BRASÍLIA – A tensão entre a Polícia Federal (PF) e o ministro Dias Toffoli aumentou nos últimos dias após decisão do magistrado sobre a segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura irregularidades no caso Master. O episódio passou a preocupar outros ministros do Supremo Tribunal Federal.
O atrito teve início depois que Toffoli designou, sem consultar a direção da PF, quatro peritos escolhidos por ele para atuar na extração de dados do material apreendido, em conjunto com a Procuradoria-Geral da República. Além da escolha direta, o ministro determinou a divulgação dos nomes dos peritos, medida que causou forte incômodo dentro da corporação.
Reação da Polícia Federal
Na avaliação de dirigentes da PF, a exposição pública dos peritos vai contra práticas adotadas pelo órgão, que costuma preservar a identidade dos profissionais para garantir segurança e liberdade de atuação.
Internamente, a decisão foi interpretada como uma forma de intimidação, já que os peritos podem se tornar alvo de acusações de vazamento de informações extraídas dos aparelhos apreendidos.
A escolha unilateral também foi classificada por integrantes da PF como “exótica”, com a leitura de que Toffoli teria decidido “dobrar a aposta” contra a Polícia Federal, tentando assumir maior controle sobre as investigações relacionadas ao caso Master.
Segundo relatos, embora o ministro tenha tentado sinalizar uma redução do mal-estar ao permitir a participação de peritos da PF na extração dos dados, a divulgação dos nomes foi vista como uma atitude “muito estranha” e fora dos padrões usuais de condução de investigações.
Cautela no STF
O aumento do atrito levou ministros do STF a recomendar cautela na condução do caso no tribunal. Há receio de que o embate entre Toffoli e a Polícia Federal acabe se revertendo contra a própria Corte.
De acordo com esses ministros, as investigações apontam para um esquema de fraudes bancárias de grande repercussão, e qualquer percepção de que o Supremo estaria dificultando os trabalhos pode gerar desgaste institucional significativo.
Histórico de conflitos no caso Master
A relação entre Toffoli e a PF já vinha se deteriorando desde a decisão do ministro de transferir o caso da Justiça Federal para o STF. A justificativa apresentada, a existência de um documento relacionado a uma negociação imobiliária entre um deputado e Daniel Vorcaro, é alvo de críticas de investigadores e especialistas, por não ter ligação direta com as fraudes apuradas.
Na sequência, Toffoli determinou a realização de uma acareação mesmo sem contradições formais entre os investigados, o que gerou atrito com a delegada responsável pelo inquérito.
Mais recentemente, o ministro retirou da Polícia Federal a custódia dos celulares e computadores apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero.
Risco de perda de provas
A demora na extração dos dados dos celulares preocupa a PF, que teme a possibilidade de apagamento remoto de informações por meio de nuvens. As medidas adotadas por Toffoli, como a determinação para que os aparelhos permaneçam desconectados de redes telefônicas e de wi-fi, reduzem o risco, mas não o eliminam completamente.
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