Educação

Aulas online para crianças: como fazer dar certo?

Diante dos desafios de administrar as aulas remotas em casa, especialistas orientam como o processo precisa envolver família e escola

- Atualizada em 11/10/2022 às 12h19
A mãe, Claudia de Castro Silva com o  filho Carlos Eduardo, de apenas 6 anos, durante a aula online
A mãe, Claudia de Castro Silva com o filho Carlos Eduardo, de apenas 6 anos, durante a aula online (mãe e filho educação online)

SÃO LUÍS- Elas se dispersam fácil, ativam o "mudo" dos professores, conversam sobre assuntos aleatórios no meio da aula, querem lanchar e ir ao banheiro a todo instante, entre outras atitudes que têm deixado muitos pais e mães de cabelo em pé a cada novo dia de aulas on-line para os pequeninos. O momento exige um novo processo de adaptação com a rotina familiar, os afazeres domésticos e o home office da vida profissional dos pais, só para citar algumas questões. Apesar de todas essas dificuldades, famílias e escolas tendem a concordar em um aspecto: as aulas remotas são a melhor alternativa para dar continuidade à aprendizagem dos alunos nesse cenário de pandemia e isolamento social.

Foi com esse pensamento e cheia de otimismo que logo na primeira semana de aulas on-line do filho Carlos Eduardo, de apenas 6 anos, Claudia de Castro Silva esperou a professora finalizar a explicação de um tema e a surpreendeu na frente de todos os outros alunos que estavam conectados na plataforma. Cláudia teceu elogios à "tia Gaby", como a turminha a chama, e a encorajou com palavras cheias de entusiasmo. Ao ver a atitude de Cláudia, outros pais reforçaram as impressões.

O fato de Cláudia, que é psicóloga, agir dessa forma não significa que não houve dúvidas e angústias. Ela conta que, assim que soube da alternativa adotada pela escola, teve preocupação com a nova modalidade de ensino, mas que era necessário diante do cenário de pandemia. Então, primeiro ela precisou aceitar o processo para poder repassar ao filho.

“Pensei como poderia tornar isso agradável. Comecei a mostrar que as pessoas estavam trabalhando nesta modalidade, inclusive eu, e expliquei que com ele também seria assim. Fui dialogando que a aula da escola seria em casa e iríamos usar algumas ferramentas, como o computador; teria algumas surpresas, como olhar a professora, os coleguinhas e que seria algo diferente. Ele foi internalizando isso devagar e fui observando a sua adaptação”, detalha.

Diálogo e compreensão

A psicóloga Celiane Lopes, do Hapvida Saúde, orienta que as famílias devem dialogar com a criança sobre a mudança na forma de aprendizagem, de forma tranquila, e transformar mais lúdico o ambiente familiar. “Nós, adultos, precisamos digerir o que está acontecendo, e não está sendo fácil. A partir daí, dessa compreensão, temos condições de repassar às crianças essa nova situação de forma mais leve, breve e clara", ressalta.

A especialista também reforça que toda a preocupação, que ocupa as mentes adultas nesse período de pandemia, não deve nunca ser transferida para os pequenos, porque eles ainda não têm maturidade suficiente para compreender o assunto em sua totalidade. É indicado explicar, de maneira lúdica e sem alardes, o que o mundo está vivendo, incentivando a criança a refletir sobre aquilo, sem viver com o fantasma da preocupação e da ansiedade.

Rotina equilibrada

Para esse ensino ser mais dinâmico, a coordenadora do curso de Pedagogia do Centro Universitário Estácio São Luís, Karolline Lima, sugere estabelecer uma rotina com a criança. “É um desafio para todos, antes as crianças tinham contato com computador, tablets, celulares e toda essa tecnologia para o entretenimento, agora precisam usar e se concentrar para a aula. Foi um reaprender a fazer a educação em dia, além da dinâmica docente, a participação da família nesse processo é fundamental. Estabelecer com a criança uma rotina, organizar um espaço adequado para o estudo, sem ruídos, uma boa iluminação, fazer essa aprendizagem mais prazerosa”, destaca Karolline.

Essa transformação também ocorreu na casa de Cláudia, que refez o planejamento inteiro. A mãe do Carlos Eduardo criou um quadro com diversas atividades para serem realizadas com o filho semanalmente. “Como mãe, preciso rever meus conceitos, como posso adequar as necessidades pedagógicas do meu filho, com a rotina de trabalho que tenho a corresponder? Isso requer uma quebra de paradigmas. Então é importante que eu faça esse esforço em benefício dele. Readaptei meu trabalho, para caber na rotina do Carlos Eduardo. Esta é minha condição de mãe, que abraço com muito amor e prazer. Ele não tem essa autonomia e precisa da minha supervisão nas aulas. É um período que vai passar!”, exclama a mãe.

Novos pedagogos: gratidão

Se o momento sugere que as famílias se adaptem, imagine como ficam os profissionais da pedagogia nesse cenário! A educadora Karolline Lima destaca como os professores têm se virado para, virtualmente, conseguirem atrair a atenção das crianças. "É um momento que o professor precisa ser mais dinâmico, pois precisa utilizar vídeo, apresentação, música, de certa forma, chamar mais atenção dos estudantes nas aulas remotas. Nessa modalidade, é preciso haver uma interação. Os exercícios podem ser algo para construir com a família, de forma concreta, para que a criança compreenda o conteúdo, seja fixado e não esquecido”, enfatiza.

De um modo geral, as famílias também têm percebido o quão difícil é o papel do professor, o que torna a admiração e a gratidão a esses profissionais ainda maiores. “Eu tenho aprendido cada vez mais que o lugar do professor é insubstituível. Com essa metodologia, vejo a necessidade do braço familiar, pois existe uma ponte que liga o professor, com à vontade de dar certo, a partir da sua didática, do seu estudo, entretanto, precisa existir a outra construção do lado da ponte, os pais, a família, na iniciativa de amparar essa angústia do professor. Na sala de aula, ele tem esse feedback, e é a família que precisa corroborar com o docente, nesse contexto. Agradeço a todos os professores e, em especial, a professora do meu filho, que é muito amável e empenhada com a educação”, derrete-se Cláudia Silva.

Confira algumas dicas para poder aproveitar melhor este tempo com as crianças!

1- Horário de estudos para crianças não perderem a rotina (atividades escolares ou mesmo a leitura de um livro ou de uma revistinha em quadrinhos);

2- Atividades da rotina da casa: pode-se aproveitar para inserir a criança na rotina da casa e suas responsabilidades, dependendo da idade. Dessa forma, o pequeno também pode perceber seu papel na família, desde cuidar do cachorro, arrumar o quarto, ajudar a preparar as refeições ou lavar uma louça;

3- Assistir TV e usar o computador são atividades que devem ser liberadas com cautela. O ideal é que o horário seja controlado, até porque há um excesso de notícias negativas circulando e podem gerar ansiedade. O mesmo vale para o uso de videogames;

4- Aproveitar momentos familiares é a dica de ouro, pois neste período a companhia familiar traz conforto e é uma oportunidade para estreitarmos os laços.

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