Cronologia

Cronologia da tentativa de golpe mostra atentados, bloqueios e acampamentos

Três anos após os atos de 8 de janeiro, relembre a cronologia da tentativa de golpe que envolveu bloqueios, acampamentos e atentados.

Agência Brasil

Apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro invadem as sedes dos Três Poderes (Joédson Alves/Agencia Brasil)

BRASÍLIA A cronologia da tentativa de golpe que culminou nos atos de 8 de janeiro de 2023 expõe uma sequência de bloqueios, acampamentos, episódios de violência e atentados que marcaram um dos períodos mais críticos da história recente da democracia brasileira. Três anos depois, os acontecimentos seguem como símbolo de ataque às instituições e à ordem constitucional.

As imagens da invasão e depredação das sedes dos Três Poderes da República, em Brasília, correram o mundo e entraram para a história como uma das páginas mais sombrias do país. Na tarde daquele domingo, milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro marcharam pela Esplanada dos Ministérios, romperam bloqueios policiais e invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF).

O objetivo explícito era a deposição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, eleito democraticamente e empossado havia apenas uma semana. Aquele episódio representou o ponto culminante da chamada trama golpista, formada por ações coordenadas e isoladas que buscavam romper com o Estado Democrático de Direito.

Início da trama golpista

Segundo denúncia da Procuradoria-Geral da República (PGR), o plano de ruptura institucional começou a ser desenhado ainda em 2021, após Lula recuperar seus direitos políticos. A estratégia incluía desacreditar o sistema eleitoral e afrontar decisões do STF, preparando o terreno para questionar um eventual resultado desfavorável nas urnas.

Com a derrota eleitoral de Jair Bolsonaro no segundo turno das eleições de 2022, em 30 de outubro, a cronologia da tentativa de golpe passou a ganhar contornos mais explícitos e violentos em diferentes regiões do país.

Bloqueios de rodovias após as eleições

Lula venceu a eleição presidencial com 50,9% dos votos válidos, contra 49,1% de Jair Bolsonaro. O resultado foi seguido por uma reação imediata de apoiadores do então presidente, que iniciaram bloqueios em rodovias federais e estaduais.

De acordo com a Polícia Rodoviária Federal (PRF), mais de mil interdições totais ou parciais foram registradas em diversos estados. Os bloqueios atingiram o auge nos primeiros dias de novembro e provocaram transtornos como:

  • problemas pontuais de desabastecimento;
  • cancelamentos de voos;
  • dificuldades no transporte de cargas e passageiros.

Somente após o enfraquecimento das manifestações, Jair Bolsonaro veio a público pedir a liberação das estradas, em sua primeira declaração após o resultado das eleições, sem reconhecer a vitória do adversário.

Acampamentos em frente a quartéis

Com o fim gradual dos bloqueios, o foco do movimento golpista passou a ser os acampamentos montados em frente a quartéis das Forças Armadas. Mais de 100 estruturas foram instaladas em capitais e cidades do interior, incluindo Brasília, São Paulo, Rio de Janeiro, Florianópolis, Salvador e Recife.

O principal deles foi montado em frente ao Quartel-General (QG) do Exército, na capital federal, local de onde partiram os manifestantes que invadiram a Praça dos Três Poderes em 8 de janeiro.

Segundo a denúncia da PGR, esses acampamentos tiveram aval direto do então presidente Jair Bolsonaro e funcionaram como centros de articulação golpista, sustentados por uma ampla logística de alimentação e alojamento. A manutenção dessas estruturas foi posteriormente alvo de investigações e condenações no STF.

Escalada da violência e atos terroristas

Ao longo de novembro e dezembro de 2022, a tensão política aumentou com tentativas de questionar o resultado das eleições no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e discursos de deslegitimação do processo democrático.

A violência política se intensificou em dezembro. No dia 12, data da diplomação de Lula, manifestantes tentaram invadir a sede da Polícia Federal, em Brasília, incendiaram veículos e fecharam vias centrais da capital, em uma das noites mais violentas da cidade em décadas.

Já no dia 24 de dezembro, uma tentativa de atentado a bomba foi frustrada nas proximidades do Aeroporto Internacional de Brasília. O explosivo, instalado em um caminhão-tanque de combustível, falhou. As investigações apontaram que os envolvidos pretendiam provocar comoção social para justificar uma intervenção militar.

Os responsáveis foram condenados ainda em 2023 e, posteriormente, tornaram-se réus no STF por crimes como tentativa de golpe de Estado e abolição violenta do Estado Democrático de Direito.

O 8 de janeiro e a resposta institucional

Apesar do forte esquema de segurança montado para a posse de Lula, em 1º de janeiro de 2023, o evento ocorreu sem incidentes. Uma semana depois, porém, os atos golpistas de 8 de janeiro escancararam a fragilidade da contenção institucional naquele momento.

Três anos após os ataques, cerimônias e eventos marcam a data em defesa da democracia. No Palácio do Planalto, o presidente Lula participa de atos simbólicos ao lado de autoridades e representantes da sociedade civil. O STF também promove atividades dentro da campanha Democracia Inabalada, reforçando a memória dos ataques e o compromisso com o Estado Democrático de Direito.

Leia outras notícias em Imirante.com. Siga, também, o Imirante nas redes sociais X, Instagram, TikTok e canal no Whatsapp. Curta nossa página no Facebook e Youtube. Envie informações à Redação do Portal por meio do Whatsapp pelo telefone (98) 99209-2383.