Discurso na Índia

Lula diz que Sul Global pode mudar a lógica econômica do mundo

Presidente defendeu união de países em desenvolvimento e criticou dependência tecnológica e econômica de superpotências.

Ipolítica, com informações da Agência Brasil

Lula afirma que Sul Global pode mudar lógica econômica mundial e defende fortalecimento do Brics e da ONU. (Ricardo Stuckert / PR)

ÍNDIA – O presidente Luiz Inácio Lula afirmou neste domingo (22) que o Sul Global pode mudar a lógica econômica do mundo, desde que os países em desenvolvimento atuem de forma conjunta. A declaração foi feita antes do embarque para a Coreia do Sul, ao fim da visita oficial à Índia.

Segundo Lula, na negociação isolada com superpotências, países menores tendem a sair prejudicados.

“Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos”, afirmou.

Sul Global 

De acordo com o presidente, os países em desenvolvimento têm potencial para alterar a lógica econômica do mundo, mas precisam construir alianças estratégicas.

“Continuamos colonizados do ponto de vista tecnológico e econômico. Precisamos construir parcerias com quem tem similaridades conosco”, declarou.

Lula defendeu que a união do Sul Global pode fortalecer a posição dessas nações no cenário internacional.

Brics e comércio em moedas locais

O presidente avaliou que o Brics tem contribuído para essa nova configuração econômica.

“O Brics está ganhando uma cara. Criamos um banco. Tudo ainda é novo”, afirmou.

Lula voltou a negar que o grupo pretenda criar uma moeda própria. Segundo ele, a proposta é ampliar o comércio em moedas locais para reduzir dependências e custos.

“Nunca defendemos criar uma moeda dos Brics. Defendemos fazer comércio com nossas próprias moedas”, disse.

Defesa do multilateralismo 

Lula também defendeu o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e do multilateralismo.

Segundo o presidente, a ONU precisa recuperar legitimidade e representatividade para atuar na mediação de conflitos internacionais.

Ele citou episódios recentes na Venezuela, Gaza e Ucrânia e criticou intervenções unilaterais de grandes potências.

Relação com os Estados Unidos

Ao comentar a relação com os EUA, Lula afirmou que está disposto a dialogar com o presidente Donald Trump sobre o papel norte-americano na América do Sul.

“Quero discutir qual é o papel dos EUA na América do Sul, se é de ajuda ou ameaça”, declarou.

Lula disse ainda que o Brasil está disposto a cooperar no combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.

Parcerias com a Índia 

Durante a visita à Índia, Lula destacou a ampliação das relações comerciais e o interesse de empresários indianos em investir no Brasil.

O presidente reafirmou que o país está aberto à exploração de minerais críticos e terras raras, desde que haja agregação de valor em território nacional.

“O processo de transformação precisa acontecer no Brasil”, afirmou.

Próxima agenda

Após a agenda na Índia, Lula segue para Seul, onde será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, voltado à elevação do relacionamento bilateral para uma parceria estratégica.

Esta é a quarta visita de Lula à Índia e a terceira à Coreia do Sul, sendo a primeira com status de visita de Estado ao país asiático.

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