Itamaraty vê possível ingerência em visita de assessor de Trump a Bolsonaro
Ministério das Relações Exteriores afirmou ao STF que encontro entre assessor de Donald Trump e Jair Bolsonaro, preso por tentativa de golpe, pode representar interferência em assuntos internos do Brasil.
BRASIL - O Ministério das Relações Exteriores do Brasil afirmou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que a possível visita de um assessor de Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro pode representar ingerência externa em assuntos internos do Brasil.
A manifestação foi enviada ao STF após solicitação do ministro Alexandre de Moraes, relator do processo que levou Bolsonaro à prisão. A defesa do ex-presidente pediu autorização para que o assessor de Trump, Darren Beattie, visite Bolsonaro na prisão.
Bolsonaro cumpre pena de 27 anos de prisão por envolvimento na tentativa de golpe de 2022 e está detido no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha.
Itamaraty alerta para possível ingerência
Em documento enviado ao STF, o chanceler Mauro Vieira afirmou que a visita do assessor de Trump pode ser interpretada como interferência política externa.
Segundo ele, a presença de um representante do governo norte-americano em encontro com um ex-presidente preso, especialmente em ano eleitoral, levanta preocupações diplomáticas.
“Cumpre observar, por oportuno, que a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-Presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”, afirmou Mauro Vieira.
Pedido de visita partiu da defesa de Bolsonaro
A solicitação para que o assessor de Trump visitasse Bolsonaro foi apresentada pela defesa do ex-presidente ao ministro Alexandre de Moraes.
Inicialmente, Moraes autorizou a visita para o dia 18 de março, em data diferente da solicitada pelos advogados. A defesa recorreu da decisão e pediu que o encontro ocorra no dia 17, alegando que Darren Beattie estará em São Paulo para participar de um evento sobre minerais críticos e terras raras.
Como resposta ao recurso, Moraes solicitou ao Itamaraty informações sobre a agenda diplomática do assessor de Trump no Brasil.
Reuniões diplomáticas ainda não foram confirmadas
O Ministério das Relações Exteriores informou que, até o momento, não há confirmação de compromissos oficiais do assessor de Trump no país.
De acordo com o Itamaraty:
- A Embaixada dos Estados Unidos solicitou reunião com a Coordenação-Geral de Combate a Ilícitos Transnacionais.
- Também foi pedido um encontro com a Secretaria de Europa e América do Norte do ministério.
- Ambos os pedidos ainda não tiveram confirmação oficial.
O chanceler também ressaltou que, quando o visto foi solicitado para Darren Beattie, não havia menção a encontros políticos ou visitas fora do objetivo oficial da viagem.
“O processamento e a concessão do visto ocorreram exclusivamente com base na justificativa então apresentada pelo Departamento de Estado”, informou o ministro.
Pedido de visita não passou pelo Itamaraty
No documento enviado ao STF, Mauro Vieira também afirmou que o pedido para que o assessor de Trump visitasse Bolsonaro não foi comunicado ao ministério.
Segundo ele, a solicitação foi feita diretamente pelos advogados do ex-presidente.
“Trata-se de solicitação realizada em momento posterior ao encaminhamento do pedido de visto (...) e que não guarda relação com os propósitos da viagem originalmente informados pelo governo norte-americano”, declarou o chanceler.
Agora, caberá ao ministro Alexandre de Moraes decidir se autoriza ou não a visita do assessor de Trump ao ex-presidente Jair Bolsonaro.
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