millennials e 20% da Geração Z tiravam folga do trabalho por conta disso. Após o início da Covid-19, a média continuou a mesma, mas 75% dos Millennials brasileiros passaram a admitir o motivo do pedido de folga a seus empregadores.

Houve, entre os brasileiros entrevistados, uma queda no desejo de Millennials e Geração Z de deixar seus empregadores dentro dos próximos dois anos (em ambas as pesquisas) e um aumento de pessoas que desejam permanecer por mais de cinco anos. Já o desemprego se tornou a principal preocupação dos Millennials e das pessoas da Geração Z no Brasil na pesquisa de pulso - essa já era a principal preocupação da Geração Z e teve uma pequena queda na segunda pesquisa -, seguido por crime/segurança pessoal na segunda posição para ambas as faixas etárias. Isso contrasta com a população global, para a qual as mudanças climáticas e a saúde eram uma preocupação maior do que a expressada no Brasil.

"A pesquisa da Deloitte mapeia os anseios, comportamentos e crenças de duas gerações mundo afora. O estudo deixa claro que o desemprego e a situação financeira são os pontos de grande apreensão para as duas faixas etárias no Brasil, devido às mudanças sofridas principalmente no trabalho e na dinâmica familiar. No ano passado, 80% estavam confiantes que a situação financeira iria melhorar. Já em maio de 2020, esse número caiu 20%, o que reflete claramente a insegurança e as incertezas que a crise da Covid-19 traz para a população e, mais especificamente, para essas gerações. As conclusões sobre os mais variados temas abordados neste estudo são bastante ricos para entendermos o que pensam os jovens brasileiros", destaca Luiz Barosa, sócio da área de Capital Humano da Deloitte.

Novas gerações no mercado de trabalho: permanência no emprego atual e situação pós-Covid-19
No geral, os Millennials no Brasil ficaram mais satisfeitos com as ações de seus empregadores durante a crise do que seus pares da Geração Z. Isso é comprovado, pois o primeiro grupo afirmou que seu empregador tomou medidas para apoiar sua saúde mental, e muitos afirmaram que as ações de seu empregador fizeram com que eles queiram permanecer com o empregador a longo prazo.

Quanto à atual situação no emprego, comparados aos participantes de outros países, na pesquisa de pulso, os Millennials no Brasil disseram estar trabalhando menos horas, mas não por opção, e que sua renda havia sido reduzida. Houve um aumento de 9% dos respondentes da Geração Z que afirmaram que sua renda havia sido afetada, comparando as duas pesquisas. De fato, equiparado aos Millennials, 13% a mais das pessoas da Geração Z, no Brasil, na pesquisa de 2019, afirmam que sua renda não foi afetada, indicando que a pandemia atingiu mais fortemente a geração mais jovem - de acordo com as duas pesquisas, 34% dos Millennials não tiveram o status de emprego ou renda afetada, diferentemente da Geração Z, que, na primeira pesquisa, teve 47% e, após a pandemia, o número caiu para 38% não afetados.

Os Millennials do Brasil concordam mais fortemente que ter a opção de trabalhar em casa alivia o estresse (82% concordaram com a afirmação, ante 73% da Geração Z), possibilita um melhor equilíbrio entre trabalho e vida pessoal (80%, ante 63%) e que gostariam de ter a opção de trabalhar remotamente com mais frequência após o término da pandemia (76% e 70%, respectivamente). 69% dos Millennials no Brasil optariam por viver fora de uma grande cidade caso tivesse a oportunidade de trabalhar remotamente no futuro; esse número cai para 57% na realidade da Geração Z. Praticamente o mesmo número de Millennials (55%) e de pessoas da Geração Z (54%), disseram que seus empregadores ofereceram treinamento, instrução e desenvolvimento de habilidades para permitir que os funcionários trabalhem remotamente com mais eficiência. Quanto a se sentir mais capaz mais capaz de "trazer meu verdadeiro eu" para o trabalho desde que começou a trabalhar em casa por causa da Covid-19, a maioria dos Millennials (63%) concorda com a afirmação, ante 45% da Geração Z.

Emprego, finanças, segurança pessoal e meio ambiente no centro das preocupações
Em relação às finanças, cerca de quatro a cada cinco Millennials e respondentes da Geração Z no Brasil afirmam que se preocupam com suas situações financeiras de maneira geral. Em 2019, 80% dos entrevistados pensavam que iria haver melhora financeira no próximo ano, mas esse número caiu no levantamento de 2020 em 20% em maio de 2020. 45% dos millenials e 53% das pessoas da Geração Z no Brasil indicaram, em dezembro, que teriam dificuldade caso recebessem uma conta inesperada. Esse número permaneceu praticamente o mesmo em maio - 41% e 51%, respectivamente. Já o percentual de pessoas que deixou de pagar uma conta caiu tanto para Millenials quanto para pessoas da Geração Z.

Atrás do desemprego, que é a principal preocupação de ambas as gerações, vêm a apreensão com segurança pessoal (para 22% dos Millennials e 19% da Geração Z), desigualdade de renda (21% dos Millennials) e assédio sexual (23% da Geração Z). Em relação ao meio ambiente, 39% dos Millennials e da Geração tenderam a concordar, em maio, que já atingimos um ponto em que não há mais volta e que é tarde demais para reparar os danos. No entanto, os brasileiros são mais otimistas do que a população global em relação à ideia de que os esforços para proteger a saúde do planeta teriam êxito: 67% dos Millennials e 68% da Geração Z acreditam nisso. Por outro lado, dois terços dos Millenials e pessoas da Geração Z no Brasil acreditam que a mudança climática será menos prioritária para as empresas e o governo, devido às ramificações econômicas da pandemia. Contudo, mais de 80% dos jovens brasileiros planejam continuar fazendo mudanças comportamentais positivas para ajudar o meio ambiente.

A maioria dos Millennials e pessoas da Geração Z no Brasil acredita que a sociedade está se tornando menos civilizada entre si do que mais civilizada. Do ponto de vista da responsabilidade pessoal, os jovens brasileiros, especialmente os Millennials, planejam implementar ações para ter um impacto positivo em suas comunidades.

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