SÃO LUÍS - Começa, nesta terça-feira (14), o julgamento de José Coelho de Oliveira, acusado de atropelar e matar o ciclista Edson Soares em setembro de 2023, na Avenida Litorânea, em São Luís. O caso será julgado no Fórum Sarney Costa, em São Luís.
Edson Soares, de 54 anos, morreu após ser atropelado e arrastado por cerca de 30 metros na Avenida Litorânea, enquanto trafegava de bicicleta pelo local. O condutor fugiu do local sem prestar socorro, deixando a vítima no local. Natural do Rio de Janeiro, Edson morava em São Luís, trabalhava como médico intensivista e praticava ciclismo na orla.
Em entrevista à TV Mirante, Thaís Soares, esposa de Edson Soares, lamentou a perda de quase 23 anos de união. "Nunca mais será a mesma coisa. Minha filha ficou sem pai", diz Thaís, emocionada.
Além de falar sobre a morte de Edson Soares, Thaís Soares ressaltou que o marido sempre foi um ciclista cuidadoso, que utilizava sinalizações luminosas, mas não conseguiu evitar o atropelamento mesmo com esses cuidados.
Detalhes do caso e o impacto no julgamento
A morte de Edson Soares gerou grande repercussão e mobilizou a comunidade de ciclistas da Grande Ilha. Segundo informações do Batalhão de Polícia Militar de Turismo do Maranhão (BPTur), o impacto foi tão severo que o ciclista foi encontrado já sem vida no local do acidente. O episódio reforçou as discussões sobre a imprudência no trânsito, com alertas sobre motoristas que dirigem distraídos pelo uso de celular ou sob efeito de álcool.
Após a tragédia, algumas medidas foram tomadas, como o bloqueio da Avenida Litorânea para veículos motorizados durante os fins de semana. No entanto, para especialistas e frequentadores da área, a morte de Edson Soares evidenciou a necessidade de mudanças estruturais mais profundas para garantir a segurança para ciclistas.
Infraestrutura cicloviária em debate no Maranhão
O julgamento ocorre em um contexto de críticas sobre a infraestrutura cicloviária do Maranhão. Dados do IBGE apontam que o estado possui uma das piores malhas do Brasil, com apenas 0.5% de suas vias devidamente sinalizadas para bicicletas. Isso representa menos de 5 km de ciclovias para cada 1.000 km de ruas e avenidas, um índice muito inferior ao de estados como Santa Catarina, que lidera o ranking nacional.
Mobilidade urbana e segurança para ciclistas
Para especialistas em mobilidade, a solução para evitar novos casos como o do atropelamento Litorânea passa pela integração das vias. Entre as sugestões estão:
- Criação de ciclovias que conectem os terminais de integração aos municípios da Grande Ilha.
- Melhoria na iluminação e sinalização noturna, como o uso de luzes e pisca-piscas pelos ciclistas.
- Implementação de calçadas adequadas para pedestres integradas ao transporte metropolitano.
A expectativa da família e de grupos de ciclismo é que o julgamento resulte em justiça e sirva de alerta para a conscientização de motoristas na capital.
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