Rua fantasma

Onda de violência deixa ruas e residências vazias na Vila Natal

Famílias deixaram suas casas sob ameaça de morte por facções que disputam o controle na área; PM reforçou o patrulhamento no bairro
18/06/2015
Cena difícil de ver na Avenida Brasil, na Vila Natal: rua vazia em pleno dia e casas fechadas, reflexo do medo vivido por quem continua lá (Avenida Brasil)

Um dia após dezenas de famílias deixarem suas residências na Avenida Natal, no bairro Vila Natal, ontem, com receio de ser assassinadas por integrantes de facções criminosas, a avenida se tornou uma rua fantasma. Dezenas de casas abandonadas na rua mostram que o policiamento não atendeu às demandas da comunidade. Os poucos que permaneceram no local temem o que possa acontecer com eles.

A Avenida Natal, também conhecida como Pocinha, é hoje o retrato concreto da insegurança que vem se instalando em São Luís. Integrantes de facções criminosas instalaram um clima de terror nas regiões da Vila Colier, em Pedrinhas, e Vila Natal. Na região do Coroadinho, onde está a Vila Natal, foram registrados quatro assassinatos e vários moradores foram agredidos fisicamente por bandidos em menos de 24 horas.

O resultado foi a expulsão de dezenas de famílias dos lugares onde viviam. Os moradores deixaram suas casas, nas quais investiram o pouco que tinham para construí-las, com o apoio de viaturas da Unidade de Segurança Comunitária (USC) Bom Jesus / Coroadinho e do 1º Batalhão da Polícia Militar.

Medo – Ontem, O Estado voltou à Avenida Natal para constatar as providências que estão sendo tomadas no policiamento e a situação da comunidade. Logo na entrada da Vila Natal, um homem portando facão e faca demonstrava o clima em que viviam as pessoas do bairro. Apenas com o apoio de uma viatura policial foi possível chegar às casas abandonadas no dia anterior.

Na avenida em questão, poucas casas e pequenos estabelecimentos comerciais ainda estão ocupados. Nas residências abandonadas, anúncios de venda ou aluguel em muitos imóveis indicam que as pessoas já queriam deixar o local. Mas, sob a ameaça de morte, tiveram que abandonar o bairro às pressas.

Para quem ficou, restou o medo do que pode acontecer. Os moradores, que não quiseram se identificar por medo de represálias por parte das facções, afirmaram que querem continuar no local, mas não têm certeza se continuarão no bairro, por causa das ameaças de morte e agressão. Eles contaram ainda que não se sentem seguros, mesmo com as rondas policiais que estão sendo feitas após as famílias deixarem o local. Nas ruas do entorno, também há apreensão.

Policiamento - Segundo o coordenador de serviços da USC, sargento Silva, o policiamento foi reforçado em toda a área de abrangência da unidade de segurança, mas até ontem à tarde ninguém havia sido preso. A USC está recebendo outros reforços da corporação. “Desde ontem [terça-feira], estamos com o apoio do Batalhão de Choque, que enviou três viaturas, e do serviço velado”, disse.

Ainda de acordo com ele, alguns fatores prejudicam o trabalho da polícia. Segundo o sargento seria necessário um maior efetivo para atender os 54 bairros, que estão na área de abrangência da USC. Mas, além disso, o estado das vias também prejudica o policiamento. Isso ocorre principalmente na Vila Natal. “O estado das ruas também é muito precário. Agora, que parou de chover, que estamos conseguindo entrar em algumas ruas. Isso dificulta muito o nosso trabalho. Nem as motos estavam conseguindo passar”, destacou.

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