Cidades | ALAGAMENTOS NA ILHA

Ocupação indevida do solo é causa de estragos

Catástrofes, inundações e desmoronamentos podem ocorrer quando a natureza cobra seu lugar, ocupado pelo homem
Robert W. Valporto / O Estado19/04/2018

A chuva tem sido sinônimo de preocupação para muitos moradores de áreas consideradas de risco em São Luís, por causa da possibilidade constante de desabamento de barreiras. Para o engenheiro Clóvis da Silva Sousa Filho, membro do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia do Maranhão (Crea-MA), a ocupação indevida do solo pode ser a principal razão do problema.

Para entender a ocupação irregular, basta observar casos como o que aconteceu na Vila Conceição, no Altos do Calhau na segunda-feira, 16, com muitas casas construídas às margens do rio. Com a queda de um muro, derrubado pela força da água, que impossibilitou o rio seguir seu ciclo, muitas casas ficaram alagadas.

“As pessoas precisam entender que a natureza, assim como o ser humano, tem reações de acordo com o estímulo que sofre. Se nós aterrarmos uma área, a água precisa ir para algum lugar. Se forem construídas casas em áreas como essas, a tendência é sofrerem com as reações naturais”, frisou Clóvis Filho.

O engenheiro ressaltou, ainda, que os alagamentos que acontecem periodicamente nas principais vias da capital podem ser causados por dois fatores principais: a falta de drenagem ou de manutenção na drenagem. “Em São Luís, temos dois exemplos de vias que têm boa drenagem: as avenidas Vitorino Freire e Daniel de La Touche. Um exemplo de lugar com problemas de drenagem é o Mercado Central, que quase sempre fica alagado. Em se tratando da falta de manutenção, há pontos em que as galerias estão cheias de lixo, jogado pelas pessoas, indevidamente. A limpeza dessas áreas tem de ser feita continuamente, durante o ano todo, não apenas no período chuvoso”, enfatizou.

O engenheiro Clóvis Filho lembrou, por fim, de cuidados que a população precisa tomar para evitar que esses problemas sejam constantes. “A responsabilidade da manutenção do bem público não é somente do poder público. As pessoas precisam ter consciência de que, se construírem em local irregular ou jogar lixo em pontos indevidos, elas vão sofrer as consequências dessas ações, pois a natureza cobra isso”, concluiu.

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