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É economista com experiência nacional e internacional em análises macroeconômicas e microeconômicas. Possui habilidade em análises setoriais, gestão do capital humano, orçamentos e finanças.
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Etanol pode nos libertar da importação de gasolina

Destaco, que qualquer oscilação de preço, reflete diretamente na nossa logística de distribuição que tem como base o transporte rodoviário.

Wagner Matos / Economista

Atualizada em 31/03/2025 às 11h43
O objetivo é reduzir o preço do combustível ao consumidor na bomba e tornar o Brasil independente da importação de gasolina.
O objetivo é reduzir o preço do combustível ao consumidor na bomba e tornar o Brasil independente da importação de gasolina. (Foto: Divulgação)

A última leitura do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que é a inflação oficial do país, no mês de fevereiro veio com alta de 1,31%, é a maior alta para um mês de fevereiro desde 2003 (1,57%) e a maior taxa desde março de 2022 (1,62%). Nos últimos 12 meses, a inflação ficou em 5,06%. Neste artigo, vou concentrar no aumento dos combustíveis de 2,89%, que tiveram um reajuste no ICMS, o óleo diesel subiu 4,35%, o etanol teve alta de 3,62% e a gasolina com reajuste de 2,78%. Evidencio a gasolina, devido ao seu peso, exerceu o segundo maior impacto individual no índice, com 0,14 pontos percentuais.

Mediante a importância do combustível nos custos das pessoas e das empresas através do consumo de produtos e serviços. Destaco, que qualquer oscilação de preço, reflete diretamente na nossa logística de distribuição que tem como base o transporte rodoviário. Essa referência tem motivado a criação de políticas para amenizar as oscilações do câmbio e dos preços.

O governo anunciou recentemente, o aumento da mistura de etanol na gasolina para 30%, atualmente em 27%. O objetivo é reduzir o preço do combustível ao consumidor na bomba e tornar o Brasil independente da importação de gasolina. A medida ainda está em análise pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE). Caso seja aprovada, a expectativa é de aumentar o teor do etanol em 2025, gradual ou imediatamente. Os testes realizados pelo Instituto Mauá de Tecnologia (IMT) comprovaram a viabilidade técnica do novo combustível. Cálculos apontam que o valor do litro da gasolina pode ser reduzido em até R$0,13 ao consumidor final, e gerar uma contribuição para o controle da inflação.

Outro cálculo importante, é que a transição do E27 (27% de etanol) para o E30 (30% de etanol) reduzirá a importação de 760 milhões de litros de gasolina por ano, impulsionando a produção nacional de biocombustíveis. Além disso, a adoção do E30 poderá reduzir em 1,7 milhão de toneladas a emissão de gases de efeito estufa por ano, o equivalente à retirada de 720 mil veículos das ruas anualmente. Dados da Copersucar (Cooperativa de Cana de Açúcar, Açúcar, Álcool de São Paulo) mostram que o Brasil importou cerca de 48 bilhões de litros de gasolina para suprir o mercado brasileiro entre 2017 e 2024. Se não tivéssemos o etanol na matriz de combustíveis, o Brasil teria importado quase 6 vezes mais de gasolina, o equivalente a 430 bilhões de litros. As estimativas apontam que a cada 10% de aumento na participação de uso do etanol hidratado sobre a gasolina, representaria aproximadamente 5 bilhões de litros de demanda adicional do biocombustível.

O SENATRAN (Secretaria Nacional de Trânsito) aponta que a frota brasileira é de 42 milhões de veículos, em sua maioria já possuem motores flex e representam 83% dos veículos. Porém, mais de 70% desses veículos ainda são abastecidos somente com gasolina por preferência dos consumidores, por pura falta de conhecimento dos avanços tecnológicos dos veículos e motores e mais a redução do peso, que juntos proporcionam menos consumo de combustível. Além da evolução na qualidade da produção do etanol e da mistura com a gasolina. Outro ponto a ser destacado é eficiência na distribuição do etanol, principalmente após à medida que viabiliza a venda direta do combustível das usinas aos postos de combustíveis, que evita o custo obrigatório de passar pelas distribuidoras, um benefício que ajuda a diminuir o custo ao consumidor final.

A ANFAVEA (Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores) confirma e garante ao consumidor que essa mudança no combustível não afeta em nada os modelos flex, já que são projetados para funcionar com qualquer percentual de mistura de gasolina e etanol.

Diante do cenário apresentado, fica evidente a complexidade do mercado de combustíveis no Brasil, devido as oscilações de preços no mercado internacional, a falta de capacidade de produção de gasolina suficiente para atender o mercado interno e a necessidade de políticas eficazes para mitigar os impactos da inflação e da dependência externa. A proposta de aumentar a mistura de etanol na gasolina surge como uma alternativa promissora, com potencial para reduzir os preços ao consumidor, impulsionar a produção nacional de biocombustíveis e diminuir a emissão de gases de efeito estufa. No entanto, é crucial que o governo e os diversos setores da sociedade trabalhem em conjunto para garantir a viabilidade e a sustentabilidade dessa medida, considerando os aspectos econômicos, sociais e ambientais envolvidos. Além disso, é fundamental investir em educação e conscientização dos consumidores sobre os benefícios do etanol, a fim de promover uma mudança cultural que incentive o uso desse combustível mais limpo e renovável.

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