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COLUNA
Rogério Moreira Lima
Engenheiro e professor da Uema, é embaixador da Abracopel, especialista da Abee Nacional e diretor da Abtelecom e da AMC.
Rogério Moreira Lima

Pesquisa da UFRJ para tratamento de lesões medulares recebe autorização da Anvisa para testes

Medicamento nacional devolve movimentos a pacientes paraplégicos

Rogério Moreira Lima

A sociedade brasileira vive um momento incomum, marcado por questionamentos sobre as universidades públicas. Essas instituições estão entre os poucos serviços de qualidade comprovada, com desempenho muito superior ao das privadas, atestado por rankings internacionais como o THE e nacionais como o RUF. Esse desempenho também é confirmado pela avaliação oficial do Ministério da Educação, realizada pelo INEP, que utiliza indicadores como o Indicador de Diferença entre os Desempenhos Observado e Esperado (IDD), o Conceito Preliminar de Curso (CPC), o Índice Geral de Cursos Avaliados da Instituição (IGC) e o ciclo avaliativo do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade). Esse contraste ficou ainda mais evidente com uma descoberta da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

Um medicamento desenvolvido pela UFRJ em parceria com o laboratório Cristália traz uma esperança inédita para quem sofreu lesão medular recente. Segundo noticiado pela CNN Brasil, Jornal O Globo e Jornal Nacional, a pesquisa levou 25 anos e envolveu especialistas de diferentes áreas da saúde, como neurocirurgiões e fisioterapeutas. Nos estudos experimentais, cerca de dez pacientes recuperaram movimentos, entre eles um jovem de 31 anos vítima de acidente de trânsito, uma mulher de 27 anos que caiu e um homem de 33 anos atingido por arma de fogo.

A autorização da Anvisa para o início da fase de testes clínicos é um marco decisivo. Ela confirma que a pesquisa, iniciada em 1997, atingiu maturidade científica, tecnológica e regulatória suficiente para avançar para estudos com pacientes. Para quem vive com lesão medular, isso representa uma esperança real de recuperação da mobilidade, com possibilidade de restaurar funções motoras e melhorar significativamente a qualidade de vida.

Veja a matéria completa sobre o início do processo de aprovação do medicamento pela Anvisa

O caso da UFRJ mostra de forma concreta como a cooperação entre universidade e indústria pode gerar resultados transformadores para a ciência e para a sociedade. Trata-se de uma universidade pública mantida pelo Governo Federal, reforçando o que os rankings internacionais e nacionais já indicam: excelência acadêmica, produção científica de ponta e impacto social real.

Mais do que números, o avanço da pesquisa evidencia o papel central do professor da universidade pública. A pesquisa foi conduzida sob a coordenação da Dra. Tatiana Coelho de Sampaio, professora da UFRJ, e atingiu maturidade científica, tecnológica e regulatória após quase três décadas de trabalho rigoroso e contínuo.

A pesquisa da UFRJ serve para nos lembrar que o professor universitário não se limita a dar aula. Ele orienta trabalhos de conclusão de curso, dissertações de mestrado e teses de doutorado, participa de bancas, desenvolve pesquisas, submete projetos a editais competitivos, publica artigos, atua como parecerista, organiza congressos, coordena grupos de pesquisa, integra conselhos científicos e mantém atividades de extensão que levam conhecimento para a sociedade. Tudo isso exige dedicação diária, atualização constante e compromisso com ciência, tecnologia e desenvolvimento social.

Resultados como o alcançado na UFRJ não acontecem por acaso. Eles exigem instituições sólidas, com corpo docente qualificado, laboratórios estruturados e cultura acadêmica orientada pelo método científico e pela avaliação por pares. É essa estrutura que garante o desempenho superior das universidades públicas brasileiras.

A qualidade dessas instituições se vê na capacidade de manter pesquisas de longo prazo, mesmo com recursos limitados. Enquanto modelos voltados apenas para lucro priorizam resultados imediatos, a universidade pública sustenta linhas de pesquisa estratégicas até que o conhecimento esteja maduro e pronto para gerar impacto real.

O envolvimento de diferentes áreas da saúde, a formação de profissionais altamente qualificados e a interação com a indústria farmacêutica nacional mostram a força do sistema público de ensino superior. A universidade não só produz conhecimento, mas cria condições para que ele se transforme em inovação com potencial de mudar paradigmas no tratamento de lesões medulares.

Quando observamos que resultados desse nível são produzidos principalmente em universidades públicas, fica claro que sua qualidade é estrutural. Ela se manifesta na formação de profissionais, na produção científica, na inovação tecnológica e na capacidade de enfrentar desafios complexos da sociedade.

Defender a universidade pública é defender um modelo de ensino superior que entrega resultados mensuráveis, reconhecidos internacionalmente e sentidos diretamente pela população. A qualidade das universidades públicas brasileiras não é promessa futura. Ela está presente, comprovada e em plena atividade. Esse é o exemplo concreto de que o Estado pode oferecer serviços públicos de excelência.


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