BRASÍLIA – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliam que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva entrou em “modo campanha” ao adotar uma estratégia de distanciamento público da Corte no caso envolvendo o Banco Master.
A leitura dentro do STF é que o movimento busca reduzir o desgaste eleitoral e evitar a associação entre governo e Judiciário.
Declaração de Lula
A avaliação ganhou força após entrevista em que Lula afirmou ter aconselhado o ministro Alexandre de Moraes sobre o impacto do caso na imagem da Corte.
“Você construiu uma biografia histórica neste país com o julgamento do 8 de janeiro. Não permita que esse caso do Vorcaro jogue fora a sua biografia”, disse o presidente.
Lula também sugeriu que Moraes reforçasse publicamente sua imparcialidade, mencionando a atuação profissional da esposa do ministro.
Estratégia política
Nos bastidores, aliados do governo afirmam que a postura é estratégica. A avaliação no Palácio do Planalto é de que há uma percepção crescente de proximidade entre o governo e o STF, o que poderia gerar desgaste eleitoral.
Por isso, integrantes do governo defendem que Lula passe a marcar uma posição mais independente, reduzindo essa associação.
Segundo aliados, esse movimento já vinha sendo adotado de forma gradual e agora foi explicitado pelo presidente.
Reação no STF
No STF, a reação não foi positiva.
Ministros ouvidos avaliam que a estratégia gera irritação dentro da Corte e pode provocar ruídos na relação entre os Poderes.
Há também a percepção de que o movimento pode não trazer ganhos políticos e ainda tensionar a relação com aliados dentro do próprio tribunal.
Avaliação interna
De acordo com integrantes do STF, o distanciamento público pode ser interpretado como um gesto político em meio ao cenário eleitoral, o que reforça a leitura de que o presidente já atua em lógica de campanha.
A avaliação predominante é que a estratégia, além de não trazer benefícios claros, pode aumentar o desgaste institucional entre Executivo e Judiciário.
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