Pagamentos

R$ 14 bilhões do FGTS inativo usados só para quitar dívidas

Segundo levantamento realizado pela CNDL e SPC Brasil, usar o dinheiro extra para cobrir despesas do dia a dia é escolha de 35% das pessoas que têm direito ao benefício e somente 20% optam por investir ou poupar os recursos

Atualizada em 11/10/2022 às 12h36
Pagamento de dívidas é a principal destinação dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço
Pagamento de dívidas é a principal destinação dos recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS)

O pagamento de dívidas segue como uma das principais prioridades dos trabalhadores que sacaram recursos inativos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS). Um estudo feito pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) aponta que 35% dos trabalhadores usaram ou pretendem usar o dinheiro dessas contas para quitar compromissos em atraso e 5% para abater ao menos parte dessas pendências.
Segundo estimativas das duas entidades, até a segunda quinzena de julho foram injetados aproximadamente R$ 13,7 bilhões na economia, levando em consideração apenas o pagamento de dívidas. E outros R$ 380 milhões ainda devem ser movimentados com essa finalidade nos próximos meses.
Outra estratégia também utilizada pelos entrevistados é aproveitar o dinheiro extra para antecipar o pagamento de contas não atrasadas, como crediário e prestações da casa ou do carro, mencionado por 12% dos entrevistados.
De acordo com a pesquisa, 47% dos brasileiros usaram ou pretendem usar os recursos do FGTS para consumir. A maior parte (35%), contudo, é para cobrir despesas correntes do dia a dia. Apenas 7% dos entrevistados disseram que gastaram ou iriam gastar com produtos extras como roupas e sapatos e 3% na aquisição de smartphones. Investir ou poupar o dinheiro das contas inativas foi opção de 20% dos trabalhadores consultados.
“O fato de tantos consumidores usarem esse dinheiro extra para gastos frequentes do dia a dia é reflexo da dificuldade financeira do brasileiro que está com a renda menor. Fica o alerta para que o consumidor ajuste o seu padrão de vida para baixo, pois esse dinheiro extra é pontual e serve de alivio momentâneo”, afirma a economista-chefe do SPC Brasil, Marcela Kawauti.
Os setores do comércio e serviços já receberam R$ 16,2 bilhões oriundos das contas inativas do FGTS, estimam o SPC Brasil e a CNDL. E outros R$ 500 milhões ainda devem ser injetados via consumo, projetam as entidades.

Sem informações
De acordo com a pesquisa, 28% dos entrevistados já sacaram o benefício. No total, 52% dos consumidores não têm dinheiro a resgatar o FGTS inativo, enquanto 15% desconhecem se têm direito ao saque ou nem mesmo sabiam que o governo havia liberado esses recursos.
O trabalhador que pediu demissão ou foi demitido por justa causa até dezembro de 2015 tem direito ao saque do fundo de garantia. Para descobrir se o consumidor será beneficiado por essa medida, ele deve consultar o site da Caixa Econômica Federal ou procurar qualquer agência física do banco. Caso não retire os recursos até a próxima segunda-feira, dia 31, o trabalhador só terá acesso a esse dinheiro quando for demitido sem justa, em caso de aposentadoria ou doenças graves e para comprar imóveis.

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Metodologia

A pesquisa foi realizada em 12 capitais das cinco regiões brasileiras: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Recife, Salvador, Fortaleza, Brasília, Goiânia, Manaus e Belém. Juntas, essas cidades somam aproximadamente 80% da população residente nas capitais.
A amostra, de 800 casos, foi composta por pessoas com idade superior ou igual a 18 anos, de ambos os sexos e de todas as classes sociais. A margem de erro é de no máximo 3,5 pontos percentuais a uma margem de confiança de 95%.

Prazo para saque das contas inativas termina na segunda, 31

Brasília

Os trabalhadores que têm conta inativa do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) e ainda não foram à Caixa precisam se apressar. O prazo para o saque termina nesta segunda-feira, 31. O dinheiro está guardado, esperando quase cinco milhões de pessoas que ainda não apareceram.
Até o último balanço a Caixa pagou R$ 43 bilhões a 25 milhões de trabalhadores, 98,64% do valor total das contas inativas. Depois do dia 31, o dinheiro não sacado volta para o FGTS do trabalhador. Aí, para ter acesso a ele, é preciso atender a certas condições comprar um imóvel, ser demitido sem justa causa ou dar entrada na aposentadoria.
A CaixaEconômica informou que na segunda-feira, 31, o expediente bancário é no horário normal. Para ninguém perder a viagem, a orientação é ir ao banco com documento oficial com foto, carteira de trabalho e número do PIS.
Para sacar o FGTS inativo, o trabalhador precisa apresentar a carteira de trabalho. O documento só é obrigatório se a retirada for de mais de R$ 10 mil de uma das contas. Porém, se houver alguma falha no registro das suas informações, ele poderá ajudar a corrigir os dados do sistema. Tem direito ao saque quem pediu demissão e não teve acesso ao benefício até o dia 31 de dezembro de 2015.
O governo criou uma prorrogação só para casos especiais que vai até dezembro de 2018. Mas como os detalhes não foram divulgados, a orientação da Caixa é aproveitar e sacar logo. “Essa prorrogação é para casos muito especiais. São pessoas que vão comprovar que o seu não comparecimento se deu em função de uma causa muito especial. Essas regras, essas normas técnicas serão regulamentadas na próxima segunda-feira”, explica Marcelo Bonfim, superintendente da Caixa em Minas Gerais.

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Quem pode sacar

Todo trabalhador residente no Brasil ou exterior que pediu demissão ou teve seu contrato de trabalho finalizado por justa causa até 31 de dezembro de 2015 tem direito ao saque das contas inativas de FGTS, de acordo com a Lei
nº 13.446/17.

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