Cidades | Acima da média

Março já registrou 78% das chuvas esperadas para São Luís no período

Média mensal deve ser, novamente, ultrapassada; os registros de chuva acima da média estão sendo comuns desde o mês de novembro de 2018
Emmanuel Menezes / O Estado15/03/2019
Março já registrou 78% das chuvas esperadas para São Luís no períodoEm 15 dias, já choveu quase 80% do esperado para todo o mês de março, que deve superar a média histórica (De Jesus / O ESTADO)

SÃO LUÍS - As chuvas em São Luís estão atingindo níveis acima da média desde o mês de novembro de 2018. Neste mês, não está sendo diferente. O Laboratório de Meteorologia do Núcleo Geoambiental (NuGeo) da Universidade Estadual do Maranhão (Uema) já contabilizou 335,5 milímetros de chuva na Ilha, em apenas 15 dias. Isso representa 78% do esperado para o mês, que é de 428 milímetros.

“Não podemos dizer com exatidão quanto de chuva a mais teremos em março, mas com os valores já registrados é certo que a média história seja superada nes­te ano”, afirma Marcio Elói, meteorologista do NuGeo.

Vale ressaltar que, apenas em São Luís, os números estão apresentando acréscimos. Em outros municípios por todo o Maranhão, as precipitações se mantêm normais, ou, até menos, abaixo do esperado. Em Imperatriz, por exemplo, na primeira quinzena de março choveu 42,5% do previsto; em Caxias, as chuvas atingiram 45,2% para o mês; já em Balsas, foi registrado apenas 25,7% da média história.

“Essa situação pode ser revertida, visto que o fenômeno El Niño se mostrou mais evidente sobre o sul do estado, e foi o grande responsável pelos prejuízos no setor agrícola dessa região”, explica o meteorologista. Ainda segundo o profissional, a quantidade superior de chuvas que tem atingido São Luís são ocasionadas pela boa configuração das cargas positivas do Atlântico Sul, que findam nas chuvas oriundas da zona de convergência intertropical, principalmente no litoral.

A zona de convergência intertropical, que é um fenômeno comum a esta região durante este período do ano, ajuda a formar essas nuvens mais carregadas. “Nós somos um pouquinho mais específicos. A gente tem influência do Oceano Atlântico e da floresta Amazônica, e eles provocam muita evaporação. A temperatura elevada, umidade do ar elevada e vento, que são características termodinâmicas, corroboram para a alimentação das nuvens, tornando-as cada vez maiores e mais carregadas”, completa Marcio Elói.

Números acima da média
O período chuvoso de 2019 vem trazendo números bem superiores ao previsto historicamente. De acordo com dados repassados pelo NuGeo, as chuvas de janeiro superaram em 62% a quantidade prevista. A média histórica é de 244,2 milímetros para o mês, mas este ano chegou a 393,4 milímetros, apenas na capital. O número superou o mês de janeiro de 2018, quando foram registrados 332,7 milímetros nos 31 dias. Em fevereiro, os valores superaram em pouco mais de 5% a média histórica de 373 milímetros, sendo contabilizados em 2019 o número de 379,2 milímetros.

Mais temporais são esperados para abril, por exemplo, sendo esse o mês que mais chove durante todos do ano. A média histórica para esse mês é de 476 milímetros.

Oscilação 30-60 dias
Nos meses de novembro e dezembro, do ano passado, o Maranhão sofreu com fortes chuvas incomuns para a época. O NuGeo ressalta que as chuvas registradas nos primeiros meses de 2019 nada tem a ver com o registrado no fim de 2018.
As chamadas de oscilações 30-60 dias são eventos que caracterizam-se por um deslocamento para leste de uma célula zonal de grande escala termicamente direta, que causa variações na convecção tropical. Isso já havia sido previsto, mas a intensidade das chuvas não poderia ser previamente calculada. Em novembro, as chuvas foram sete vezes mais fortes do que o esperado com os números base; em dezembro, as chuvas ultrapassaram em quatro vezes as estatísticas.

SAIBA MAIS

Riscos de raios

Em janeiro, O Estado noticiou que, além dos números de chuva superando a média, um outro fator de risco deveria ser visto com atenção: a queda de raios. “Essas chuvas são provocadas por um sistema de grande escala. Por estarmos na região equatorial do globo, a incidência de raios é muito grande, dado que as nuvens formadas nessa nossa região possuem um topo muito alto. Nós as chamamos de nuvens profundas. Por esse motivo, a frequência de raios acaba sendo maior”, explica Andrea Cerqueira, meteorologista do NuGeo.

O NuGeo reforça algumas informações que podem evitar tragédias durante uma tempestade. A população deve evitar ir para a praia ou demais lugares descampados durante os temporais. Essas regiões possuem condições favoráveis para a queda dessas descargas elétricas. Outra precaução é nunca ficar em baixo de árvores. O conforto de sua casa é o lugar mais adequado para ficar durante tempestades.

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