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Governo não prevê solução rápida para tarifaço dos EUA

Governo Lula negocia com os Estados Unidos após tarifas de 37,5% atingirem produtos brasileiros, mas descarta solução rápida antes de outubro.

Ipolítica, com informações do G1

Governo Lula retoma negociações com os EUA sobre o tarifaço, mas avalia que um acordo para reduzir as tarifas não deve sair antes de outubro. (Jornal Nacional/ Reprodução)

BRASIL – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não espera uma solução rápida para o tarifaço imposto pelos Estados Unidos a produtos brasileiros, mesmo após a retomada das negociações entre os dois países. Segundo integrantes do governo envolvidos nas tratativas, um eventual acordo dificilmente será fechado antes do fim das eleições, em outubro.

A próxima rodada de negociações está marcada para segunda-feira (31), quando representantes dos governos brasileiro e norte-americano devem discutir os pontos que poderão fazer parte de um possível entendimento comercial.

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A expectativa do Brasil é que os Estados Unidos apresentem quais concessões esperam do governo brasileiro para avançar nas negociações. A partir disso, os dois países deverão aprofundar as conversas por setores da economia.

Brasil e EUA retomam negociações sobre o tarifaço

O ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer, participarão de uma reunião virtual na segunda-feira, às 14h30, no horário de Brasília.

O encontro será a primeira etapa de uma agenda definida pelos dois governos para retomar as negociações técnicas sobre as barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

A retomada das conversas ganhou força após uma ligação entre Lula e o presidente norte-americano Donald Trump, realizada na semana passada. Os dois discutiram principalmente as tarifas aplicadas aos produtos brasileiros.

O governo brasileiro planeja estruturar um roteiro setorial para organizar as conversas com os Estados Unidos, priorizando bens de capital, o setor automotivo e o químico.

A reunião de segunda-feira deve servir como preparação para novas conversas técnicas e futuras negociações entre os ministros dos dois países.

Etanol e açúcar estão entre os pontos de negociação

O comércio de etanol está entre os temas que podem ser discutidos. Atualmente, o Brasil cobra uma tarifa de 18% sobre o etanol de milho importado dos Estados Unidos. Antes da aplicação do novo tarifaço, os norte-americanos cobravam 12,5% sobre o etanol brasileiro.

Segundo integrantes do governo Lula, o Brasil poderia reduzir a tarifa cobrada sobre o etanol dos Estados Unidos caso o governo norte-americano diminua as barreiras para a entrada do açúcar brasileiro.

Os Estados Unidos trabalham com cotas para a importação de açúcar com tarifa reduzida. O Brasil, maior produtor mundial da commodity, pode exportar 155 mil toneladas por ano dentro dessa cota.

O governo brasileiro considera o volume insuficiente. As exportações que ultrapassam o limite podem sofrer uma tarifa de até 100%.

Governo mantém possibilidade de retaliação

Além das negociações, o governo brasileiro mantém em andamento o processo para aplicar medidas de reciprocidade contra os Estados Unidos.

A possibilidade prevê a adoção de tarifas sobre produtos norte-americanos caso o governo brasileiro conclua que a medida é necessária diante das barreiras impostas pelos EUA.

O tema deve ser levado para a próxima rodada de negociações. A estratégia brasileira é pressionar por avanços nas conversas enquanto mantém aberta a possibilidade de utilizar a legislação de reciprocidade.

Caso não haja acordo nos próximos meses, o processo poderá ser concluído e o governo terá de decidir se aplica as medidas previstas.

Entenda o tarifaço dos Estados Unidos

Neste ano, os Estados Unidos anunciaram duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros.

A primeira acrescentou 25% sobre parte das exportações brasileiras após uma investigação comercial conduzida pelo governo norte-americano. Entre as justificativas apresentadas pelos EUA estavam acusações de que o Brasil adota práticas que oneram ou restringem o comércio entre os dois países.

Posteriormente, os Estados Unidos anunciaram uma segunda sobretaxa de 12,5%, relacionada a outra investigação comercial.

Com as duas medidas, parte dos produtos brasileiros passou a enfrentar uma tarifa total de 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

Apesar disso, milhares de produtos foram excluídos das cobranças adicionais, entre eles petróleo, café e carne bovina. Outros setores, como calçados, máquinas, madeira e açúcar, permaneceram sujeitos à tarifa máxima.

A expectativa do governo brasileiro é que a retomada das negociações permita ampliar a lista de produtos que ficam fora das tarifas e, posteriormente, abrir espaço para um acordo que reduza os impactos do tarifaço sobre as exportações brasileiras.

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