BRASÍLIA – A bancada feminina do Senado completa cinco anos consolidando espaço político e ampliando influência nas decisões da Casa. O grupo, formado atualmente por 16 senadoras de nove partidos, tem conquistado cargos estratégicos, presidências de comissões e maior participação nas decisões legislativas.
Segundo a líder da bancada, a senadora Professora Dorinha Seabra, o trabalho coletivo das parlamentares vai além da defesa de pautas específicas das mulheres.
“Acho que é importante a gente quebrar uma imagem de que mulher só trata de assuntos ligados a projetos específicos de mulher. Não. Mulher não tem um cachotinho. A gente se preocupa com qualidade de vida, com urbanismo e com políticas públicas em geral”, disse.
Bancada feminina do Senado conquista espaço institucional
Nos últimos anos, a bancada feminina do Senado passou a ocupar posições estratégicas na estrutura do Parlamento.
Entre as conquistas estão:
- presidência de comissões importantes, como Orçamento e Relações Exteriores;
- participação na Mesa Diretora;
- presença garantida em comissões parlamentares de inquérito;
- criação da liderança formal da bancada feminina.
Para Dorinha Seabra, essas mudanças representam avanços institucionais importantes.
“Hoje essa bancada está institucionalizada. A gente não tinha nem espaço físico. E não queremos admitir mais o que aconteceu no início desta legislatura, quando ficamos sem nenhuma vaga na Mesa”, afirmou.
Mulheres ampliam presença na Mesa Diretora do Senado
A ampliação do protagonismo feminino também se reflete na atual composição da Mesa Diretora do Senado.
Hoje, cargos estratégicos são ocupados por mulheres, como a Primeira-Secretaria, responsável pela gestão administrativa e financeira da Casa, comandada pela senadora Daniella Ribeiro.
Também fazem parte da Mesa as senadoras Ana Paula Lobato e Soraya Thronicke.
Segundo Dorinha, a criação da liderança da bancada feminina também ampliou a capacidade de atuação política do grupo.
“Ter uma liderança da bancada feminina é algo absolutamente inédito. Isso nos trouxe um protagonismo importante e também a possibilidade de colocar em pauta projetos de interesse das senadoras”, disse.
União entre senadoras fortalece atuação política
A líder da bancada afirma que um dos fatores que explicam os avanços do grupo é a capacidade de diálogo entre parlamentares de diferentes correntes ideológicas.
“Uma coisa muito importante é o fato de a gente não se dividir ideologicamente. Conseguimos discutir colocando Damares, Teresa Cristina, Eliziane Gama, Daniella Ribeiro, ou seja, diferentes cores partidárias”, afirmou.
A pesquisadora da Universidade de Brasília, Teresa Cristina de Novaes Marques, avalia que essa atuação coletiva tem impacto direto na ampliação da presença feminina no Parlamento.
Segundo ela, a união entre as parlamentares ajuda a superar barreiras históricas de participação política.
Bancada feminina fortalece políticas de proteção às mulheres
O trabalho conjunto das senadoras também contribuiu para fortalecer órgãos institucionais do Senado voltados às políticas de gênero.
Entre eles estão a Procuradoria da Mulher e o Observatório da Mulher contra a Violência.
A atual procuradora da mulher, a senadora Augusta Brito, defende ampliar ações de proteção em todo o país.
Uma das iniciativas é o Zap Delas, canal de acolhimento para vítimas de violência política de gênero.
“É mais uma ferramenta que vem com o intuito de acolher a mulher, fazer os encaminhamentos necessários e garantir que elas tenham certeza de que não estão sós em nenhum lugar do país”, afirmou.
O serviço pode ser acionado pelo número (61) 98309-0025.
Espaço conquistado representa avanço para próximas gerações
Durante a inauguração do gabinete da liderança da bancada feminina, em 2025, a senadora Zenaide Maia destacou o simbolismo da conquista.
“O que me deixa feliz é saber que nossas sucessoras já vão encontrar esse espaço e saber que é possível, sim, mulheres brasileiras fazerem parte deste Congresso”, pontuou.
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