Comissão Nacional da Verdade

Comissão da Verdade inicia investigações na Região Tocantina

Além dos depoimentos, serão colhidas amostras de sangue de parentes do líder Epaminondas.

Diana Cardoso/Imirante Imperatriz

- Atualizada em 27/03/2022 às 12h02

IMPERATRIZ - A Comissão Nacional da Verdade (CNV) iniciou, nesta segunda (21), o trabalho de investigação no município de Porto Franco, distante 102 km de Imperatriz, de pessoas que foram torturadas e mortas durante a Ditadura Militar, como o líder camponês Epaminondas Gomes de Oliveira, morto sob custódia do Exército em 20 de agosto de 1971.

Pela manhã, a Comissão da Verdade fez visitas às autoridades do munícipio. Eles reuniram-se na prefeitura, na presença do prefeito Anderson Marinho. Em seguida, conheceram o Ponto de Cultura da cidade, visitaram o Ministério Público, representado pela promotora Ana Claúdia e o Fórum de Justiça, na presença do juiz Armindo Nascimento. O município disponibilizou uma psicóloga para dar assistência às famílias que, ainda hoje, sofrem com o desaparecimento dos parentes.

Durante a tarde, representantes da equipe colheram depoimentos e amostras de sangue de parentes de Epaminondas Gomes de Oliveira para a confirmação do material genético encontrado nos restos mortais sepultados em Brasília (DF).

Na terça feira (22), as visitas às famílias continuarão e, na quarta-feira (23), os integrantes da CNV vão a Tocantinópolis (TO) visitar uma ilha que foi usada como base para Epaminondas para realizar as reuniões no período da ditadura.

Segundo o coordenador do grupo, Daniel Lerner, a finalidade da CNV na região é fazer a reconstituição histórica e trazer um processamento desses casos a fim de promover e garantir os direitos da família que não puderam sepultar os parentes. “Não foram só guerrilheiros que foram perseguidos, líderes políticos também, e o caso do Epaminondas é prioridade porque ficou desaparecido e merece uma resposta urgente aos familiares e à sociedade. Temos a convicção que achamos ele e, para garantir a confirmação, vamos fazer exame de DNA", afirma.

Epaminondas Neto de Oliveira está confiante no trabalho que vem sendo realizado pelos integrantes da CNV e afirma que o único crime que seu avó cometeu foi o de lutar por direito de liberdade de expressão. “Meu avó foi um homem íntegro, lutou pela igualdade dos moradores deste município, se preocupava com a educação, saúde e, como ele mesmo dizia, 'ninguém muda os meus ideais'. Ele defendia o seu pensamento em prol das pessoas”, explica.

Outros nomes, identificados por ‘Zé Marcelino, Abrão, Abelardo, Pedro, Morais e Euclides, também serão investigados durante a visita.

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