IMPERATRIZ – O período mais importante no ano litúrgico da Igreja Católico, a Semana Santa, que celebra de modo especial os mistérios da paixão, morte e ressurreição de Jesus Cristo, é um momento propício a reflexão, jejum, oração e partilha para muitos fiéis católicos. Mas, com o passar dos anos, a tradição cristã deixou de ser, para alguns, um período de vivência da fé, e os valores religiosos repassados de pais para filhos foram se perdendo.
De acordo com a doutora em Antropologia e professora na Universidade Federal do Maranhão (UFMA) Vanda Pantoja, a Semana Santa simbolicamente representa o tempo do martírio e morte de Cristo e, para quem é religioso, uma serie de tabus e interditos, sobretudo de natureza alimentar, são colocados como regras, mas, a religião como a uma dimensão da cultura passou por mudanças sociais.
“Para o homem religioso a Semana Santa não é apenas um tempo de recordar o martírio, morte e ressureição de Cristo, mas o próprio reviver em illo tempore do fato ocorrido. A religião como uma dimensão da cultura passa por mudanças como qualquer outra e não está fora dos processos gerais de mudança que passa a sociedade, assim como das influências pelas quais passam as demais instâncias da vida, a exemplo da economia”, afirma a professora.
O padre da Catedral de Fátima, Valdeci Martins, explica que é a data mais importante da Igreja Católica e representa o momento alto da espiritualidade e da fé, pois nesse período, que começa com o Domingo de Ramos e segue até o domingo da ressurreição, os fiéis são convidados à conversão e renovação de vida.
“Para igreja é um grande momento, em que demonstramos o auge da nossa fé. A Semana Santa deve nos impulsionar o encontro com o cristo ressuscitado. Que a igreja nasce a partir da ressurreição de Cristo e onde celebramos o tríduo pascoal”, diz o padre.
No entanto, o padre lembra que muitas pessoas estão se distanciando de Deus, e o período santo, que deveria ser marcado pela abstinência da carne vermelha, penitência, oração e reflexão remetendo o exemplo de Jesus Cristo, em busca de novas atitudes, mais solidárias e humildes, são deixadas de lado. “Percebemos que muitas pessoas estão se distanciando de Deus, e quando isso acontece, existe, também, um distanciamento dos mistérios”, afirma.
Família
O padre ressalta, ainda, que os valores religiosos devem ser transmitidos e vividos primeiramente em casa, com a família. “A família incentiva a viver estes momentos fortes. A celebração primeira ocorre em casa. A família reza e a igreja convida para oração em comunidade. Antigamente, da segunda-feira até o domingo de Páscoa, as pessoas viviam momento de oração, jejum, prática da esmola e caridade”, lembra o padre.
Distanciamento
O representante comercial Ricardo Araújo, de 32 anos, diz que foi criado numa família católica e vivenciou com a família quando criança a demonstração de fé no período da Semana Santa mas, atualmente, confessa que não vive o momento com a mesma religiosidade cristã de antigamente.
“Sei nem explicar direito, porque hoje não faço as penitências que meus avôs faziam neste período, era muita oração e jejum. Também, com a correria e o desleixo mesmo, quase não vou à igreja, às vezes somente em tempo de festejo”, confessa.
Exemplo de fé
Já o jovem estudante e catequista Pedro Artur Figueiredo, 23 anos, é católico praticante e faz questão de viver o momento Quaresmal da Semana Santa como manda a tradição e a doutrina da Igreja Católica.
“Primeiramente, muita oração diariamente, o jejum, a confissão são momentos cruciais para o fiel. As penitências também são importantes, não só alimentação, mas a postura, gestos para aumentar a minha espiritualidade e uma proximidade maior com Deus”, ressalta.
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