Cidades | No Complexo Deodoro

Após reclamações, paradas de ônibus voltam à Alameda Silva Maia

Pontos de ônibus tinham sido removidos da área e alocados na Rua Rio Branco; lojistas, comerciantes formais e informais relataram, por um ano, prejuízos no faturamento; pedestres elogiam, parcialmente, o feito
IGOR LINHARES / O ESTADO28/05/2019
Excesso de paradas na Rua Rio Branco, antes da volta delas para a Alameda Silva Maia

As paradas de ônibus que tiveram de ser alocadas na Rua Rio Branco após a obra de requalificação do Complexo Deodoro retornaram à Alameda Silva Maia na sexta-feira (24), facilitando a mobilidade dos usuários que se dirigem ao centro de São Luís, incluindo a Rua Grande. O Estado já havia denunciado várias vezes a situação, solicitando o retorno delas ao seu lugar habitual, e o clamor finalmente foi atendido no fim da semana que passou.

Ainda assim, por falta de comunicado prévio sobre a alteração, muitos passageiros dos coletivos ficaram perdidos sobre quais pontos devem ser utilizados, a partir de agora, para embarque/desembarque. Também pelo mesmo motivo, a região voltou a registrar desordem no trânsito, sobretudo pela inatividade do semáforo que contemplava os pedestres com uma travessia segura e evitava a formação de congestionamento no local.

Na manhã de ontem (27), O Estado acompanhou a movimentação decorrente ao retorno das paradas de ônibus à Alameda Silva Maia e ouviu não só elogios dos usuários do transporte público, mas também disparos de insatisfação relacionados à falta de estrutura dos abrigos. Para a dona de casa Rosiane Soares, de 43 anos, a mobilidade dos usuários em direção à Rua Grande, maior centro comercial a céu aberto da capital, foi facilitada, mas ressaltou que ainda há muito por se fazer para atender a população, que continua exposta a sol e chuva, além da segurança no trânsito, comprometida pela inatividade do semáforo à esquina da alameda com a Rua Rio Branco.

Rua Rio Branco sem as placas de paradas; usuários ainda estavam desnorteados

“O retorno das paradas para a [Alameda] Silva Maia facilitou bastante a mobilidade de quem vem ao Centro para fazer alguma coisa nas lojas e outros estabelecimentos da Rua Grande. Antes, com as paradas em funcionamento na Rua Rio Branco, a gente tinha de caminhar mais do que o necessário para chegar até onde, de fato, funciona o comércio de São Luís”, frisou Soares. “Mas é preciso que haja mais investimento para organizar esse retorno, porque nos horários de pico vai continuar esse mesmo caos como é agora [ontem] pela manhã, como engarrafamento e outros problemas que podem ser evitados, a exemplo do semáforo da região, que deveria estar em funcionamento”.

Quem também fez uso da palavra “caos” para se referir ao retorno das paradas à Alameda Silva Maia, mais próximas ao Centro comercial, foi a pensionista Maria José Torres, de 56 anos. “Essa mudança foi um verdadeiro caos, uma falta de respeito com a população, com a humanidade. Eu mesma não sabia que as paradas tinham saído da Rua Rio Branco para a Silva Maia, assim como muita gente, que ainda está perdido, sem saber onde pegar seu ônibus. Acho que deveriam ter emitido, ao menos, um comunicado informando essa mudança”, disparou. Torres tem mobilidade reduzida e disse, ainda, que sem o comunicado teve de andar mais do que deveria para conseguir encontrar a parada de ônibus que contempla a linha 206 – Liberdade.

Segundo a vendedora ambulante Conceição Sousa, de 56 anos, retornar as paradas de ônibus para a Alameda Silva Maia foi uma situação impensada. “Enquanto vendedora, já tenho percebido que as minhas vendas já melhoraram, assim como será pa­ra o comércio da Rua Grande. Mas não faz sentido trazer as paradas de ônibus para a Silva Maia sem ter construído novos abrigos, porque os que existem não comportam a população. Daí, quando chove, ou faz muito sol, os usuários não têm como se proteger”, ressaltou. “Acho que deveriam, pelo menos, pensar nessa parte, porque não adianta nada ficar jogando as pessoas de um lado para o outro”.

