BRASIL - A Polícia Federal (PF) investiga o ex-senador Fernando Bezerra por suspeita de envolvimento em um esquema de desvio de emendas parlamentares. A apuração também atinge o deputado federal Fernando Coelho Filho (União-PE).
A investigação foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que expediu mandados de busca e apreensão contra os dois políticos.
Segundo a PF, Fernando Bezerra e o filho teriam utilizado um posto de gasolina e uma concessionária de veículos para receber recursos oriundos de emendas parlamentares direcionadas a contratos públicos.
Como funcionaria o esquema investigado
De acordo com a Polícia Federal, as emendas parlamentares teriam abastecido contratos firmados por empresa ligada à família, a Liga Engenharia. Os recursos eram enviados para o município de Petrolina (PE), que à época era comandado por Miguel Coelho, filho do ex-senador.
Os convênios eram firmados entre a prefeitura e a Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf), estatal que, segundo a investigação, era dirigida na região por um indicado da família.
A PF aponta que a Liga Engenharia realizou pagamentos ao Posto Petrolina, empresa ligada à família da esposa de Miguel Coelho. Relatórios indicam que:
- Os valores pagos pelo município à Liga Engenharia mais do que dobraram de maio para junho de 2018;
- No mesmo período, os repasses da Liga ao posto teriam triplicado;
- A movimentação pode indicar tentativa de retorno dos recursos a pessoas ligadas aos parlamentares.
Em representação ao STF, os investigadores afirmam que não é possível descartar a hipótese de restituição de recursos públicos à família responsável pela destinação das emendas.
Movimentações em concessionária
Outro foco da apuração envolve a concessionária Bari Automóveis. A PF identificou, por meio de relatórios de inteligência financeira, elevadas movimentações em espécie na empresa.
Embora a concessionária tenha como sócio formal um tio do ex-senador, os investigadores apontam “fortes indícios” de que Fernando Bezerra e o filho seriam os verdadeiros controladores do negócio.
Entre os elementos citados pela PF estão:
- Balanços contábeis encontrados em dispositivos ligados ao ex-senador;
- E-mails enviados a ele com documentos fiscais;
- Conversas em grupo de WhatsApp chamado “Jeep”, no qual eram discutidas decisões administrativas da empresa;
- Operações financeiras fracionadas e repasses a pessoas físicas sem renda compatível.
Para os investigadores, a concessionária pode ter sido utilizada para receber valores de terceiros com destino ao ex-senador.
Defesa nega irregularidades
Em nota, o advogado André Callegari, que representa Fernando Bezerra e Fernando Coelho Filho, afirmou que ainda não teve acesso integral aos autos, mas sustenta que todos os recursos de emendas parlamentares foram corretamente destinados.
A defesa declarou confiar que os órgãos beneficiados observaram as melhores práticas de governança e que, ao final, ficará demonstrada a inexistência de conduta ilícita.
A concessionária Bari Automóveis também negou qualquer irregularidade e afirmou que o ex-senador e seus filhos nunca foram sócios, formais ou ocultos, nem exercem ingerência sobre a empresa.
As investigações seguem em andamento no Supremo Tribunal Federal.
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