Comércio Exterior

Governo brasileiro considera tarifaço dos EUA ilegal e busca acordo até dezembro

Ministro do Desenvolvimento classifica sobretaxa dos EUA como abusiva e projeta minimizar impactos comerciais até o fim do ano.

Imirante, com informações do G1

Governo espera amenizar até dezembro os efeitos do tarifaço dos EUA. Ministro Márcio Elias Rosa classifica sobretaxa como ilegal e abusiva. (Tomaz Silva/Agência Brasil)

BRASIL – O governo brasileiro espera conseguir amenizar, até dezembro, os efeitos do tarifaço dos EUA sobre produtos brasileiros, segundo o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa. Nesta quarta-feira (19), ele classificou a sobretaxa aplicada pelos Estados Unidos ao Brasil como "ilegal", "indevida" e "abusiva".

A declaração foi dada durante entrevista após o Fórum Saúde EMS Esfera - Soberania e Tecnologia: Impulsionando a Indústria Nacional.

Clique aqui para seguir o canal do Imirante no WhatsApp

Apesar das críticas às medidas adotadas pelo governo norte-americano, o ministro afirmou que o Brasil deve manter as negociações com os Estados Unidos e, ao mesmo tempo, adotar medidas para se defender dos impactos comerciais provocados pelo tarifaço dos EUA.

Segundo Elias Rosa, o governo brasileiro trabalha em um processo de reciprocidade comercial para avaliar as medidas que poderão ser adotadas diante das tarifas.

"Acho que não dará não terá tempo para terminar antes de dezembro nenhum processo de reciprocidade, mas a minha expectativa é que a gente consiga negociar e resolver ou pelo menos aplacar minimamente as questões com os Estados Unidos antes do final do ano", declarou.

Governo avalia medidas contra tarifaço dos EUA

O ministro explicou que os ministérios envolvidos receberam um prazo de 60 dias para levantar informações sobre os efeitos das medidas norte-americanas e avaliar possíveis respostas.

Ao fim desse período, o governo deverá elaborar um relatório com detalhes sobre os principais aspectos da sobretaxa e seus possíveis impactos sobre a economia brasileira.

"Nós vamos elaborar um relatório, daqui a provavelmente 60 dias, discriminando, detalhando quais são os aspectos mais relevantes da participação, da medida que foi imposta e quais os efeitos que ela possa reproduzir", afirmou Elias Rosa.

O processo de reciprocidade deverá servir como base para que o governo brasileiro avalie alternativas diante das barreiras comerciais impostas pelos Estados Unidos.

Estados Unidos aplicaram novas tarifas ao Brasil

Em meados de julho, os Estados Unidos anunciaram uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros. A medida entrou em vigor acompanhada de uma extensa lista de itens que ficaram isentos da cobrança.

Na justificativa para a decisão, o governo do presidente Donald Trump afirmou que o Brasil adota práticas que "oneram ou restringem" o comércio com os Estados Unidos.

Entre os temas citados pelos norte-americanos estavam:

  • o sistema de pagamentos Pix;
  • o acesso ao mercado brasileiro de etanol;
  • o desmatamento ilegal;
  • a pirataria.

No fim de julho, os Estados Unidos também anunciaram novas sobretaxas sobre 60 países, incluindo o Brasil. As alíquotas variaram entre 10% e 12,5%.

De acordo com o governo norte-americano, essa segunda medida foi resultado de uma investigação sobre práticas comerciais consideradas desleais relacionadas à importação de produtos fabricados com trabalho forçado.

Ministro defende continuidade das negociações

Mesmo diante das medidas adotadas pelos Estados Unidos, Márcio Elias Rosa defendeu a continuidade do diálogo entre os dois países.

Para o ministro, o Brasil deve continuar negociando para tentar reduzir os efeitos do tarifaço dos EUA, mas também precisa avançar na avaliação de mecanismos de defesa comercial.

A expectativa apresentada pelo governo é que as negociações possam produzir algum resultado antes do fim de 2026, ainda que o processo formal de reciprocidade não seja concluído até dezembro.

Entenda os próximos passos

  • Os ministérios terão 60 dias para reunir informações sobre os impactos das medidas.
  • O governo deverá elaborar um relatório sobre os efeitos da sobretaxa.
  • Brasil e Estados Unidos devem continuar as negociações comerciais.
  • O governo brasileiro avalia medidas de reciprocidade para responder às barreiras comerciais.
  • A expectativa do ministro é amenizar os efeitos do tarifaço dos EUA antes do fim do ano.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.