Quem corroborou o discurso da ambulante foi o panfleteiro Carlos Silva, de 53 anos, que trabalha na oferta de serviços de saú­de pelas calçadas da Alameda Sil­va Maia. “Essa mudança foi uma verdadeira bagunça na vida do usuário [do transporte público]. Desde sexta-feira, quando os ônibus voltaram a apanhar passageiros por aqui, a gente percebe a desorientação das pessoas. Embora tenha facilitado a mobilidade de quem quer economizar a caminhada em direção à Rua Grande, já que o comércio foi o principal motivo do retorno das paradas para cá, era preciso que tivessem sido construídas novas estruturas para abrigar o pessoal da chuva e do sol”.

Alameda Silva Maia recebeu de volta suas paradas de ônibus, mas confusão persistiu

Retorno das paradas
O anúncio foi feito pelo secretário municipal de Trânsito e Transportes, Canindé Barros, na última quinta-feira (23), durante reunião com vereadores e comerciantes. De acordo com ele, as cinco paradas seriam retiradas da Rua Rio Branco e reinstaladas na Alameda Silva Maia. Com a alteração, o usuário do transporte coletivo voltaria a embarcar e desembarcar em locais mais próximos da área onde está localizado o comércio formal e informal, em especial o da Rua Grande, situação que refletiria em um reaquecimento das vendas, segundo os próprios lojistas, que garantiram ter perdido 40% das suas vendas depois que alguns abrigos e pontos de ônibus foram retirados da região.

Canindé Barros informou que, tão logo tomou conhecimento da reivindicação dos parlamentares e lojistas, conversou com o prefeito Edivaldo Holanda Júnior, que prontamente autorizou a mudan­ça. Mas as reclamações quanto à alocação das paradas na Rua Rio Branco após a obra de requalificação do Complexo Deodoro não são recentes e foram veiculadas em diversas edições de O Estado, como a do último dia 15, que mostrou as estratégias adotadas pela Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) para combater o déficit da categoria.

Além do comércio formal, quem muito denunciou a situação a O Estado foi o comércio ambulante, que foi realocado na via em frente e na lateral do Colégio Liceu Maranhense, onde deveriam ficar temporariamente. Mas, há um ano, ainda não se sabe que destino terá.

Quanto às reclamações relacionadas à inatividade do semáforo e à falta de estrutura dos abrigos de usuários de coletivos, a Prefeitura de São Luís foi contatada para esclarecer que medidas estão sendo tomadas para sanar tais problemas, mas até o fechamento desta edição, não se manifestou.

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FALTA ACESSIBILIDADE

A dificuldade para o acesso ao transporte público em São Luís continua sendo um grande problema a ser enfrentado, principalmente por usuários portadores de deficiência física, como registrou O Estado na manhã de ontem (27). Na ocasião, um cadeirante levou mais tempo que o necessário para desembarcar do ônibus de linha 403 – Calhau/Litorânea, um dos novos veículos da frota coletiva da capital. O motivo? Elevador com problema. Durante o ocorrido, o passageiro, deficiente físico, teve de descer pela porta da frente do ônibus, sem o mínimo de condições de segurança. Para isso, precisou da ajuda do motorista, de seu acompanhante e outros usuários do transporte público que aguardavam pela linha desejada na parada onde o cadeirante teve de desembarcar, no Centro. Para o cadeirante e protagonista do grave problema, o historiador João Batista Axé, de 38 anos, a segunda-feira foi mais um dia para se indignar, pela falta de acessibilidade e violação de direitos humanos e da pessoa com deficiência na capital. Segundo ele, falta a sensibilidade de quem administra, atualmente, o transporte público da cidade, como enfatizou em entrevista, logo após o sufoco que enfrentou para desembarcar do ônibus na Praça Deodoro. “É muito difícil viver num lugar considerado Patrimônio da Humanidade, mas que não é humano. O nosso direito de ir e vir está sendo violado. Todos os dias sofremos essa discriminação por parte dos empresários do transporte público”, frisou o cadeirante. “Exigimos um direito garantido por lei, o de ir e vir com acessibilidade”. Ainda de acordo com ele, quando há elevador com plenas condições, é preciso que um terceiro, ao invés do cobrador, opere o equipamento. “Meus acompanhantes são obrigados a operar o elevador, quando [o equipamento] funciona. Até nós mesmos, portadores de deficiência física, precisamos operar o elevador, às vezes”, pontuou.

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