fim da escala 6x1

CCJ do Senado aprova proposta para o fim da escala 6x1

A CCJ do Senado aprovou a PEC que prevê o fim da escala 6x1 com redução da carga para 40 horas semanais. Veja os prazos de transição e o impacto.

Ipolítica, com informações do G1

CCJ do Senado aprova PEC que prevê fim da escala 6x1, mas proposta ainda precisa ser votada em dois turnos pelo plenário. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

BRASIL – A Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado aprovou nesta quarta-feira (2) a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala 6x1. O texto ainda precisa ser votado em dois turnos pelo plenário do Senado, mas não há, até o momento, uma data definida para a análise.

A proposta estabelece a redução gradual da jornada máxima de trabalho de 44 para 40 horas semanais, sem redução salarial, além da garantia de dois dias de descanso remunerado por semana.

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A votação na CCJ ocorreu de forma simbólica. Os senadores Rogério Marinho (PL-RN), Jaime Bagattoli (PL-RO), Hamilton Mourão (Republicanos-RS) e Tereza Cristina (PP-MS) solicitaram o registro de voto contrário à proposta.

O relator, senador Omar Aziz (PSD-AM), manteve o texto aprovado pela Câmara dos Deputados e rejeitou as mudanças apresentadas por parlamentares da oposição. A estratégia busca acelerar a tramitação, já que, caso o Senado aprove o mesmo texto, a PEC não precisará retornar à Câmara.

PEC ainda depende do plenário

Apesar da aprovação na CCJ, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não garantiu quando a proposta será analisada pelo plenário.

Aliados do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendem que a votação ocorra ainda nesta semana. Para ser aprovada, uma PEC precisa passar por dois turnos de votação no plenário do Senado.

Após a aprovação, caso o texto seja exatamente o mesmo que já passou pela Câmara, a proposta poderá ser promulgada pelo Congresso.

A PEC estava parada no Senado havia quase três meses e avançou após a reaproximação política entre Lula e Alcolumbre.

Oposição critica proposta

O líder da oposição no Senado, Rogério Marinho, criticou a decisão de Alcolumbre de não permitir a tramitação conjunta da PEC do governo com uma proposta alternativa apresentada por ele.

Marinho defende um modelo de livre negociação entre empregador e trabalhador, com remuneração por hora trabalhada. Para o senador, a proposta em discussão teria caráter eleitoreiro e estaria sendo priorizada pelo governo em razão das eleições.

Já a líder do governo no Senado, Teresa Leitão (PT-PE), afirmou que o avanço da PEC ocorre devido ao forte apoio popular à mudança.

A senadora também defendeu que os candidatos às eleições se posicionem sobre o fim da escala 6x1.

Eduardo Braga propõe PEC paralela

Durante a discussão na CCJ, o líder do MDB, senador Eduardo Braga (MDB-AM), anunciou que pretende apresentar uma PEC paralela para reduzir os possíveis impactos econômicos da mudança.

A proposta teria como objetivo estabelecer uma transição gradual e permitir maior flexibilidade na organização das jornadas, inclusive por meio de negociação coletiva.

Braga também citou medidas como ampliação do banco de horas, compensação anual, modernização do trabalho parcial e por turnos e desoneração da folha de pagamentos.

Segundo o senador, a mudança para uma jornada menor poderá exigir novas contratações em setores que funcionam continuamente, elevando os custos das empresas.

Como funcionará o fim da escala 6x1?

A PEC prevê que a jornada semanal passe de 44 para 40 horas, mantendo o limite de oito horas diárias de trabalho.

A escala 6x1 permite atualmente que as 44 horas semanais sejam distribuídas em seis dias de trabalho, com um dia de descanso. Pela proposta, o trabalhador terá dois dias de descanso remunerado por semana, preferencialmente um deles aos domingos.

A mudança será feita de forma gradual:

  • Dois meses após a promulgação: jornada máxima de 42 horas semanais e dois dias de descanso remunerado;
  • 12 meses depois: jornada máxima de 40 horas semanais.

A proposta estabelece ainda que a mudança não será aplicada aos trabalhadores com diploma de curso superior que recebam mais de 2,5 vezes o teto do INSS. Segundo o texto em discussão, esse valor corresponde a mais de R$ 21.188 por mês.

Negociação deve definir adaptação em alguns setores

A proposta prevê possibilidades de negociação coletiva para atividades que possuem funcionamento contínuo ou escalas diferenciadas.

Setores como comércio, gastronomia, logística, saúde e serviços poderão precisar reorganizar jornadas e equipes para se adaptar aos novos limites.

A forma de implementação poderá ser discutida em acordos ou convenções coletivas, especialmente nos segmentos que dependem de funcionamento contínuo.

O que acontece agora?

Com a aprovação na CCJ, a PEC está apta a seguir para o plenário do Senado. Ainda será necessário que Alcolumbre defina quando a matéria será incluída na pauta.

Se aprovada em dois turnos sem alterações em relação ao texto da Câmara, a proposta poderá ser promulgada pelo Congresso e começará a produzir efeitos conforme o período de transição estabelecido.

Até que a PEC seja aprovada e promulgada, a escala 6x1 e a jornada máxima de 44 horas semanais continuam valendo conforme as regras atuais.

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