Judiciário

Desembargadora compara corte de penduricalhos a “regime de escravidão”

Magistrada do TJPA critica decisão do STF sobre penduricalhos e afirma que juízes enfrentam dificuldades financeiras e até para comprar remédios.

Ipolítica, com informações de O Globo

Atualizada em 21/04/2026 às 13h53
Desembargadora critica corte de penduricalhos pelo STF e compara situação da magistratura a regime de escravidão. (Reprodução)

BRASIL - A desembargadora Eva do Amaral Coelho, do Tribunal de Justiça do Pará, criticou decisões do Supremo Tribunal Federal que limitaram o pagamento dos chamados “penduricalhos” a magistrados. Durante sessão, ela comparou a nova realidade da categoria a um “regime de escravidão”.

Críticas ao corte de penduricalhos

A magistrada afirmou que a retirada de benefícios tem gerado insegurança financeira entre os membros do Judiciário e criticou a forma como o tema vem sendo tratado.

Nós não temos direito mais a auxílio alimentação, nós não temos direito a receber uma gratificação por direção de fórum. Vou ser cortada, já cortaram. Enfim, daqui a pouco a gente vai estar no rol daqueles funcionários que trabalham em regime de escravidão”.

Ela também questionou o uso do termo “penduricalhos”, classificando a expressão como inadequada.

Impactos apontados por magistrados

Segundo Eva, os efeitos das mudanças já são sentidos na rotina da magistratura, com relatos de dificuldades financeiras e restrições no acesso a serviços básicos.

Hoje, a gente vive uma tensão enorme, porque não sabe se vai ter, daqui a algum tempo, como pagar nossas contas. Colegas estão deixando de frequentar gabinete de médicos porque não vão poder pagar consulta. Outros estão deixando de tomar remédios, entendeu? Então, a situação que a magistratura vive hoje é essa

Novas regras definidas pelo STF

As medidas foram adotadas após decisão do STF, relatada pelo ministro Flávio Dino, que limitou os adicionais recebidos por magistrados.

As principais mudanças incluem:

  • Limite de até 70% do teto constitucional para benefícios
  • Teto base de R$ 46,3 mil
  • Previsão de economia de bilhões aos cofres públicos

Apesar disso, o Supremo manteve alguns adicionais, como pagamento por tempo de serviço e verbas indenizatórias.

Remuneração e debate público

Dados oficiais indicam que a desembargadora recebeu remuneração elevada ao longo de 2025, com valores que ultrapassam R$ 970 mil no ano.

O tema segue em debate e envolve discussões sobre limites salariais, transparência e controle de gastos no Judiciário após as novas regras impostas pelo STF.

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