Cidades | Complicações no parto

63 mães morreram ao dar à luz este ano, no Maranhão

Seis casos ocorreram na Região Metropolitana de São Luís e 57 no interior do estado; em 2017, o estado contabilizou 96 mortes por complicações no parto
Daniel Júnior / O Estado24/11/2018
63 mães morreram  ao dar à luz este  ano, no Maranhão Uma das causas das mortes maternas no Maranhão é consequência do início tardio do pré-natal (gestante)

O Maranhão registrou 63 óbitos maternos este ano, de acordo com dados da Secretaria Estadual de Saúde (SES) divulgados na última quinta-feira, dia 22. Desse total, seis ocorreram na Região Metropolitana de São Luís. No ano anterior, o estado contabilizou 96 mortes em decorrência de complicações no parto ou advindas da gestação, ainda conforme dados da SES. Em 2015, foram notificadas 117 óbitos maternos.

As principais causas das mortes maternas no Maranhão são consequências do início tardio do pré-natal, que é disponibilizado pela rede de saúde dos municípios, além da falta de realização de exames do protocolo e imunização, e, ainda, o risco gestacional não estabelecido, segundo a Secretaria Estadual de Saúde (SES).

Josete Nogueira, por pouco, não virou um número dessa estatística de óbitos maternos no Maranhão. Depois de ter o seu bebê prematuro, por causa de problemas nos ovários, ela teve, após uma semana, uma trombose (formação de um coágulo sanguíneo em uma veia). “Eu tive um aborto espontâneo e fiquei com uns problemas nos ovários. Depois de três meses, engravidei de novo. Cheguei a ter a criança prematura com cinco meses, mas morreu em seguida. Quando passou uma semana, tive uma trombose, passei 28 dias internadas também fiz uma curetagem uterina. Foi muito triste perder meu filho”, relatou.

Problemas nas maternidades
Em reportagem publicada no dia 7 de novembro, O Estado entrevistou uma mulher que acabara de dar à luz um bebê na Santa Casa de Misericórdia, em São Luís. Ela reclamou que as maternidades na capital estavam todas lotadas e foi difícil conseguir um leito para ter o seu filho. “As maternidades estão muito cheias. Não têm leitos para todas as mulheres. Muitas estão sofrendo, porque precisam de um parto cesáreo, mas obrigam a mulher ter normal, como foi o meu caso. Mas vim para a Santa Casa e encontrei um leito para ter minha menina. Precisamo melhorar na estrutura. Mas a Santa Casa da Misericórdia foi a única saída. Se a maternidade aqui não funcionasse, o sufoco nos hospitais será pior”, afirmou Priscila Coelho, de 26 anos.

O número de atendimentos realizados na maternidade da Santa Casa de Misericórdia do Maranhão cresce a cada mês. Em julho deste ano, foram feitos 218 procedimentos, sendo 79 partos normais, 42 cesáreos, 43 curetagens e 37 embriotomias. Em agosto, o total de procedimentos realizados saltou para 233. Em setembro foram registrados 634 e no último mês, outubro, 647 procedimentos foram contabilizados na maternidade, conforme histórico da Santa Casa.

Dados de óbitos maternos
Sobre os óbitos de mulheres ao dar à luz seus bebês, a Secretaria Estadual de Saúde (SES) informou que os últimos anos investiu em prevenção e assistência em saúde para reduzir o índice histórico no estado.
Para diminuir os índices de óbitos maternos, o Governo do Estado tem atuado em diversas frentes. Entre as ações, está a instituição da Força Estadual de Saúde que atua no reforço da atenção primária aos maranhenses dos 30 municípios de Menor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH).

Além disso, foi firmado acordo de cooperação Técnica com a OPAS (Organização Pan-Americana de Saúde e OMS (Organização Mundial de Saúde) com objetivo de fortalecer as políticas públicas da Atenção Materno Infantil, prevendo a implementação do novo modelo de atenção pré-natal no estado. Foi adotada a estratégia Zero Morte Materna por Hemorragia pós-parto nas 13 maternidades prioritárias do estado e a qualificação da Atenção Hospitalar Perinatal.

Também foi criado o Comitê Estadual de Prevenção à Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, que mobiliza poder público e sociedade civil organizada. Foi reestruturada a rede de atenção materno infantil do estado com destaque para as inaugurações da Casa da Gestante, Bebê e Puérpera e da primeira UTI Materna na Maternidade de Alta Complexidade do Maranhão. Os óbitos maternos e de mulheres em idade fértil passaram a ser investigados para que seja possível prevenir mortes evitáveis.

A SES mantém, ainda, ações permanentes, através do Departamento de Atenção à Saúde da Mulher, na qualificação dos profissionais das unidades básicas de saúde dos municípios, aprimorando o serviço de atenção ao pré-natal.

SAIBA MAIS

Quatro principais causas de morte materna no Brasil, segundo o Ministério da Saúde:
1 - Pressão alta na gravidez

A pressão alta na gravidez é a principal causa de morte materna no Brasil. Essa é uma doença perigosa, pois é muito silenciosa: os sintomas podem ser confundidos com alguns incômodos comuns do final da gravidez.
A pré-eclâmpsia é o quadro de hipertensão na gravidez, que pode evoluir para dois quadros extremamente graves: a eclâmpsia e a síndrome de hellp. Para evitar a pré-eclâmpsia é preciso fazer um acompanhamento pré-natal de qualidade. A gestante também pode adquirir as máquinas para medir pressão em casa e fazer o acompanhamento diário da pressão arterial.
Saiba alguns sintomas de alerta para a pré-eclâmpsia:
Pressão arterial mais alta que 14o/90 mmHg;
Dores de cabeça;
Dores na barriga;
Ver pontos brilhantes ou pretos;
Inchaço no corpo, principalmente mãos, pés e no rosto.
2 - Hemorragias no pós-parto
Esta causa de morte está relacionada à falta de assistência médica de qualidade no parto e pós-parto. As cirurgias cesarianas também estão relacionadas à hemorragia.
As hemorragias ocorrem principalmente em decorrência de problemas na placenta, como descolamento de placenta, placenta aderida, etc.
Para evitar as hemorragias, é necessário que o acompanhamento pré-natal seja criterioso em relação aos exames de ultrassom e ao monitoramento da saúde materno-fetal.
3 - Infecções no pós-parto
As infecções são também são uma das principais causas de óbito maternos no país. É um mal que pode acometer tanto mulheres que estão no puerpério quando mulheres que sofreram aborto. É importante que todas as mulheres em período de puerpério fiquem atentas a sinais de alerta e procurem auxílio médico.
4 - Aborto
Mulheres que sofrem aborto, espontâneo ou não também são as que mais morrem. É essencial procurar atendimento médico nesses casos, para que seja realizada a curetagem, se necessário. Também é preciso realizar exames após o procedimento para avaliar se não restaram partes do saco gestacional no útero.
Não realizar a curetagem pode fazer com que ocorra complicações como infecções e hemorragias.

NÚMEROS

Óbitos maternos no Maranhão
2018 - 63 casos
2017 - 96 casos
2015 - 117 casos
2013 - 111 casos

Fonte: Secretaria Estadual de Saúde

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