Caso Master

Relatório aponta contratos do Master reconhecidos antes de envio ao BRB

Documentos de R$ 6,3 bilhões tiveram firma reconhecida dois dias antes de serem apresentados ao BRB; PF aponta créditos sem lastro

Ipolítica, com informações do g1

Relatório aponta irregularidades em contratos do Banco Master com o BRB; PF investiga créditos sem lastro e operações bilionárias. (Rovena Rosa/Agência Brasil)

BRASÍLIA – Um relatório interno do Banco de Brasília (BRB) apontou irregularidades em contratos entre o Banco Master e o BRB, envolvendo operações bilionárias de crédito entre o Banco Master e a empresa Tirreno.

Segundo o documento, contratos de R$ 6,3 bilhões tiveram firma reconhecida em cartório apenas dois dias antes de serem apresentados ao BRB.

Reconhecimento de firma levanta suspeitas

O relatório indica que os contratos foram assinados manualmente e tiveram reconhecimento de firma somente em 13 de maio de 2025, dois dias antes de serem enviados ao BRB e 19 dias após a última operação entre as empresas.

De acordo com o banco, esse intervalo levanta dúvidas sobre a formalização e a validade dos documentos.

“A assinatura física e o reconhecimento posterior podem levantar questionamentos quanto à tempestividade e à formalização adequada dos documentos”, diz trecho do relatório.

Operação bilionária entre Master e BRB

As carteiras de crédito consignado da Tirreno foram adquiridas pelo Banco Master por R$ 6,3 bilhões e, em seguida, repassadas ao BRB por R$ 11,5 bilhões.

As operações fazem parte de um conjunto maior de negociações que, segundo investigações, envolvem cerca de R$ 12 bilhões em ativos.

Créditos sem lastro

Investigações da Polícia Federal apontam que os ativos negociados não possuíam garantias financeiras, sendo classificados como créditos sem lastro.

A suspeita é que o Banco Master tenha adquirido esses créditos sem efetuar pagamento à Tirreno e os revendido rapidamente ao BRB.

Velocidade nas transações

O relatório também chama atenção para a rapidez das operações entre os bancos.

Segundo o documento, os créditos eram comprados pelo Master e transferidos ao BRB já no primeiro dia útil seguinte, o que exige maior rigor na análise documental e contábil.

Um dos casos citados envolve a compra de R$ 143,6 milhões em créditos no dia 4 de março, durante o Carnaval, e revenda ao BRB por R$ 251,2 milhões no dia seguinte.

Falta de transparência nas negociações

Outro ponto destacado é que o Banco Master teria omitido a participação da Tirreno como origem dos créditos.

A equipe do BRB só identificou a empresa como fonte das carteiras durante uma visita técnica realizada nos dias 29 e 30 de abril de 2025.

Cronologia das tratativas

De acordo com o relatório:

  • Em 5 de maio, o Master compartilhou documentos com o BRB
  • No dia seguinte, o BRB solicitou cópias registradas em cartório
  • Uma reunião prevista para 9 de maio foi adiada para 13 de maio
  • No dia 15 de maio, os contratos foram enviados formalmente

A reunião ocorreu sem a presença de representantes ligados à Tirreno.

Contexto da investigação

O relatório foi finalizado em 19 de maio de 2025, menos de dois meses após o BRB anunciar a intenção de adquirir 58% do Banco Master por R$ 2 bilhões.

A operação acabou barrada pelo Banco Central, que também determinou a liquidação do banco na mesma data em que foi preso o banqueiro Daniel Vorcaro.

As investigações seguem em andamento e apuram possíveis irregularidades nas operações financeiras entre as instituições.

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