ÍNDIA – O presidente Luiz Inácio Lula afirmou neste domingo (22) que o Sul Global pode mudar a lógica econômica do mundo, desde que os países em desenvolvimento atuem de forma conjunta. A declaração foi feita antes do embarque para a Coreia do Sul, ao fim da visita oficial à Índia.
Segundo Lula, na negociação isolada com superpotências, países menores tendem a sair prejudicados.
“Sempre defendemos que países pequenos se unam para negociar com os maiores. Países como Índia, Brasil, Austrália e outros do Sul Global precisam estar juntos”, afirmou.
Sul Global
De acordo com o presidente, os países em desenvolvimento têm potencial para alterar a lógica econômica do mundo, mas precisam construir alianças estratégicas.
“Continuamos colonizados do ponto de vista tecnológico e econômico. Precisamos construir parcerias com quem tem similaridades conosco”, declarou.
Lula defendeu que a união do Sul Global pode fortalecer a posição dessas nações no cenário internacional.
Brics e comércio em moedas locais
O presidente avaliou que o Brics tem contribuído para essa nova configuração econômica.
“O Brics está ganhando uma cara. Criamos um banco. Tudo ainda é novo”, afirmou.
Lula voltou a negar que o grupo pretenda criar uma moeda própria. Segundo ele, a proposta é ampliar o comércio em moedas locais para reduzir dependências e custos.
“Nunca defendemos criar uma moeda dos Brics. Defendemos fazer comércio com nossas próprias moedas”, disse.
Defesa do multilateralismo
Lula também defendeu o fortalecimento da Organização das Nações Unidas (ONU) e do multilateralismo.
Segundo o presidente, a ONU precisa recuperar legitimidade e representatividade para atuar na mediação de conflitos internacionais.
Ele citou episódios recentes na Venezuela, Gaza e Ucrânia e criticou intervenções unilaterais de grandes potências.
Relação com os Estados Unidos
Ao comentar a relação com os EUA, Lula afirmou que está disposto a dialogar com o presidente Donald Trump sobre o papel norte-americano na América do Sul.
“Quero discutir qual é o papel dos EUA na América do Sul, se é de ajuda ou ameaça”, declarou.
Lula disse ainda que o Brasil está disposto a cooperar no combate ao narcotráfico e ao crime organizado transnacional.
Parcerias com a Índia
Durante a visita à Índia, Lula destacou a ampliação das relações comerciais e o interesse de empresários indianos em investir no Brasil.
O presidente reafirmou que o país está aberto à exploração de minerais críticos e terras raras, desde que haja agregação de valor em território nacional.
“O processo de transformação precisa acontecer no Brasil”, afirmou.
Próxima agenda
Após a agenda na Índia, Lula segue para Seul, onde será adotado o Plano de Ação Trienal 2026-2029, voltado à elevação do relacionamento bilateral para uma parceria estratégica.
Esta é a quarta visita de Lula à Índia e a terceira à Coreia do Sul, sendo a primeira com status de visita de Estado ao país asiático.
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