Caso Master

BC determinou duas auditorias nos precatórios do Master, mas não encontrou problemas

Em 2024, ao exigir auditoria externa, o Banco Central solicitou ao Master a apresentação de documentação que comprovasse a origem dos precatórios, a validação dos valores, parecer contábil e avaliação do risco de recebimento.

Com informações da Folha de S. Paulo

Vorcaro está preso pela Polícia Federal (Divulgação)

BRASÍLIA - O Banco Central do Brasil, sob a gestão do ex-presidente Roberto Campos Neto, determinou por duas vezes a realização de auditorias externas nos precatórios do Banco Master — títulos judiciais que representam obrigações de pagamento. As análises, no entanto, não identificaram irregularidades.

Os pareceres foram elaborados pelo escritório Galdino Advogados e pela KPMG, após questionamentos de agentes do mercado financeiro sobre a existência e a possível supervalorização desses ativos no balanço da instituição comandada por Daniel Vorcaro.

Banco Central solicitou documentações ao Master

A estratégia de aquisição de ativos considerados de maior risco e menor liquidez — como precatórios — era um dos principais pontos de atenção do mercado e, posteriormente, tornou-se foco de suspeitas. O balanço do Banco Master apresentava forte concentração nesses papéis, além de operações de crédito para empresas e investimentos em certificados de recebíveis imobiliários (CRIs).

Em 2024, ao exigir auditoria externa, o Banco Central solicitou ao Master a apresentação de documentação que comprovasse a origem dos precatórios, a validação dos valores, parecer contábil e avaliação do risco de recebimento. Também foi requerido o detalhamento do histórico de cessão dos direitos creditórios.

A determinação consta do ofício nº 5.582, expedido em 19 de março de 2024 pelo Departamento de Supervisão Bancária (Desup), conforme informações presentes em relatório da AudBancos — unidade de auditoria vinculada ao Tribunal de Contas da União.

O documento integra o relatório nº 12 de 2026, elaborado no âmbito de processo aberto pelo TCU para apurar a atuação do Banco Central nas tratativas relacionadas ao caso do Banco Master.

O material foi encaminhado ao relator do processo, o ministro Jhonatan de Jesus, que decidiu adiar o julgamento na semana passada. A justificativa foi aguardar o avanço das investigações conduzidas pela Controladoria-Geral da União, que apura a conduta de dois ex-dirigentes do Banco Central suspeitos de favorecimento à instituição financeira.

Em nota, o Galdino Advogados informou que sua atuação se restringiu à análise dos riscos jurídicos e à expectativa de recebimento dos créditos avaliados. Segundo o escritório, trata-se de serviço comum no mercado de compra de precatórios, voltado a interessados na aquisição de direitos decorrentes de decisões judiciais.

Ainda de acordo com a banca, o trabalho considerou aspectos como o andamento processual, os riscos envolvidos e o prazo estimado para pagamento, sem incluir avaliações de natureza econômica ou financeira dos ativos. O escritório não detalhou valores recebidos nem respondeu a todos os questionamentos sobre o serviço prestado.

Consultoria teria analisado valores contábeis de precatórios

Fontes ouvidas sob condição de anonimato afirmaram, por outro lado, que a consultoria também teria analisado os valores contábeis dos precatórios e pré-precatórios à luz dos preços de mercado, sem identificar inconsistências.

A KPMG, por sua vez, também não apontou irregularidades durante o período em que atuou como auditora do banco. Em comunicado, informou que deixou a função em 2025 e, por cláusulas de confidencialidade, não pode comentar casos envolvendo ex-clientes.

Procurados, o Banco Central e Roberto Campos Neto não se manifestaram até a publicação da reportagem.

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