Caso Marielle

Caso Marielle: condenação traz alívio, mas não repara dor, diz sobrevivente do atentado

Após julgamento do caso Marielle no STF, Fernanda Chaves afirma que condenação é simbólica, mas não apaga a dor do atentado.

Ipolítica, com informações do g1

Fernanda Chaves diz que julgamento Marielle no STF traz alívio, mas não repara a dor das vítimas. (Rosinei Coutinho/STF)

BRASÍLIA – A jornalista Fernanda Chaves, única sobrevivente do atentado que matou a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes em 2018, afirmou que o julgamento do caso Marielle pelo Supremo Tribunal Federal (STF) representa um passo importante, mas não repara a dor das vítimas.

“Sem dúvida nenhuma, é uma sensação de alívio. A Justiça só não repara a dor da gente. Ela tem um papel pedagógico e moral, que é simbólico, mas não repara a dor”, disse.

O atentado ocorreu em março de 2018, quando o carro em que estavam Marielle, Anderson e Fernanda foi atingido por 13 tiros no Rio de Janeiro.

Julgamento expõe “estado caótico”, diz sobrevivente

Para Fernanda Chaves, o julgamento do caso Marielle revelou problemas estruturais no estado.

“O Estado brasileiro demonstrou hoje que esse tipo de crime não pode ser tolerado. Mas ainda há muito a fazer. O processo revela um estado de coisas caótico que precisa ser enfrentado”, afirmou.

Segundo ela, o crime teve motivações políticas e também recortes de gênero e raça.

“Esse crime foi pensado para atacar um campo ideológico da política fluminense. Mas, sem dúvida, ele tem um recorte misógino, de raça e de classe quando a Marielle é escolhida”, avaliou.

Condenações 

A Primeira Turma do STF condenou:

  • Domingos Inácio Brazão, conselheiro do Tribunal de Contas do RJ: duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa armada;
  • João Francisco Inácio Brazão (Chiquinho Brazão), deputado cassado: duplo homicídio qualificado, tentativa de homicídio e organização criminosa armada;
  • Ronald Paulo Alves Pereira, major da Polícia Militar: duplo homicídio e tentativa de homicídio;
  • Robson Calixto Fonseca, policial militar e ex-assessor de Domingos Brazão: organização criminosa;
  • Rivaldo Barbosa de Araújo Júnior, ex-chefe da Polícia Civil do RJ: corrupção passiva e obstrução de Justiça.

Os irmãos Brazão deverão ainda pagar R$ 7 milhões por danos morais às famílias das vítimas.

O ex-chefe da Polícia Civil do Rio, Rivaldo Barbosa, foi absolvido do homicídio qualificado por dúvida razoável, mas condenado por corrupção passiva e obstrução de justiça, recebendo pena de 18 anos de prisão.

“Marielle vive”, afirma Fernanda Chaves

Apesar da condenação, Fernanda Chaves ressaltou que a decisão não elimina a dor causada pelo assassinato.

“Interromperam um corpo, uma matéria de Marielle. Para quem convivia com ela, é uma dor dilacerante essa vida ser interrompida brutalmente como foi”, afirmou.

Ela também destacou o simbolismo da condenação.

“O que eu tiro disso tudo é que essas pessoas vão passar o resto das vidas delas ouvindo sobre a Marielle. Nesse sentido, a Marielle vive. Vive em muitas mulheres. Teremos Marielle para sempre.”

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