Cidades | Precariedade

Sucateamento e insegurança na Rodoviária de São Luís preocupam quem trabalha no terminal

Comerciantes e taxistas amargam prejuízos e exigem mais policiamento e uma reestruturação do equipamento rodoviário; Movimento de passageiros está cada vez mais baixo
Daniel Júnior / O Estado26/08/2018 às 00h00
Maioria das torneiras dos banheiros não está funcionando

SÃO LUÍS - Indignados e apreensivos com a infraestrutura precária e a onda de violência que afeta a o Terminal Rodoviário de São Luís, comerciantes e taxistas que trabalham no espaço amargam prejuízos e exigem mais policiamento e reestruturação do equipamento rodoviário. Conforme os trabalhadores, o movimento de passageiros está cada vez mais baixo. Banheiros deteriorados, iluminação ineficiente, assaltos e uso de entorpecentes nas dependências da rodoviária são uma das problemáticas relatadas a O Estado.

Vítima de assalto enquanto trabalhava em um dos boxes da Rodoviária de São Luís, a vendedora Antônia de Sousa Silva teve o celular roubado. "Um rapaz, até bem vestido, chegou aqui dizendo que precisava fazer uma ligação. Emprestei o meu celular a ele, quando me deparei ele correu. Não tem policiamento e ficamos reféns dos criminosos. Ainda tentei pegar as imagens da câmera de segurança da administração, mas disseram que não teriam como ceder. Cheguei a ver ele novamente por aqui próximo, mas não o alcancei. Agora, fiquei sem meu celular", relatou.

"De fato, não há um bom policiamento na Rodoviária. Se a gente 'cochilar', os criminosos furtam e roubam o que vêem pela frente. Aqui na loja, já levaram objetos. É muito difícil para nós comerciantes, que dependemos das vendas para ter o nosso pão na mesa", disse Emanuele Magalhães, proprietária de um boxe que vende produtos de artesanatos, entre outras variedades.

Cabines dos banheiros também estão precárias

Dois policiais militares estavam escalados, para manter a segurança da Rodoviária de São Luís, que tem todas as suas laterais abertas. De acordo com o gerente do terminal, Marcos Pereira, são apenas dois PMs por plantão. "São dois policiais militares o dia todo e dois para a noite. Realmente é um efetivo muito baixo. O ideal também é que quando alguém for vítima de criminosos, formalize um boletim de ocorrência, para que a administração tenha respaldo na hora de solicitar mais policiamento. Sobre a infraestrutura precária, Marcos Pereira disse que aguarda o processo licitatório, para que a empresa que administra possa executar obras mais concretas no terminal, como por exemplo, cercar as laterais e reformar os banheiros, que está com a sua estrutura arruinada.

"Até hoje, aguardamos a licitação, para selecionar uma nova empresa para administrar a Rodoviária de São Luís ou que a RMC Comércio Serviços continue, mas melhore a nossa situação. Tudo isso é culpa do Governo do Estado, que não faz nada. Enquanto isso, vivemos aqui com prejuízos, porque esses problemas afastam os passageiros, que estão preferindo o transporte alternativo e as pessoas que vêm de outros Estados não se sentem bem, e sem esquecer da insegurança. É assalto, furto, uso de drogas…" disparou Rosanira Lopes, presidente da Associação dos Permissionários da Rodoviária de São Luís.

O Estado verificou que um boxe tinha duas câmeras de segurança particular instaladas. "Estava acontecendo muitos furtos aqui, por isso a dona preferiu instalar essas câmeras, para ver se intimidava os criminosos", revelou uma comerciante que preferiu não se identificar.

"Nós taxistas já não sabemos mais o que fazer. Qualquer tipo de carro particular entra aqui e oferece serviço. Tem até um posto clandestino aí na frente. Os passageiros estão "sumindo". A Rodoviária de São Luís necessita de uma reestruturação e uma nova administração. As pessoas fazem o que querem aqui. É um local sem normas e muito aberto", finalizou o taxista Wellington Lima Silveira, de 62 anos, que trabalha há dois anos na Rodoviária.

Falta policiamento no terminal

rocurado pelo O Estado no dia 25 de junho deste ano, para saber sobre o processo licitatório, o Governo do Estado, por meio da Agência Estadual de Mobilidade Urbana e Serviços Públicos (MOB) informou que aguarda decisão judicial para continuidade do processo licitatório. A MOB ressaltou que a licitação foi adiada a partir do mandado de segurança impetrado por uma das empresas licitantes, na véspera do certame, solicitando alterações no edital. A licitação está suspensa até que o Poder Judiciário analise o mérito do pedido ou até que o recurso que o Estado interpôs altere a decisão judicial.

O Estado fez o contato novamente com o órgão, para saber um novo posicionamento sobre a licitação e também em relação a insegurança, mas até o fechamento desta edição não houve respostas.

SAIBA MAIS:

Situada no bairro do Santo Antônio, em São Luís, o Terminal Rodoviário é totalmente aberto e se tornou uma passagem para moradores da região cortar o caminho de casa. A movimentação é intensa. Além disso, é constante a presença de pedintes.

Leia mais notícias em OEstadoMA.com e siga nossas páginas no Facebook, no Twitter e no Instagram. Envie informações à Redação do Jornal de O Estado por WhatsApp pelo telefone (98) 99209 2564.

© 2019 - Todos os direitos reservados.
Tamanho da
Fonte